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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 19 Set 03

O EUROCALMO

Quase uma semana depois do Dr. Portas ter feito aquelas declarações sui generis sobre imigração, no seu comício caseiro, parece que houve finalmente algum sobressalto no partido maioritário e no Governo relativamente ao assunto. E parece que houve quem não tivesse apreciado, embora, como vem sendo costume, não se retirem quaisquer consequências mais sérias do episódio. Este fenómeno da "anestesia" cívica que começou com Guterres, está para durar, ao que tudo indica. Agora, na sua moção ao congresso do PP, Portas diz-se "eurocalmo". Podia ser uma marca de indutor do sono, um sabonete ou um creme depilador. Não, nada disso: é mesmo o adjectivo escolhido pelo líder para caracterizar a postura do "braço direito" em relação às eleições europeias do próximo ano. Portas quer coligação, mas vai dizendo que não se importa de ir singularmente a votos. Daí o "eurocalmo", para que a eventual parceria não pareça demasiado escandalosa. Para quem é adepto da "política democrática" no sentido que lhe tenho atribuído neste blogue, ou para quem adopte uma perspectiva "republicana" e "europeia" do exercício das funções públicas, ter o Dr. Portas por companhia, naquelas eleições, mesmo em versão "calma", não é seguramente muito recomendável. O melhor mesmo será o "braço direito" ir oportunamente à sua vida.

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João Gonçalves 19 Set 03

UM PONTO FINAL

Vamos lá tentar concluir o raciocínio do post de ontem sobre o Teatro de São Carlos. De caminho, pode servir para outros, designadamente o D. Maria. O ministério da Cultura dispunha, desde 1997/1998, de um corpo legislativo razoavelmente harmónico, de um conjunto de diplomas orgânicos razoavelmente bem feitos e adequados aos propósitos dos organismos. Depois, havia uma base também razoável de sustentação orçamental para aquilo tudo. E, finalmente, dado nada dispiciendo, havia o ministro, Manuel Maria Carrilho. Os governantes têm, quase todos, a irreprimível tendência para deixar a sua marca, e o caminho mais fácil, num país de "jurisabundância", é fazer mais leis. Para os teatros, as tutelas, em vez de se preocuparem com o problema orçamental, só pensam em alterar os respectivos estatutos. O resultado está à vista: um túmulo no Rossio, uma trapalhada no Chiado. Do que se sabe, pretende-se que sejam geridos por conselhos de administração chorudamente pagos, deixando fora destes as direcções artísticas, como os treinadores nas famosas "sad's". Presume-se que o director artístico também venha a ser bem pago, como é já o caso do Teatro São Carlos, cuja lei orgânica foi alterada exclusivamente para permitir a entrada do actual titular. Acho isto tudo um razoável disparate. Não só não vejo necessidade, depois do péssimo exemplo da defunta Fundação São Carlos, e no actual contexto orçamental, de presumíveis prebendas despropositadas para gerir os teatros, como entendo que os directores artísticos, sem prejuízo de poderem integrar o órgão de gestão, não devem ser os presidentes ou directores dos teatros. O que vi e conheci no São Carlos bastou-me para, se tinha quaisquer dúvidas, ficar sem elas, nesta matéria. O D. Maria repousa, para já, num quase eterno descanso. O São Carlos vive um frenesim vazio, virado para dentro, e sem que nada de verdadeiramente estimulante lá se passe, como vimos ontem. Como tudo isto custa dinheiro aos contribuintes e paciência aos trabalhadores, conviria pôr-lhe um digno ponto final.

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