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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 10 Out 03

PORTUGAL EM ACÇÃO?

1. Consta que o orçamento de Estado para 2004 vai aumentar as verbas em PIDDAC, entre outros, para o ministério da Cultura. O PIDDAC serve fundamentalmente para obras e equipamentos. No caso da cultura, dada a escassez dos orçamentos de funcionamento, o PIDDAC tem vindo a ser usado nos "produtos" específicos do sector. Este "desvio" na vocação primária daquelas verbas, permitiu a diversos organismos satisfazer compromissos relativos às suas actividades e produções, como forma de aliviar a asfixia geral. No entanto, julgo que esta generosidade é enganadora. Não é o reforço do "orçamento/PIDDAC" - sempre agradecido, naturalmente - que me parece essencial para as instituições sob a tutela do MC. Acresce que os orçamentos, por causa do "déficit em vigor", estão sempre à espera de"cativações", seja em PIDDAC, seja em funcionamento, o que baralha constantemente tudo isto. Repito o que aqui tenho escrito. Enquanto se entender que se deve manter um departamento governamental com a chancela "MC", o orçamento de funcionamento tem que ser mais sólido, sob pena de o "MC" nâo passar de um emblema na lapela do governo, e os organismos dependentes, não passarem de campas rasas.

2. Os organismos do MC, sobretudo os teatros, não podem funcionar sem orçamentos plurianuais. Cabe à tímida tutela da Cultura esclarecer as Finanças de que as temporadas, não só intersectam dois orçamentos de estado, como trabalham na base de uma programação de médio e de longo prazo, que envolve compromissos bem distintos de uma vulgar direcção geral que "ande ao papel". Não se desenvolve o sentido da beleza e da qualidade de vida individual e colectiva, através da chamada "cultura", aos solavancos. Como temos a "sociedade civil" que temos, indigente e medíocre, é ainda o Estado, sem complexos de "propaganda" ou de outra coisa qualquer, que pode assegurar este tipo de bem-estar. O tal "Portugal em acção" também passa por aqui.

3. Por falar em campas casas, houve um pequeno frisson , esta semana, em torno do Teatro Nacional D. Maria II. O Secretário de Estado da Cultura jurou pela enésima vez pela nova lei orgânica da casa. E foi adiantando que a lei em vigor não prevê "director artístico", uma maneira airosa de (não) explicar por que é que António Lagarto espera sentado a nomeação anunciada em Julho. É que está por resolver se vão coincidir na mesma pessoa os cargos de director - ou de presidente do conselho de administração, que é mais "neoliberal" - e de director artístico, coisa em que, penso, divergem o indigitado Lagarto e o governo. No meio desta trapalhada , o Sr. SEC deixou para Novembro a apresentação da temporada teatral, à semelhança do que já tinha feito no São Carlos. O extraordinário nisto tudo, São Carlos incluído, é que não se antevê, por mais geniais que os dirigentes sejam ( e não são ), como é que se prepara, material e financeiramente, uma temporada de teatro ou de ópera que não é para "amanhã" e que já era para "ontem". Será esta a ideia do "Portugal em acção" do Sr. Secretário de Estado ?

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João Gonçalves 10 Out 03

BREVES LITERÁRIAS

A primeira. Reponho um post de Junho, quando li O Paraíso na Outra Esquina, de Mario Vargas Llosa, recentemente traduzido e editado pelas Edições D. Quixote.

(...) "El Paraíso en la otra esquina". Trata-se de um romance arquitectado em torno das vidas da feminista Flora Tristán e do seu neto, o pintor Paul Gauguin. Gauguin começou por ser um bem sucedido corretor da bolsa de Paris, fez o que se chamaria um relativamente bom casamento, com uma nórrdica e, de repente, começou a pintar. Conheceu Van Gogh e, atraí­do pela expontaneidade da natureza e das criaturas do Tahiti, para ali embarcou, abandonando a, até então, sua civilização. A sua obra reflecte esta vivência e a sua errância algo desregrada e libertina que Llosa bem descreve no seu livro, em que alterna o percurso do neto com o da avó, anos antes. Flora foi o que podería­mos chamar uma mulher cosmopolita, parece que bonita, e empenhada na sensibilização social e na emancipação de homens e mulheres nos finais do século passado. Também ela abandonou a sua primitiva condição de esposa e de mãe para se lançar, mundo fora, na utopia da libertação. Os capí­tulos dedicados a Flora Tristán revelam uma mulher com uma audácia interior e uma coragem moral e física impressionantes, ao mesmo tempo que insinuam a imensa solidão do seu combate.O mundo de hoje não permite mais "fabricar" criaturas como Gauguin ou Flora. O texto de Vargas Llosa tem o mérito de nos remeter para os caminhos inacabados de ambos, cada um à sua maneira, em busca do paraíso na outra esquina.

A segunda. Num dos mais bonitos blogues, o Almocreve das Petas, encontro poesia de Cesariny, devidamente ilustrada, que é coisa que eu não sei fazer.

Poema do Encontro de Joachim de Flora com Emmanuel Swedenborg; e de Ambos com William Blake; e de Blake com Dante Gabriel Rossetti.

I am eu sou the immaculate a
Imaculada conception concepção.
The Virgin A Virgen of Lourdes
de Lourdes

I am eu sou the first a primeira and the last e a última
I am eu sou the honored one a venerada and the scor-
ned oane e a execrada
I am eu sou the whore a puta and the holy oane e a
santa
I am eu sou the wife a esposa and the virgin e a virgem
I am eu sou the mother a mãe and the daugther e a filha
I am eu sou the members o clã of my mother da minha mãe
I am eu sou the barren oane a estéril and many e
muitos are hers sons são os seus filhos
I am eu sou she whose wedding aquela cuja núpcia
is great é grande and I have not taken e não a-
ceitou a husband marido
I am eu sou the bride a noiva and e the bridegroom
o noivo
and it is my husband e é meu marido who begot
me quem me gerou
I am eu sou the the mother a mãe of my father
de meu pai and the sister e a irmã of my
husband de meu marido and he is e ele é
my offspning a minha descendência

A Deusa Ishtar
(mais tarde Ísis). Suméria
the Godess Ish-
tar, (later Isis), Sumeria

[Mário Cesariny de Vasconcelos, 89, in Via Latina]

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