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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 12 Jul 03

GANAPO

Há pouco, no Telejornal da RTP, apareceu o Dr. Luis Filipe Menezes em directo. O pretexto é que está disponível para ir para a Câmara do Porto no lugar de Rui Rio. Que novidade! Comentaram esta possibilidade duas fantásticas criaturas do PSD/Porto a que já aludi outro dia por causa da Casa da Música, a saber, os Srs. Marco António e Sérgio Vieira. Do primeiro, Menezes disse tratar-se de um "filho político" que ajudou a medrar. Ao outro, tratou-o de nulidade para baixo, dizendo que nunca fez nada da vida e que, um dia, abandonada a política, lhe teremos que pagar o subsídio de desemprego. Depois, chamou-lhe "ganapo" sem importância. De facto, o Sr. Vieira é daquelas figuras partidárias que, em vez de trazerem qualquer valor acrescentado ao respectivo partido e ao debate político, só os diminuem. As patetices que verberou na tv, contra Menezes, são o melhor retrato de si próprio. Este caciquismo tosco e analfabeto, parece fazer escola no Porto e ameaça ser transversal. Eu só lamento que Rui Rio esteja rodeado por esta tropa fandanga e ganapa.

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João Gonçalves 12 Jul 03

UM IRONISTA

À laia de posfácio, Vladimir Nabokov, escreveu, no final de Lolita, um texto que se pode encontrar em algumas edições da obra e que em português vale por Acerca de um livro intitulado Lolita. É aí que leio o que reproduzo e a que muitas vezes volto.

Quanto a mim, uma obra de ficção só existe se me consegue proporcionar aquilo a que chamo sem rodeios o gozo estético, isto é, uma sensação de estar, de certo modo e algures, ligado a outros estados de ser em que a arte (curiosidade, ternura, generosidade, êxtase) é a norma. Não há muitos livros desses. Tudo o mais é um acervo de lugares-comuns ou aquilo a que alguns chamam "literatura de ideias", a qual não passa muitas vezes de um acervo de lugares-comuns em enormes blocos de gesso, cuidadosamente transmitidos de século para século, até que aparece alguém com um martelo e dá uma boa martelada a Balzac, a Gorki ou a Mann.

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João Gonçalves 12 Jul 03

O JUIZ

A convite da inefável Ordem dos Advogados, esteve ontem aí a perorar o famoso juiz Baltasar Garzón, uma espécie de justiceiro global com origem na vizinha Espanha. Garzón foi a sequela mais mediática dos juizes italianos que, em anos ainda não muito remotos, alcançaram uma visibilidade e uma notoriedade públicas e políticas nas célebres "operações mãos limpas" e no combate à Mafia. Aliás, como lembrou o Abrupto, o consulado e as "peripécias Berlusconi" não podem ser vistas fora daquilo que é hoje a realidade judicial dita "independente", e os seus protagonistas juizes, em Itália. Garzón, por exemplo, nunca perdoou a Felipe Gonzalez não ter sido Ministro da Justiça. Quando o PSOE se pôs a jeito, lá estava Garzón à espreita. Depois "abriu a caça" fora do espaço espanhol, com Pinochet na mira. E por aí­ fora, provavelmente até ao Sr. Bush, a avaliar pelo que disse ontem. Certamente que muitos dos nossos "administradores da justiça" admiram a figura de Garzón. Et pour cause. Percebe-se nele uma atracção indisfarçável pela "política", onde se intui que lhe agrada este limbo ambíguo de fronteira entre a "política" e a "justiça". Sempre se poupa ao desconforto a ao incómodo do voto e da legitimação democráticos.

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João Gonçalves 12 Jul 03

A BRECHA

Neste País de "chicos-espertos", não se pode ceder um milímetro na razão de Estado quando efectivamente o Estado tem razão, coisa que acontece de vez em quando. No caso do "pagamento especial por conta" vs. taxistas, o Governo tem razão e nós sabemos que eles sabem que nós, por exemplo, não pedimos sistematicamente facturas. Depois de uma serena e bem fundamentada explicação pública acerca do tema, onde não perpassava qualquer transigência de circunstância, o Ministério das Finanças, via fax, deu uma "sugestão" miraculosa aos taxistas, relativa ao enquadramento jurídico-fiscal da actividade, que, de imediato, susteve a ameaça de uma Lisboa paralizada nas suas principais artérias. No dia seguinte, associações de comerciantes e outros mais que se avizinham, exigiram o "princípio da igualdade", leia-se, o famoso jargão do "não pagamos". Nesta matéria, não pode haver lugar a concessões. O oportunismo atávico e a conveniente inércia fiscal de alguns grupos societários e de lobbies - sempre os mesmos - não podem impressionar o Governo. Caso contrário, hoje abre-se uma brecha, amanhã uma racha profunda, e um dia qualquer o edifício vem abaixo.

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João Gonçalves 12 Jul 03

PEDRO SANTANA LOPES II

Esta semana, Santana Lopes deu duplo ar da sua graça. No dia ou por ali, em que os taxistas ameaçavam Lisboa e o Governo de cerco por causa do PEC (pagamento especial por conta), ele falou-lhes, acalmou-os, compreendeu-os e até lhes prometeu um equipamento qualquer para os automóveis. Em suma, fez "tábua rasa" do Ministério das Finanças para ser "popular", ainda que junto de uma minoria meio exaltada e sem razão. Ele sabe que é somando as minorias que se vai "lá", naturalmente. Depois, recebeu Lula da Silva nos Paços do Concelho e também lhe disse como o compreendia, a si e ao seu combate de sempre ao lado dos que "têm fome" e dos "descamisados", coisa para a qual as "ideologias" não são chamadas para nada (esta era uma proto-farpa dirigida a Mota Amaral que, no Parlamento, tinha puxado delicadamente dos seus pergaminhos ideológicos contra Lula). Santana Lopes, a benefício do seu próprio inventário, quer colocar-se na estratosfera política isto é, acima das terrenas e vis disputas entre homens banais e "políticos", entre "esquerdas e direitas", para que a populaça, a indemne e a espertalhaça, ali se reveja e diga, "temos homem".

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