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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 8 Out 03

OLHANDO A TELEVISÃO

Uma imagem é esvaziada da sua força dependendo do modo como é usada, de onde e de quantas vezes é vista. As imagens mostradas na televisão são por definição imagens que, mais tarde ou mais cedo, cansam. O que parece ser insensibilidade tem a sua origem na instabilidade da atenção que a televisão está organizada para despertar e saciar através do seu excesso de imagens. A fartura de imagens mantém a atenção leve, móvel, relativamente indiferente ao conteúdo. O fluxo de imagens exclui uma imagem privilegiada. O que conta em televisão é que se pode mudar de canal, que é normal mudar de canal, ficar-se insatisfeito. aborrecido. Os consumidores desanimam. Têm de ser estimulados, de ser empurrados, continuamente. O conteúdo não é mais do que um destes estimulantes. Uma atenção mais reflexiva ao conteúdo exigiria uma certa intensidade da consciência - precisamente aquela que é atenuada pelas expectativas atribuí­das às imagens disseminadas pelos media cujo despojamento de conteúdo contribui decisivamente para o amortecimento das emoções.

Susan Sontag, Olhando o Sofrimento dos Outros ( Regarding the Pain of Others ), trad. de José Lima, Gótica, 2003.

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João Gonçalves 8 Out 03

POLÍTICA DE CAÇA

Eu fui dos que votaram em Durão Barroso. O estilo mole e razoavelmente inconsequente de Guterres incomodava-me. E o Dr. Ferro manifestamente não impressionava e pouco tinha - e tem - de estimulante. Já em 1995 eu achava que Barroso devia ter sucedido a Cavaco, mas isso ainda não estava "escrito nas estrelas". A persistência foi premiada o ano passado, e eu acreditava que o nem sempre feliz candidato a primeiro-ministro, iria com certeza tornar-se um bom chefe de governo. No entanto, da vasta parafernália de apoiantes da campanha e de "nomes sonantes", pelas suas qualidades pessoais, polí­ticas ou técnicas, que imaginávamos que pudessem vir a ser escolhidos, muito poucos ou nenhum chegou a ser "eleito". É aqui que aparece a metáfora marcelista de que "quem não tem cão, caça com gato". Na realidade, o conjunto de governantes que foi apresentado à Pátria, entre ministros e secretários de estado, suscitou quase unanimemente um enorme bocejo. Faltava ali qualquer coisa. Em geral, não havia nem densidade política, nem grande preparação. Era - e é - quase tudo bastante fraquinho. E há demasiado amadorismo nisto tudo. Estes últimos desenvolvimentos, que lhe saíram péssimos, demonstram que é necessário inverter a "política de caça". Barroso precisa de predadores de largo porte, leais, mas sem temores reverenciais e, de preferência, que não sejam venais. Doutro modo não irá muito longe. Definitivamente não pode ir à caça com "gatos". Arrisca-se a acabar arranhado e de sacola vazia.

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