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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 27 Set 03

A MARCHA

Sobre a "marcha branca" da Dona Catalina, do Dr. Strecht e das fantásticas associações das "famílias numerosas", está tudo dito pelo Pacheco.

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João Gonçalves 27 Set 03

CÂNDIDA

A procuradora geral adjunta Cândida de Almeida, por quem tenho grande estima, mostrou-se "chocada" com o resultado final do mega-processo das FP-25 em que interveio com principal protagonista pelo lado da acusação. O Estado, através de Ministério Público, tinha então contado com a colaboração dos chamados "arrependidos", peças fundamentais no desmantelamento e prisão dos principais responsáveis da organização. À nossa melhor maneira, depois de todas as peripécias por que passou o processo, foram os "arrependidos" quem acabaram condenados. O Estado, via Procuradoria Geral da República, deixou entretanto passar o prazo para recurso, tornando definitiva a condenação que obriga os "arrependidos" a pagar indemnizações às vítimas dos atentados terroristas das FP-25. Isto quando tinha assumido o compromisso "de honra" de diligenciar para obter uma isenção de pena para estas criaturas. Cândida, que candidamente tinha dado a cara por esta promessa e que é da "casa", ficou naturalmente interdita. Nós, os que vemos de fora, também ficámos. A PGR supostamente vela pelo interesse público, pelos desvalidos e desprotegidos e pela realização do famigerado direito. O facto de muitos magistrados, quer do MP, quer judiciais, viverem na estratosfera e de lhes escapar o tal "sentimento jurídico colectivo", não pode servir de desculpa a este miserável desfecho. Convinha que o Sr. PGR tomasse uma posição, de preferência sentado à secretária. Não é aceitável que a PGR se faça de "cândida" quando, na realidade, o não é.

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João Gonçalves 27 Set 03

UM OLHAR FRIO

Fez 35 anos que Marcello Caetano substituiu Salazar na chefia do Governo. Depois de trinta e tal anos como Presidente do Conselho, o regime, apardalado e sem saber o que fazer com o espectro humano que restava de António de Oliveira Salazar, depois da estadia na Cruz Vermelha, alimentou-lhe a ficção até à sua morte, em Julho de 1970. Salazar julgava-se ainda Presidente e o seu pequeno conforto caseiro de São Bento não lhe foi sonegado. Marcello vivia na sua casa. Quatro anos passados, era Marcello que caía, não de uma cadeira, mas apeado pelos jovens oficiais do Exército, cansados de despromoções e da guerra. Para o bem e para o mal, o século XX português e político, foi o século de Salazar. A estupidez revolucionária de apagar vestígios em pontes, estátuas e ruas, não abalou a evidência. Muito do que é hoje o chamado "país profundo", é obra dele. Nos traços de carácter, nos rostos endurecidos, no "viver tranquilo", na desconfiança do Outro, na simplicidade perversa e no analfabetismo insolente das "nossas gentes", impenetráveis a Europas cosmopolitas, recorta-se, ainda e sempre, o olhar frio de Salazar.

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