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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 29 Set 03

ANTIGOS

Depois da apólice de seguro que o Dr. Barroso ofereceu ao Dr. Portas, sem aparente prazo de validade, nada como buscar o conforto nos mais modernos, os antigos. Bem anda Pacheco Pereira que nos induz ao convívio com Píndaro, por exemplo. Um homem dos tempos em que o gozo da competição era apenas isso, um puro gozo. E em que a "vitória" era apenas celebrada simbolicamente com uns ramos na cabeça, sem compensações materiais, como mera "honra". A glória daquele desaparecido mundo pagão residia nessa felicidade arrancada ao quotidiano, partilhada por homens esbeltos e de forte alma, eternizados nus em estátuas conhecidas. Tem razão a Professora Maria Helena da Rocha Pereira a quem pertence a tradução dos versos que se seguem. É bem melhor viver com os antigos.

Uma só é raça dos homens e dos deuses.
Ambas respiramos, vindas da mesma mãe.
Porém, um poder bem distinto nos separa.
Uma nada é: e o brônzeo céu, esse permanece
sempre seguro.
No entanto, algo nos aproxima dos imortais,
ou o espírito sublime
ou o corpo, apesar de não sabermos que caminho,
de dia ou de noite,
o destino traçou para nós percorrermos.


Referência: Sete Odes de Píndaro, selecção, apresentação, tradução do grego e notas de Maria Helena da Rocha Pereira, Porto Editora, 2003.

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João Gonçalves 29 Set 03

PELA SAÍDA

O sorriso idiota do Sr. Blair ameaça emudecer. Para além das características pessoais que o tornam irritante, tem por esposa uma senhora advogada que verdadeiramente nunca conseguiu descolar daquela imagem de há seis anos, no dia seguinte à eleição do marido, em que apareceu à porta de casa com ar estremunhado e em "chemise de chambre", a aceitar umas florzinhas. Blair, a esplendorosa encarnação da "terceira via", que comoveu tanta "esquerda caviar" por esse mundo de Cristo, parece que já não convence nem os seus próprios correlegionários. É que andar de braço dado com Clinton, era uma coisa, e passar a vida a correr para o rancheiro do Texas, é outra. As mentirolas acerca da "ameaça" que constituía o armamento do Sr. Saddam, começam a pagar-se caras. E o exercício iraquiano é o sucesso que se conhece. Blair vai tentar uma saída para ficar. O melhor mesmo seria ficar-se pela saída.

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João Gonçalves 29 Set 03

REMOVER OS ESTILHAÇOS

No dia 8 de Agosto, com o país em labaredas, e perante uma extraordinária conferência de imprensa do presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, Leal Martins, e sem saber que era só a primeira "fase" da combustão, escrevi isto:

No meio da catástrofe, aparece, via tv´s, o presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. O senhor garantiu que os fogos que estão ainda por aí, são já os "normais para a época". E acrescentou que fez uma visita a vários locais sinistrados, falou com muitas velhinhas e pediu à comunicação social que não mostrasse imagens dos incêndios no seu esplendor de morte - as palavras são minhas -, mas antes desse imagens de um bombeiro ou outro, de uma mangueira, enfim, uma versão "música do coração" do combate aos fogos. Eu ouvi e espero que seja repetido várias vezes, para que se acredite. Num País a sério, ou mesmo em África, este cavalheiro já estaria na rua. Aqui, não só ainda mexe, como dá conferências de imprensa palonças. Será que a culpa é só dele?

Eis que, no entanto e nestes últimos dias, o Dr. Figueiredo Lopes andou bem. No caso do (já cansativo) helicóptero e, agora, ao "aceitar" a demissão de Leal Martins. Este era só o topo da coisa, mas ainda há mais uns quantos lugares-tenentes para o seguirem. É bom que se comece a remover os estilhaços.

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João Gonçalves 29 Set 03

TEMPORADAS

Esta semana começam algumas temporadas "musicais". Leio nos jornais e no crítico musical. Aliás, neste até leio mais qualquer coisa:

Temporada Gulbenkian a começar 4 de Outubro, Festival de Mafra a abrir as portas.
Apenas a Temporada do S. Carlos a faltar, mas atendendo ao que se lá tem passado talvez seja melhor fechar as portas e passarmos todos a ir a Espanha, sempre se poupam uns dois milhões de contos ao erário público, o que para não se fazer nada é realmente muito dinheiro... creio que é uma solução ao gosto liberal. Voltarei ao tema do S. Carlos, o Portugal dos pequeninos não perde pela demora, terá em breve, aqui um comentário que, em tão boa hora solicitou.


Enquanto aguardo o prometido comentário, faço eu uns quantos:

1. Como sócio de "Os Amigos do SãoCarlos", recebi um folheto a explicar a mini-temporada que se inicia quarta-feira no S. Luiz. Esta mini-temporada é um bom pretexto para escutar a excelente Orquestra Sinfónica Portuguesa, um dos corpos artísticos do Teatro, tanta vez desaproveitada e mal coordenada, ao lado do Coro, sobre o qual deixo ao crí­tico quaisquer apreciações mais "técnicas", sobretudo acerca da sua discutida e discutível direcção musical. No primeiro concerto, canta a soprano Elisabete Matos, a quem já dediquei umas prosas (ver aqui os posts O Anel da Cultura II e III, e aqui , o post Cantar Cá Dentro).

2. No referido folheto de "Os Amigos de São Carlos" há um lapso que importa corrigir. A temporada lírica não se inicia em Janeiro de 2004 por haver obras no palco do Teatro. O mais perto do palco que estará qualquer coisa, é apenas do fosso da orquestra, cujo soalho deverá ser levantado, limpo e convenientemente desinfectado. Nada mais. Essa ideia de ligar o fecho do Teatro, até Janeiro, a obras no palco, é puramente mitómana, e pode induzir os incautos a pensar que se está a proceder a uma grande remodelação, como se nos tempos que correm se pudesse fazer o que quer que fosse de vulto. Sei isto porque fui eu, à altura no Conselho Directivo, com a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, quem planeou, com o dinheiro que havia, estas intervenções.

3. O dia 1 de Outubro, data do início da tal mini-temporada, é o Dia Mundial da Música. Ignoro se a entrada é livre, mas suspeito que não, a não ser para a longa lista dos convidados da direcção do Teatro e da nomenklatura. Eu, pelo sim, pelo não, comprei bilhetes no S. Luiz (sim, vendem-se alguns bilhetes...) uma vez que, por causa da minha carta de demissão, o Sr. director considerou que o tinha "traído" (sic) e que, como tal, mesmo tendo sido membro do conselho directivo, não tinha direito a ser convidado. Para um director que, em dois anos e meio de mandato, já viu passar cinco vogais na sua direcção, trata-se de uma estranha inversão de conceitos. Como há mais de 20 anos que vou ao TNSC, sem nunca ter sonhado em fazer parte da sua direcção, comprando quase sempre o meu honrado bilhete, é para o lado que durmo melhor. Aliás, dada a muito significativa e especial apetência que, pelo menos, dois dos membros do actual conselho directivo têm pela chamadas "relações públicas", temo pelo esvaziamento, a prazo curtí­ssimo, do magnífico desempenho, em prol dos interesses do Teatro, da efectiva titular das "relações públicas", ainda recentemente agraciada, por causa desse mesmo desempenho, por Jorge Sampaio.

4. O site do São Carlos, para além de ter custado o que custou e de valer o que vale, tem a informação "parada" no final da temporada 2002-2003. O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita...

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