A VER NAVIOS
Ainda a loucura do Euro 2004 está longe de estar pronta, e ainda mais longe está de estar paga, e já se anda a pensar em nova odisseia. Aproveitando a visita a Portugal do Presidente da Confederação Helvética, o Dr. Sampaio e o Dr. Barroso uniram as suas vozes no sentido de tentar trazer para cá uma tal American Cup, uma coisa que tem a ver com vela, que decorrerá em 2007, putativamente no idílico cenário marítimo que vai de Lisboa a Cascais. Como quem decide o local do evento é a Suiça, as operações de charme já começaram, para ver se se retira a organização a outros países também candidatos. O Dr. Barroso prometeu investimento público para a coisa e Jorge Sampaio acha magnífico o estuário do Tejo. O património deteriora-se, os museus não têm dinheiro para abrir, as bibliotecas morrem lentamente, os teatros nacionais são como túmulos, etc, etc. Mas, na verdade, o que é isso comparado com umas quantas velas desfraldadas ao sol de Lisboa para estrangeiro ver? É por estas e por outras do género que vamos andar sempre "a ver navios".
A LENTE E A ESCURIDÃO II
Este infeliz processo judicial, que dispensa apresentações, conheceu mais um episódio, confirmando o que eu tinha escrito no post anterior. A defesa, respondendo à errância decisória do Sr. Juiz de Instrução Criminal, promoveu o seu afastamento do processo, pelo que as diligências previstas e o circo anunciado, ficaram a aguardar melhores dias. Nas auscultações populares que se seguiram, nas rádios e nas tv's, a ignorância, que é sempre atrevida, lá lançou mais uns quantos dislates sobre o dinheiro dos advogados e o oculto poder dos "poderosos". Convinha talvez explicar a esta gentinha que os "poderosos" de hoje, podem ser eles mesmos amanhã. Eles querem lá saber o que é um "estado de direito".
A LENTE E A ESCURIDÃO
Julgo que a maior parte das pessoas ainda não se apercebeu de que, dentro de poucas horas, começa a ser "julgada" a justiça portuguesa. Da acusação, à defesa, dos magistrados aos advogados, dos arguidos às testemunhas, dos jornalistas aos polícias, dos responsáveis pelas instituições a ex-membros das mesmas, toda esta gente, consciente ou inconscientemente contribuiu para que, a propósito de um processo judicial, se instalasse um espectáculo. Como se isto não bastasse, as televisões preparam-se para o transmitir em tempo real. Aqui, porém, começa outro problema. A ausência de jornalistas nas audiências vai gerar uma complicada rede de informações e contra-informações, de meias-verdades e de meias-mentiras sobre o que realmente se está a passar, sem falar nos detalhes sórdidos a que seguramente não seremos poupados. Para quem trabalha diariamente com o direito, como promessa de realização da justiça, no sentido de inocentar os inocentes e de punir os culpados, mantendo vivo o sentido de "sociedade", este espectáculo anunciado apresenta tons demasiado escuros. Perguntava Clarice Lispector em um dos seus romances: "se eu olhar a escuridão com uma lente, não será que a amplio ainda mais"? É entre a lente e a escuridão que, por estes dias, a justiça portuguesa vai andar. A ver vamos.
Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...
Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...
Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...
Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...
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