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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 16 Set 03

CREIO NO INFERNO, É PORTANTO AÍ QUE ESTOU...

....a frase é de Arthur Rimbaud, vista no Almocreve, mas é também por aí que eu ando. Daí ou daqui ( o Inferno é estar sentado no deserto, por exemplo), saúdo o regresso de Ulisses à Pátria, e saúdo ainda os papéis velhos e a gente viva do Abrupto. Os outros, os mortos-vivos prenhes de neurónios de que fala, podem, delicadamente, deslizar.

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João Gonçalves 16 Set 03

A RECEITA E O BARÓMETRO

Houve para aí uma pequena agitação doméstica por causa da receita. Não se trata de nada verdadeiramente novo. A execução orçamental é, em regra, e desde há anos, razoavelmente medíocre no que concerne à receita. Seja pela exiguidade do universo efectivamente tributado - isto é, notórios contribuintes e notórios pagantes -, seja pela correspondente evasão fiscal jamais erradicada ou diminuída, seja pelo nível da fiscalidade que convida a essa mesma elisão ou fuga, seja, ainda, pela erosão da máquina fiscal, o certo é que as nossas famosas contas hão-de andar sempre assim, coxinhas. Por outro lado, o ministro da economia, que de vez em quando desce à Terra, descobriu uma coisa extraordinária: que isto, afinal, não é tão mau, que nós não somos maus, só produzimos é pouco... Pois é. Esperemos para ver o que dá até 2010, diz o Dr. Barroso. Até lá, mais conversa sobre "produtividade" e "competitividade". E um "barómetro" para medir os putativos sucessos. A receita não medra, os nossos empresários também não crescem de " geração expontânea", a longa manus do Estado é o que se vê, e as famílias, que adoram gastar, vão começar a não achar graça nenhuma ao resultado. Mas também aqui não há qualquer problema. Na realidade, ninguém sabe onde é que isto vai parar. Nem julgo que verdadeiramente alguém se importe. Para quê?

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João Gonçalves 16 Set 03

BIG BROTHER EM CASA

A inefável TVI fez uma sondagem sobre os vícios privados dos adolescentes portugueses, entre os 14 e os 17 anos, mais ou menos. Chegaram à conclusão de que o futuro radioso de Portugal está nas mãos de umas meninas e de uns meninos que fumam loucamente - e não são propriamente cigarros -, que bebem o que podem e o que não podem, que passam as noites em farras e que, para perpétuo desgosto do Prof. César das Neves, fornicam que se fartam, e desde muito cedinho. Aliás, e em primeira mão, uma moçinha de 15 anos revelou a sua "primeira" a Manuela Moura Guedes que, apesar de tudo, reprimiu-se com muita dificuldade a explorar os detalhes sórdidos. As convidadas de Manuela - não sei por que não houve "convidados" - tinham todas um ar muito "beto", de quem vai à missa com a família aos domingos, de quem frequenta colégios privados e bentos, e de quem não parte um prato. Em tudo contrastam com as concorrentes do Big Brother, mais velhinhas, mais pobres, mas, pelos vistos, mais honestas. Quando a TVI explora, em cartazes espalhados pelo País, os rostos e os corpos destes rapazes e raparigas, quase todos oriundos de classes socialmente mais baixas do que as das meninas ontem inquiridas, e faz o que faz com eles dentro da "casa", está a promover junto dos telespectadores das classes média e alta (as que, de facto, não perdem o "espectáculo") um circo tantas vezes humilhante, aproveitando a legítima ambição de tentar ganhar facilmente uns cobres. É que aqueles, a avaliar pela "sondagem", não precisam do Big Brother para nada. Basta-lhes não sair de casa.

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