Depois de oito valentes copos de água, perante a habitual multidão de dependentes e de interessados, destacando-se, nestes últimos, tudo o que é a "nata" da classe empresarial e banqueira, Santana Lopes estreou-se. Foi o que se pôde arranjar à pressa. Ou "amanhar". Não lhe foi possível esconder que não conhecia o discurso que lhe escreveram. Para todo o sempre, há-de arrepender-se de não ter improvisado, coisa em que é especialista e seguramente mais feliz. Como aquilo não tinha nexo nenhum, retive poucos propósitos. Fica uma circunstancial e retórica bravata contra os "poderosos" (estavam lá quase todos a aplaudi-lo), contra o "déficit das famílias", contra o "eleitoralismo" e pelo "rigor" do agrado de Sampaio, que ontem começou a perceber onde é que se tinha metido. Em suma, Santana esteve essencialmente contra si próprio. Houve, nesta primeira peripécia, uma sensação de desconforto, como se o personagem estivesse desesperadamente em busca de um autor. Por isso, uma vez liberto dos cumprimentos, voltou a encontrar-se com o melhor de si mesmo. Proibiu os pobres dos seus novos ajudantes de falar, e reservou para si a "síntese". Eles, realmente, não interessam. Esquecida, para já, "a corte na aldeia", Santana Lopes, ao arrepio do que Sampaio tinha recomendado uns minutos antes, tirou do bolso a "descida do IRS", uma milonga bem conhecida e de agrado geral. Em breves instantes, recompôs-se dos dias difíceis da "responsabilidade" e do fracasso da "cerimónia". Estava de volta.
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