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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 14 Dez 03

BOAS FESTAS...


A ENTREVISTA DO BISPO DO PORTO ao Expresso de ontem é duplamente interessante. Por um lado, retira algum do pensamento da Igreja da letargia face aos desenvolvimentos sociais e culturais dos tempos que correm, fazendo-a "descer à Terra" em matérias que parecem sempre tabu. Por outro, ao pronunciar-se sobre homens públicos como Cavaco e Guterres, da forma como o faz, revela uma sensibilidade política adequada ao médio prazo. Ainda bem que há um "dignatário" nosso - há mais...- que enxerga para além do Deus recorrente de Santana Lopes. Tudo nele, convém lembrar, ou é "por vontade de Deus", ou é "se Deus quiser". A seu tempo, com ou sem esta curiosa recorrência verbal, outros Cristos descerão à Terra...


Cavaco Silva...


...ou António Guterres ?


A POSIÇÂO DE FERRO RODRIGUES no "não-caso" Lusíada foi a correcta. Depois de ouvidas as explicações de Morais Sarmento, que começaram mal, o lider da oposição considerou o assunto encerrado, politicamente falando. É natural que haja ainda alguma escaramuça à volta da peripécia, porém julgo ser mais proveitoso prestar atenção ao que se vai passando na educação, no ensino superior, na saúde ou na justiça, em que várias montanhas ameaçam parir apenas ratos.


...a tentar acertar o passo

O TRISTÃO E ISOLDA que foi dado a ouvir na Culturgest, em três "fatias", saldou-se por um excelente espectáculo. Só pude assistir ao III Acto. Apesar de não ser especialista, considero notáveis as prestações dos cantores, e a Orquestra Sinfónica Portuguesa esteve bem e, desta vez, muito razoavelmente dirigida pelo seu director musical. Assistiram igualmente Pedro Roseta e o assessor cultural do Primeiro Ministro, e eventualmente um ou outro dirigente anónimo e anódino da actual nomenclatura do MC. Nem sabia que gostavam de Wagner. Se calhar, eles também não. O único que percebia da coisa era Paolo Pinamonti, o director artístico do Teatro de São Carlos. E estava claramente de parabéns. Quanto ao resto, Manuel Maria Carrilho diz o suficiente nas suas Contingências do Expresso, acerca do "verdadeiro défice" de que falei uns posts atrás.


Herbert von Karajan, de quem se recomenda a versão em CD do Tristan und Isolde, com Jon Vickers, Helga Dernesch, Christa Ludwig e Walter Berry, à frente da Berliner Philarmoniker


E MÁS FESTAS....


A CIMEIRA DE BRUXELAS não aprovou a "constituição europeia". Já se fala, de novo, numa Europa a "duas velocidades". Não se tratou de nenhuma tragédia, mas é interessante acompanhar o papel que a Polónia (um País com uma curisissima história que alguns desconhecem) está a começar a desempenhar no seio da União Europeia. Nós contamos pouco e D. Barroso satisfez-se com uma Agência qualquer que vem para cá. Voltou a dizer, sem o dizer, que não quer referendo, uma vez que insiste na data impossível das eleições europeias. Convém-lhe - a ele e a nós - estar atento às tais "velocidades" que se desenham e recolocar-se no famoso "pelotão da frente" onde, numa outra encarnação, Cavaco nos pôs.


À espera de melhores dias...


A FALTA DE COMUNICAÇÃO da bondade das medidas do Governo preocupa o "núcleo político" da dita agremiação. O "núcleo" parte do princípio de que as "medidas" são boas, só que o Governo não as consegue explicar à população. Moral da história: o Governo não precisa de "boas medidas", precisa antes de bons comunicadores. Basta dar uma voltinha pelos principais ministérios para se entender a frivolidade do exercício. Nem sempre as medidas são boas, e quase sempre os "comunicadores" são invariavelmente péssimos. Santana Lopes, notável na sua intuição política, já o percebeu e, pelo sim, pelo não, "comunica" ele sozinho e fora do Governo. Praticamente só sobra Marques Mendes, parece que invejado por esses portentos políticos que são Sarmento e Arnaut. Quem?

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João Gonçalves 14 Dez 03

AS BOAS E AS MÁS FESTAS

Vive-se a época natalícia. Momento mais pagão do que este não conheço, apesar de estar instituído para celebrar o nascimento de Cristo. O "natal" culmina um longo processo de idiotização anual das vidas da generalidade das pessoas. Os adultos infantilizam-se para agradar às criancinhas, e estas, em público e em privado, dão largas à sua vivacidade barulhenta e naturalmente infantil, terminando tudo na harmonia "familiar" que não dura mais do que as 48 horas da praxe. Cada prenda comprada é mais uma marretada dada nos pregos que ergueram Cristo na cruz final e sinónimo de um consumismo insane e despropositado, olhando ao "afundamento geral em curso". À parte comercial da coisa, costuma juntar-se a troca de sonsos desejos de boas festas e de feliz ano novo entre um rol de gente que mal se conhece ou que até nem se estima. Eu não alinho nesta ladaínha hipócrita e prefiro manter os meus "ódios" e "amores" intactos, sem intervalos para comer sonhos e bolo-rei.

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