A QUALQUER PREÇO
Ontem dei-me ao trabalho de ver o Jornal Nacional da TVI, por causa do comentário do Miguel Sousa Tavares. Calhou ter havido uma intervenção do Presidente da República acerca da justiça, glosada e aplaudida pelo comentador. No essencial, Sampaio pediu cautela e ponderação aos agentes judiciais, particularmente aos detentores da acção penal (o MP, e a sua "guarda avançada", a PJ) e aos administradores da justiça, os juízes. Moura Guedes quase que batia em Sousa Tavares e, virtualmente, em Jorge Sampaio, recorrendo a argumentos demagógicos, populistas e de efeito fácil, que não honram a jornalista e que deslustram a jurista que ela também é. É-me penoso ver como uma boa profissional de televisão se pode deixar arrastar para o terreno viscoso da insolência e da insinuação, esse local sempre tão mal frequentado. Para tudo deve haver um limite. Não se pode querer "fazer sangue" a qualquer preço.
TEMPORADAS IIHá dois dias, o
Teatro Nacional de São Carlos ainda não tinha actualizado a sua página electrónica. Entretanto, uma "mão invisível", já fez o favor de lá colocar a chamada Temporada de Outono. Em parceria com o Teatro Municipal S. Luiz, começa hoje o ciclo "Cinco Pianistas Portugueses para os Cinco Concertos de Beethoven", com o Concerto n º 2. Ao piano vai estar Artur Pizarro. Participa igualmente no programa a cantora Elisabete Matos, em obras de Gluck, Marcos Portugal, Beethoven e Mozart. Dirige a Orquestra Sinfónica Portuguesa o Maestro Riccardo Frizza.
IDEIA DA MÚSICA
A nossa sensibilidade, os nossos sentimentos, já não nos prometem nada: sobrevivem ao nosso lado, faustosos e inúteis como animais domésticos de apartamento. E a coragem - perante a qual o niilismo imperfeito do nosso tempo não cessa de bater em retirada - consistiria precisamente em reconhecer que já não temos estados de alma, que somos os primeiros seres humanos não afinados por uma Stimmung, os primeiros seres humanos, por assim dizer, absolutamente não musicais: somos sem Stimmung, ou seja, sem vocação. Não é uma condição alegre, como alguns desgraçados no-lo querem fazer crer, nem sequer é uma condição, se por condição entendermos necessariamente, e ainda, um destino e uma certa disposição; mas é a nossa situação, o sítio desolado onde nos encontramos, absolutamente abandonados por toda a vocação e por todo o destino, expostos como nunca antes.
E se os estados de alma são na história dos indivíduos aquilo que as épocas são na história da humanidade, então aquilo que se anuncia na luz de chumbo da nossa apatia é o céu, jamais visto, de uma situação não epocal da história humana. O desvelamento da linguagem e do ser em termos apenas epocais, que os deixam sempre não ditos em toda a abertura histórica e em todo o destino, está talvez a chegar ao fim. A alma humana perdeu a sua música - e por música entende-se aqui a marca na alma da inacessibilidade destinal da origem. Privados de época, esgotados e sem destino, chegamos ao limiar feliz do nosso habitar não musical no tempo. A nossa palavra regressou verdadeiramente ao princípio.
Giorgio Agamben, Ideia da Prosa, tradução, prefácio e notas de João Barrento. Edições Cotovia
Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...
Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...
Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...
Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...
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