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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 15 Set 03

O NARCISO DOS LEITÕES

Não sei se repararam que a homilia dominical do Prof. Marcelo, desta feita, terminou de forma diferente. Antes de prosseguir, esclareço que mantenho pela figura grande estima pessoal e política, para além de sermos intermitentes companheiros de banhos no Guincho, preferencialmente fora das épocas habituais. Como dizia, Marcelo, em vez de sugerir as habituais leituras (por onde, aliás, tinha começado), no fim da prédica puxou de uma caixa que continha um leitão e ofereceu-a ao incrédulo jornalista de serviço, advertindo-o de que só não tinha trazido o vinho espumante que normalmente acompanha aquela iguaria, porque seria "pornográfico" (sic). Pelo meio discorreu sobre o 11 de Setembro, a remodelação que Barroso deve fazer, mas só para o ano, lá para o meio (que maldade!) e elogiou o discurso do "braço direito", como qualquer coisa muito bem feita, muito bem estruturada, mas muito longa e fora de tempo político (o Dr. Barroso, the number one, já tinha esgotado a sessão, uma segunda maldade). Tudo visto e ponderado, o melhor da prestação marcelista foi mesmo o leitãozinho. Teve o seu quê de felliniano, mas conseguiu dar uma excelente imagem do estado larvado a que tudo isto chegou ou está a chegar. Porém, quem é que entre o Governo, o PS, o déficit ou o Sr. Bush, não prefere um naco de leitão do Sr. Narciso, acompanhado por umas batatinhas fritas e um sedoso espumante? Grande Marcelo....

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João Gonçalves 15 Set 03

COSMOPOLITISMO

1. Nas breves palavras do JPP: escrevo este texto num cibercafé, sem acentos, nem tempo, sentindo-me, como muitas vezes me acontece, contente por ser "cosmopolita" e com heimatlos. À minha volta está um grupo de trabalhadores do leste, ucranianos, se é que ainda consigo distinguir as diferenças, de Lvov. A Internet faz de telefone e escrevem, escrevem , escrevem. Tem saudades, cuidam da casa, da mulher, dos filhos, da mae, pela rede. Ao lado deles, os blogues parecem inúteis, moinhos de palavras. Prossigamos.

2. Num encontro, em Rabat, perto do hotel em que pernoitava. Passou por mim um latoeiro - não sei se é este o termo - com uma bicicleta, carregada de pequenos objectos de trabalho. Sorrimos e eu tentei perceber o que é que aquele homem, com ar humilde, com a roupa suja do trabalho e do pó, fazia e de onde vinha. Nem ele sabia uma palavra de francês, nem eu sabia uma palavra de árabe. Não sei como, nem porquê, encostámo-nos ao ancoradouro que dava para o "rio" que atravessa Rabat, e estivemos para ali a "falar", por entre gestos e desenhos no ar, uma boa meia hora. Quando ele partiu na sua bicicleta mal amanhada, com o seu ar farrusco e com um sorriso infinito, acenando sempre, eu voltei para o hotel jeitoso e ocidentalizado, remoendo o meu nomadismo frustrado.

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