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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 8 Ago 04

MARYLIN, THE PAIN OF HER DEATH



Na perfeita inutilidade que é a minha presente fase, deixei passar a data do desaparecimento de Norma Jean Baker, mais conhecida por Marylin Monroe. O Abrupto lembrou-se e citou Noel Coward a propósito. Eu cito Norman Mailer. É o mais belo epitáfio que conheço.

In all this discussion of the details of her dying, we have lost the pain of her death. Marylin is gone. She has slipped away from us over the edge of the horizon of the last pill. No force from outside, nor any pain, has finally proved stronger than her power to weigh down upon herself. If she has possibly been strangled once, then suffocated again in the life of the orphanage, and lived to be stifled by the studio and choked by the rages of marriage, she has kept in reaction a total control over her life, which is perhaps to say that she chooses to be in control of her death, and out there somewhere in the attractions of that eternity she has heard singing in her ears from childhood, she takes the leap to leave the pain of one deadned soul for the hope of life in another, she says goodbye to that world she conquered and could not use. We will never know if that is how she went. She could as easily have blundered past the last border, blubbering in the last corner of her heart, and no voice she knew to reply. She came tu us in all her mother's doubt, and leaves in mystery.


Norman Mailer, Marylin

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João Gonçalves 8 Ago 04

SUBLITERATURA

Aos sábados o Público tem um suplemento literário. Chama-se Mil Folhas e, para além de artigos ou entrevistas sobre livros e autores, também discorre sobre música, discos e dvd's clássicos. Como é Agosto, e parece que Agosto convida à significativa diminuição da actividade intelectual, o Mil Folhas some-se entre duas a três páginas no "corpo" do jornal. Neste último sábado, decidiram descobrir onde é que alguns "escritores" escreviam. Se em casa, se numa sala particular, com vistas ou sem vistas, se na varanda, enfim, uma coisa deste género. Os "escritores" escolhidos, tendo à cabeça a D. Mafalda Ivo Cruz , que tem uma "vista" inspiradora, pertencem a uma espécie literária cheia de sucesso por cá, a subliteratura e as suas "variantes" múltiplas. Esta plural categoria, que é vendida às postas em todas as grandes superfícies, juntamente com a margarina e os pensos higiénicos, alimenta suficientemente a pequena burguesia de espírito dos seus generosos leitores. Como categoria literária atípica, já tem os seus campeões de vendas garantidos, designadamente nas pessoas das Sras. D. Rebelo Pinto e Lopo de Carvalho e, mais recentemente, na auspiciosa Ivo Cruz. Para dar alguma cor e "génio" às estimáveis criaturas, de vez em quando um "crítico" insuspeito, tipo Eduardo Prado Coelho, passa, salvo seja, a mão por cima desta subliteratura, elevando-a por instantes à categoria seguinte. Tudo ou quase tudo, nesta como em outras matérias, funciona entre nós em regime de "capelinhas" que reproduzem outras "capelinhas". A poesia, género literário menor aos olhos do vulgo, fora da "capela", não vale nada. E os escritores sem aspas que, por cá, são uma honrada minoria, permanecem tranquilos no limbo da discrição e do silêncio, afinal aquilo que é próprio da literatura.

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João Gonçalves 8 Ago 04

A PROPAGANDA

Para evitar "problemas de comunicação", o governo vai criar uma "central" da dita. Essa "central" deve velar pela uniformidade da "mensagem" da acção governativa, ou seja, deve evitar que alguém, lá de dentro, se solte excessivamente. Passar tudo pela "central", é aparentemente o objectivo do exercício. Incluí sondagens, estudos de opinião, "impactos", enfim, tudo o que tem a ver com a "imagem", uma especialidade Santana. Ao pé disto, a conhecida "obra" em outdoors, efectuada em Lisboa, vai parecer coisa pequena. Por detrás de projecto estará naturalmente uma empresa e, seguramente, uma empresa bem contratada. Sob a alçada do ministro da presidência, a empresa garantirá a "integridade" do ofício. Sucede que, neste governo, para além deste ministro, um especialista na matéria, há a sua "cabeça de Janus", Santana e Portas. As relações políticas entre o primeiro-ministro e o seu ministro da presidência não são reconhecidamente fortes. Portas, por seu lado, não dispensa o seu one man show. As "informações" e as "contra-informações" a debitar para a "central" vão ser, pois, muitas e divertidas. Não tenho certeza que interesse demasiado ao "povo" saber o que se passa, ou não passa, na "casa de Santana". Aos "interessados", interessa naturalmente. A "venda" do produto, o bom e o estragado, a menos de dois anos de vista, precisa de "coordenação", o novo nome de uma velha conhecida, a propaganda.

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