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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 13 Out 03

ESTADOS DE ALMA

Um. "Os socialistas não estão deprimidos". O Dr. Ferro deve dizer isto todos os dias a si próprio. A sua direcção delirante, com a azougada Ana Gomes à cabeça, não caminha para lado nenhum. A sua única causa chama-se Paulo Pedroso e isso não faz nenhuma "alternativa". É um mero problema "humano", até mais ver. É por isso bom que Jorge Coelho, por exemplo, um prático com os pés bem assentes na terra, tenha regressado. Em breve, o PS terá que desatar este "nó górdio". Se quiser que o "futuro" passe por ali.

Dois. O Dr. Marques Mendes, um dos poucos "políticos" que o Dr. Barroso tem no governo, acha que o OE para 2004 já irá repercutir o "início da recuperação económica". Mesmo que não seja bem assim, é bom dizê-lo. Marques Mendes é um optimista bem informado. O que, num provérbio russo antigo, quer dizer "pessimista".

Três. Por causa da libertação de Paulo Pedroso, estão a suceder-se manobras de informação e de contra-informação em torno do processo Casa Pia. De facto, o acordão da Relação foi impiedoso para com a investigação, revelando-a medíocre e leviana. Como se previa, o ar em torno do processo ficou mais pesado e mais nublado. Entretanto, joga-se como que à bola com um assunto que devia ser sério. E os jogadores estão em todo o lado, na defesa, na acusação e nos órgãos de comunicação social. Fazer demagogia com as "crianças" ou com a "inocência" ainda não anunciada, é um mau serviço à cidadania. A serena inteligência de Pedroso devia levá-lo a, para já, não aceitar voltar a ser deputado e a respirar, tranquilo e atento, o ar da liberdade.

Quatro. O ministro da Cultura, Pedro Roseta, esteve na Feira de Frankfurt. Parece que se impressionou com uma tradução alemã do "Livro do Desassossego", de Bernardo Soares/Fernando Pessoa. Não sei se isto é um bom ou um mau sinal.

Cinco. O maestro Miguel Graça Moura, afinal, não se demite. A orquestra metropolitana de Lisboa e a escola que lhe anda associada, estão paradas. A megalomania devia ter limites, quando estão em causa interesses de terceiros. O folhetim vem demonstrar aos que ainda não tinham percebido, que o mundo da "cultura", dos "agentes culturais" e de muitos "intelectuais", está minado por interesses pessoais, intrigas e vaidades que nada têm a ver com o "distanciamento" que se lhes atribui relativamente à "vida material". Ganhar honestamente a vida é uma coisa. Na "cultura", então, é uma bela coisa. Fazer do ofício um bazar trapalhão, é que é feio.

Seis. O crítico musical continua atento aos concertos da mini temporada do São Carlos, no Teatro S. Luiz. E a persistir no anonimato. Desta vez- e uma vez mais - vira-se para o coro. É natural que a direcção musical do dito já não tenha a mesma frescura que tinha quando começou. Sempre mais do mesmo também cansa. A questão é que as relações de poder dentro do Teatro estão praticamente invertidas. Há "poderes fácticos" que mandam mais do que os "políticos". Na "reestruturação" em curso, pode ser que se lembrem de ir mais além do que atalhar apenas os "elos" mais frágeis e óbvios. Os bons exemplos começam "por cima".

Sete. Disse aqui outro dia que o Sr. secretário de Estado da Cultura bem que podia agradecer os préstimos ao actual director do teatro de ópera nacional, e escolher outro nome para o substituir, a partir do segundo trimestre do ano que vem. Quem diz o director, diz a direcção toda. Deixo uma sugestão. Conhece bem o sector, trabalhou no corpo legislativo do Ministério da Cultura tal como ainda está desenhado (e não está mal desenhado), é dedicado, competente e sabe de música. Chama-se Rui Vieira Nery.

Oito. O mesmo secretário de Estado da Cultura anda obcecado com a "gestão empresarial" dos teatros nacionais e organismos afins, depois de os ter deixado transformar, para efeitos de gestão, em autênticas direcções gerais simples. Parece que pôs uns quantos assessores a "navegar" pela internet e que consultou uns "conselhos artísticos e jurídicos" para chegar ao "modelo" de legislação adequada àqueles organismos. Esse "modelo" anda a "passear-se" pelos caminhos da burocracia estatal, e é suposto que venha a servir primeiramente no Teatro D. Maria. Como em Portugal não abundam "conselhos artísticos", seria interessante saber com quem Amaral Lopes se "aconselhou". Terá sido com Ricardo Pais, Ana Pereira Caldas ou Carlos Vargas, P. Pinamonti, Jorge Vaz de Carvalho, João Grosso ou A. Lagarto? Não consta. E quais serão os "paí­ses europeus que são referência para nós" ? Ninguém sabe. Quando, na gestão Carrilho/Nery se tratou das orgânicas destes organismos, houve, de facto, quem fosse ouvido, e ligado "artisticamente" ao assunto. Eu suspeito que agora as coisas tenham ficado apenas entre amáveis e "amigos" juristas, defensores do tal "caldo empresarial", que também ninguém sabe muito bem o que é.

Nove. Nem tudo é completamente mau. Leio no DNA do Diário de Notícias de sábado, uma entrevista com Gabriela Moita, psicóloga, cuja tese de doutoramento se intitula "Discursos sobre a homossexualidade no contexto clínico". Não conheço a senhora de parte alguma, mas a entrevista é muito inteligente. O que diz sobre a família, sobre a sexualidade, sobre a "aceitação" ("quem ama, aceita") e sobre os fantasmas que estes assuntos sempre despertam na nossa pequena burguesia de espírito, vale a pena ler. "Mesmo as pessoas mal tratadas dentro da família continuam com o discurso interiorizado de que a família é o local mais quentinho do mundo e o melhor e aquele que nos apoia. Ainda que levem pancada e vão parar ao hospital todos os dias. Penso que o controlo da sexualidade passa pela tentativa de impor esta estrutura social ao ser humano". Infelizmente não há link.

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