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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 14 Jul 04

"VIVE LA FRANCE"

Ainda não passou uma semana sobre a decisão irresponsável de Sampaio, e já se pode assistir ao "novo ciclo de estabilidade" que nos anunciou. Do lado da coligação Santana & Portas, a luxúria dos pequenos patos bravos que viram chegada a sua hora, anda a minar a "elegância" com que Santana pretendia conduzir as coisas. Por outro lado, admito que algumas das poucas formas de vida inteligente que sobraram, apresentem alguma resistência em colaborar. Finalmente, os "barões" do defunto barrosismo, como Sarmento, vendem naturalmente caro as suas "posições". Para consolo e sossego próprios e dos "interesses", Arnaut, entretanto, já terá garantido as Obras Públicas. No PS, o cenário não é melhor. Em vez de se ter apresentado rapidamente ao país com perspectivas de uma liderança forte, determinada e ambiciosa, o PS primeiro espremeu-se pelo seu eterno Sebastião de Bruxelas, o tal que afinal é mais desistente do que resistente, e agora anuncia uma pequena multidão de candidatos a líder, como se estivesse tranquilamente no concurso das "construções na areia" do Diário de Notícias. Este clima malsão de inanidade geral, sob o olhar "vigilante" de um PR inexistente, faz-me ter pena do país. Como hoje se comemora o "14 de Julho", o melhor mesmo é gritar, sem ambiguidades, "Vive la France".

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João Gonçalves 14 Jul 04

PÁTRIA...

de Sophia de Mello Breyner Andresen


Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro

Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Do longo relatório irrecusável

E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas

- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro

Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo.


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