ESTADO DE DESGRAÇA Durão Barroso, pouco tempo antes de virar José Barroso, garantiu ao país que nunca como agora se tinham disponibilizado tantos meios para o combate aos incêndios. Figueiredo Lopes, um fantasma que passou pelo MAI, entretanto foi para casa. Ficou o adjunto, um rapazinho do PP sem grande queda para emergências nem para nada. Daniel Sanches, o novo ministro, que veio das polícias e dos segredos, também não deve ser dado a extraordinárias perturbações públicas. A balbúrdia que resultou da fusão apressada dos bombeiros com a protecção civil esteve sempre no ar e nunca chegou a passar. Ninguém com responsabilidades pareceu excessivamente preocupado com isso. Eis que, de novo, o país arde e arde bem. Não consta, porém, que os tais "meios" tenham chegado para prevenir, quanto mais para combater, a cíclica tragédia. A pulsão "executiva" de que Santana Lopes enfaticamente se reclama, vai ser posta à prova rapidamente. E não chegam umas passeatas de helicóptero para impressionar ou umas tiradas aos microfones entre os arbustos. As populações estão legitimamente cansadas e desencantadas. Só se pode desejar que o amadorismo diletante não venha simplesmente deitar mais combustível para a fogueira. Santana Lopes entrou, mais depressa do que pensava, no seu estado de desgraça.
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