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portugal dos pequeninos

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João Gonçalves 5 Ago 03

MARILYN II

Através de um amável mail, a Amélia Pais lembra-me, com oportunidade, o poema de Ruy Belo dedicado a Marilyn Monroe:

Na morte de Marilyn

Morreu a mais bela mulher do mundo
tão bela que não só era assim bela
como mais que chamar-lhe marilyn
devíamos mas era reservar apenas para ela
o seco sóbrio simples nome de mulher
em vez de marilyn dizer mulher
Não havia no fundo em todo o mundo outra mulher
mas ingeriu demasiados barbitúricos
uma noite ao deitar-se quando se sentiu sozinha
ou suspeitou que tinha errado a vida
ela de quem a vida a bem dizer não era digna
e que exibia vida mesmo quando a suprimia
Não havia no mundo uma mulher mais bela mas
essa mulher um dia dispôs do direito
ao uso e abuso de ser bela
e decidiu de vez não mais o ser
nem doravante ser sequer mulher
O último dos rostos que mostrou era um rosto de dor
um rosto sem regresso mais que rosto mar
e toda a confusão e convulsão que nele possa caber
e toda a violência e voz que num restrito rosto
possa o máximo mar intensamente condensar
Tomou todos os tubos que tinha e não tinha
e disse à governanta não me acorde amanhã
estou cansada e necessito de dormir
estou cansada e é preciso eu descansar
Nunca ninguém foi tão amado como ela
nunca ninguém se viu envolto em semelhante escuridão
Era mulher era a mulher mais bela
mas não há coisa alguma que fazer se certo dia
a mão da solidão é pedra em nosso peito
Perto de marilyn havia aqueles comprimidos
seriam solução sentiu na mão a mãe
estava tão sozinha que pensou que a não amavam
que todos afinal a utilizavam
que viam por trás dela a mais comum imagem dela
a cara o corpo de mulher que urge adjectivar
mesmo que seja bela o adjectivo a empregar
que em vez de ver um todo se decidia dissecar
analisar partir multiplicar em partes
Toda a mulher que era se sentiu toda sozinha
julgou que a não amavam todo o tempo como que parou
quis ser até ao fim coisa que mexe coisa viva
um segundo bastou foi só estender a mão
e então o tempo sim foi coisa que passou

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João Gonçalves 5 Ago 03

PORTUGAL EM PEQUENINO

De um título do Público.pt:

É possível entrar em universidades públicas com 5 valores.
Um estímulo...

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João Gonçalves 5 Ago 03

MARILYN

1. É da Monroe que falo, mais propriamente de Norma Jean. Não vale muito a pena entrar por essa vastissima torrente de lugares-comuns que inundam os jornais, as revistas, as reportagens ou os documentários quando dela se fala. Não sei se os deuses a amavam ou não, mas o certo é que a levaram bem cedo, aos 36 anos.Também não sei se teve aquilo a que se chama "uma vida em cheio". Suspeito, antes pelo contrário, que à firmeza do seu corpo tão cobiçado, correspondia uma imensa fragilidade de alma e uma doçura vazia, num coração prematuramente desfeito. Julgo que estava a milhas de ser o protótipo da "loira burra". Aquele tal corpo traía-a constantemente e nunca, de nenhum homem ou mulher, obteve gratidão, ela que tanto carinho sempre pedia, mesmo sem pedir.Something's got to give foi o último e incompleto avatar, depois do premonitório Os Inadaptados, de John Huston. Morreu só, como lhe competia.

2. Sobre ela, há várias coisas, a começar pelos filmes, repostos esta semana na RTP. Mas há sobretudo dois ou três trechos que recomendo. O primeiro, de Truman Capote, inserido no livro Música para Camaleões, traduzido e editado pela Bertrand Editores, no original, A Beautiful Child. O segundo e terceiro, ambos de Norman Mailer: Marilyn, uma biografia romanceada-mas pouco- e Of Women and Their Elegance, uma "como que" autobiografia de Marilyn, com fotos de Milton Greene.

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