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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 4 Out 03

UM ADEUS CHIC

Quando, há cerca de quase dois anos, Yves Saint Laurent se despediu do mundo da "alta costura", proferiu perante os jornalistas umas breves, intensas e belas palavras que hoje, não sei bem por que razão, me apetece aqui deixar. Se calhar por muito modestamente também pertencer à categoria dos "nervosos" de que falava Proust.

J'ai vécu pour mon métier et par mon métier. En ouvrant en 1966, pour la première fois au monde, une boutique de prêt-à-porter à l'enseigne d'un grand couturier, j'ai conscience d'avoir fait progresser la mode de mon temps et d'avoir permis aux femmes d'accéder à un univers jusque-là interdit. Comme Chanel, j'ai toujours accepté la copie et je suis très fier que les femmes du monde entier portent des tailleurs-pantalons, des smokings, des cabans, des trench-coats. Je me dis que j'ai participé à la transformation de mon époque. Je l'ai fait avec des vêtements, ce qui est sûrement moins important que la musique, l'architecture, la peinture et bien d'autres arts. On me pardonnera d'en tirer vanité (...). J'ai voulu me mettre au service des femmes. C'est-à-dire les servir. Servir leur corps, leurs gestes, leurs attitudes, leur vie. J'ai voulu les accompagner dans ce grand mouvement de libération que connu le siècle dernier.(...) J'ai conscience d'avoir, pendant ces longues années, accompli mon travail avec rigueur et exigence. Sans concessions. J'ai toujours placé au-dessus de tout le respect de ce métier qui n'est pas tout à fait un art mais qui a besoin d'un artiste pour exister. Je pense que je n'ai pas trahi l'adolescent qui montra ses premiers croquis à Christian Dior avec une foi et une conviction inébranlables. Cette foi et cette conviction ne m'ont jamais quitté. Tout homme pour vivre a besoin de fantômes esthétiques. Je les ai poursuivis, cherchés, traqués. Je suis passé par bien des angoisses, bien des enfers. J'ai connu la peur et la terrible solitude. Les faux amis que sont les tranquillisants et les stupéfiants. La prison de la dépression et celle des maisons de santé. De tout cela, un jour je suis sorti, ébloui mais dégrisé. Marcel Proust m'avait appris que "la magnifique et lamentable famille des nerveux est le sel de la terre". J'ai, sans le savoir, fait parti de cette famille. C'est la mienne. Je n'ai pas choisi cette lignée fatale, pourtant c'est grâce à elle que je me suis élevé dans le ciel de la création, que j'ai côtoyé les faiseurs de feu dont parle Rimbaud, que je me suis trouvé et compris que la rencontre la plus importante de la vie était la rencontre avec soi-même. Pourtant j'ai choisi aujourd'hui de dire adieu à ce métier que j'ai tant aimé.

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João Gonçalves 4 Out 03

OS MEUS MENINOS

A D. Catalina Pestana, veneranda provedora, dá uma entrevista no Expresso. Para além de nos prometer "terramotos" e cataclismos piores para o desfecho do "processo", jura pela credibilidade das "suas" testemunhas e destila o seu profundo pensamento acerca do que se está a passar, dentro e fora dos muros da "casa", esta sim "a mais vigiada de Portugal". Lá entendeu que nem tudo correu bem na "marcha branca", mas que o propósito valeu o circo. O que Sampaio disse esta semana sobre justiça, mereceu-lhe o comentário desdenhoso de que "os meus meninos não ouvem os discursos do PR". Catalina, pelos vistos, julga-se "dona" dos rapazes e das raparigas postos à guarda do Estado e sua (deles) "padeira de Aljubarrota". No passado, quando os teve sob sua responsabilidade num dos colégios da instituição, não parecia tão aguerrida. Nem mesmo agora, quando, por causa de um processo disciplinar de um funcionário, o mandou arquivar, provavelmente, entre outras coisas, pela falta da consistência da prova, ou seja, das "testemunhas". Ficamos a saber que, para Catalina, as testemunhas, "os meus meninos e meninas" são todos iguais, só que há umas mais iguais do que outras.

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João Gonçalves 4 Out 03

MINUDÊNCIAS

Mário Soares fez o seu balanço mensal na Antena 1, da RDP. Referiu-se ao nosso momento social e político como de "mal-estar" e chama a atenção para a falta de atenção que nós prestamos à questão europeia. Voltou a verberar o "populismo" que se abriga irresponsavelmente por detrás de pessoas com o ar mais respeitável deste mundo, e sustenta que este não gira, nem pode girar, em torno do homem do Texas. Quanto à peripécia do "tumor/bolor", Soares limitou-se a citar um brocado latino e a evocar a sua idade, querendo dizer, com humor, que o "pretor" não se ocupa com minudências. Infelizmente - digo eu - são as minudências que vão fazendo escola na nossa vida quotidiana. As minudências e os seus protagonistas, também eles, quase sempre menores. De vez em quando, porém, há uma elevação ou um rasgo. Por exemplo, Pedro Lynce, uma pessoa que não se destaca pela eloquência, esteve à altura das suas responsabilidades cívicas e éticas, e partiu. Pelo contrário, o seu colega MNE assobiou para o alto e invocou a "honra" para ficar. Deve julgar que tudo não passou de uma "minudência".

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