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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 13 Jul 03

MÃO-DE-OBRA

Descoberta nos maus fígados:

Estamos Disponíveis

Para qualquer cargo na futura administração do Iraque. Gostamos de períodos conturbados de pós-guerra. De vilananias, venalidades e incompetências. Gostamos, sobretudo, de experiências. Somos criativos. Faremos figura a inventar modelos de sociedade e de representação cívica. Nada como um brainstorming para decidir o futuro de um país. Contactem-nos!

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João Gonçalves 13 Jul 03

DIREITA PATANISCA

Encontro esta deliciosa expressão em mais um vizinho ruim. Aparece contraposta à já conhecida "esquerda caviar". Que nem de propósito, ao ler o noticiário político no "Expresso" de ontem, deparei-me com umas declarações de uma "fonte" do CDS/PP acerca de Maria José Nogueira Pinto, no mínimo, inquietantes. Diz a dita "fonte" que eles- o CDS/PP- já estão "habituados" a "algumas liberdades de expressão " por parte da senhora , só que desta vez, insinua a "fonte, ela "foi longe demais". Nogueira Pinto, como se sabe, não morre de amores pelo "querido líder" o qual, por sua vez, lhe retribui na mesma proporção. Terá - julga-se- vagamente acenado com a hipótese de, em caso de Monsanto ter dado para o torto, se "chegar à frente". Imperdoável, na óptica da "fonte". Ficamos pelo menos a saber que no PP as liberdades se medem ao quilo, e a de expressão, em particular, deve ser severamente vigiada. Já se percebeu que, em breve, Nogueira Pinto será remetida a uma "dieta forçada". Provavelmente sem direito a patanisca.

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João Gonçalves 13 Jul 03

3 POEMAS DE JOAQUIM MANUEL MAGALHÃES

Enquanto os meus "vizinhos" - alguns ali da faixa ao lado - se comprazem em teorizar acerca das técnicas e conteúdos dos blogues, numa infindável teia de "toques e sinais" de mútuo reconhecimento que fazem lembrar sessões em lojas maçónicas ( "dá-me a primeira letra, que eu te darei a segunda...."), eu, mais modesto e porventura conservador, lembro um amigo. Vai para mais de 20 anos, por uma tarde de Agosto quente e calmo de Lisboa, que conheci o Joaquim na mais tarde ardida Pastelaria Ferrari, na Rua Nova do Almada. O pretexto era o texto que ia escrever sobre o seu livro Os Dois Crepúsculos para o Semanário do Victor Cunha Rego. Ficámos amigos e, uns anos depois, num postal prometido do Minho, o Joaquim, numa muito sua forma de pedir desculpas por um qualquer suposto atraso, inscreveu uma frase cujo significado a vida me ensinou a convocar de vez em quando: "às vezes os meus dias levam anos a chegar". Para além de professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa e exegeta da poesia, o Joaquim é um exímio poeta e um dos meus mais amados.

O Joaquim não é dado à mundanidade nem é vulgar. Nesta Pátria das pequenas capelas do solipsístico elogio "cultural", estas posturas não pagam. Mas estão aí as suas palavras dirigidas ao leitor ideal, aquele que só quer ler e partir para o que é dele com essa leitura. É quanto basta.

1.

Dá-me a tua mão desconhecida e que eu conheço.
Não sei quem escuto quando falo para ti.
A tua boca é sem, meu amor, razão.


2.

Tenho uma tristeza
no bolso de dentro
do velho casaco.
Dobrada, quebrado.
Tenho uma tristeza
suja de papel
e de letras gastas.


Eu quero deixá-la
no café sem noite
tiro-a do bolso
pouso-a nos olhos,
em cima da mesa
também é de ti.
Vinha de ninguém.


Charco de jardim
dádiva na mão
triste, por abrir,
e depois a dor
aperta-me o punho
por anoitecer.
Venho duma rua
para o teu lugar.


Olha para mim
para a sala toda
para esta tristeza
atirada ao chão
entre rastos de água
os dedos acolhem
um sorriso vão.


Parou tudo agora
neste ritual
que nada detém.
Bolso de casaco
costas da cadeira
chuva na cidade
vou da tua beira


para um quarto triste
com a mãe que dorme
noutro corredor
o sangue vigia
a pequena lei
a minha tristeza
chamavas-lhe amor.


3.

A águia sublevou Ganimedes. Três facas
no chão de encontro a uma parede incendiada.
A submissa ferocidade do amor.
Nunca soube de onde vinha. Vinha. Tocava
à porta, tomávamos um café. Saía.
O que tentamos para amarem o que somos.
Na selva de interditos o longe de dentro
tem a medo sossegos sem nenhum lugar.


(Consequência do Lugar, de Joaquim Manuel Magalhães, Ed. Relógio D'Água)


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