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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 26 Jun 03

CORRUPÇÕES

As nossas três tv's estão a abrir os respectivos telejornais com jornalistas à porta do DIAP por causa de uns quantos agentes da Brigada de Trânsito da GNR indiciados por crime de corrupção. Outro dia foram umas senhoras e uns senhores constituídos arguidos por causa de uma burla na Saúde, tudo de novo à porta do DIAP. Não sei o que é que se pretende demonstrar com esta constante e maçadora cobertura da actividade das magistraturas judicial e do Ministério Público. Há três anos, estava eu num país da América Latina, e lembro-me de que os telejornais passavam horas a dar, praticamente em directo, operações policiais de recuperação de sequestrados, detenções de traficantes e de sequestradores ( o sequestro é um crime vulgar em certos países latino-americanos) ou declarações de magistrados sobre processos em curso, quando não "em cima do acontecimento". Tratava-se de países que estiveram anos em guerra civil. Nós estamos, até prova em contrário, na Europa e, dentro desta, na União Europeia, à beira de aprovar uma Constituição. No entanto, em muita coisa, parecemos latino-americanos justamente quando julgamos ser mais modernaços. Nas corrupções, nas televisões, nos comportamentos societários, é o que vemos, traduzido nas entradas rápidas de carro ou a pé no DIAP: um País envergonhado e rasca, de cara tapada.

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João Gonçalves 26 Jun 03

MAIS BLOGUES

A minha ignorância em matéria de "templates" e "settings", impede-me de colocar numa coluna ( não necessariamente infame) os blogues que me agradam, por motivos completamente distintos. Por isso, vou tentando um "aggiornamento" por aqui mesmo:
Conversas de Café;
Blogue dos Marretas;
Voz do Deserto;
O Meu Pipi;
Contra-Corrente

Já percebi que o País Relativo, que também tem o O'Neill em epígrafe, é mexido por rapaziada do PS. Lá mais para diante temos que falar do actual PS, um caso sério para acompanhar.

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João Gonçalves 26 Jun 03

QUADRO DE HONRA E QUOTAS

Quando eu era puto e andava num colégio privado, havia, para os melhores alunos, o chamado "quadro de honra". A coisa era feita por aproximações, estilo uma averbação na caderneta escolar de que "merece quadro de honra" e, com alguma sorte, no trimestre seguinte, lá vinha a venera propriamente dita. Nos idos de 73 e 74, até Abril, ainda havia "quadro de honra", mesmo num liceu "progressista" como o de D. Pedro V, mas rapidamente foi extinto com o decurso do alegre PREC. Parece que uma das componentes da reforma da administração pública anunciada por estes dias, na parte da "avaliação", é justamente a instituição do "quadro de honra" para os "excelentes" funcionários, de par com a introdução de "quotas de mérito", suponho que também para estas mesmas criaturas. É de esperar o pior. Como bem sabemos, vagueia entre nós, desde que o fundador da Pátria mandou a mãe para a prisão, já lá vão mais de oito séculos, a "teoria da facada nas costas". Se no tempo em que tudo é "muito bom", já as coisas são o que são, imagine-se quando o povão administrativo der início ao assalto e à corrida ao "quadro" e às "quotas". Por aqui se percebe que as "quotas" não são apenas um assunto de vacas e de leite, e que não são elas seguramente as únicas que estão loucas.

WOTAN

João Gonçalves 26 Jun 03

Ouço neste momento o dueto de Sieglinde e Siegmund, do I Acto de "A Valquíria", a 1 ª jornada do magní­fico e cada vez mais moderno "Anel do Nibelungo", de Richard Wagner. Para quem conhece a trama, julgo que esta ópera - quase sempre só conhecida pela cena da "cavalgada" com que abre o III Acto - é das mais dramaticamente intensas da tetralogia, na qual sobressai a extraordinária densidade do texto de Wagner, particularmente nos lances em que são intervenientes Wotan, Brühnnhilde, e secundariamente Fricka. O deus Wotan, o "senhor dos exércitos" e pai das Valquírias, deixou-se envolver pelo poder do "ouro do Reno" no homónimo prólogo da tetralogia, cuja maldição obriga a renunciar ao amor. Tudo gira, nestas quatro óperas, em torno da ambição, do amor e da respectiva renúncia, da solidão dos poderosos, num caminhar violento e desesperado para o "crepúsculo dos deuses" - anunciado por Erda no Prólogo, "O Ouro do Reno" - com que se encerra a tetralogia. Essa atracção pelo abismo, começa logo na 1 ª jornada, com Wotan, essa figura nuclear de todo o texto e a quem Wagner atribuiu das melhores "falas " em toda a obra ( vejam-se o monólogo e o dueto do III Acto de "A Valquíria", com a filha predilecta, Brühnnhilde ), a pedir "o fim" quando percebe que ele, o deus, é o menos livre de todos, menos do que Siegmund ( também seu filho noutras núpcias ), que o capricho corporativo de sua mulher, a deusa Fricka, quer que seja lançado para a morte em combate. Por isso, Wotan pede, junto de Brühnnhilde, pela emergência de um homem "mais livre do que eu, o deus", o futuro fruto do amor incestuoso de Siegmund e Sieglinde, que dá o nome à segunda jornada do "Anel", "Siegfried". Wotan é pois uma criatura dos nossos dias, dilacerada e dividida entre o poder e o amor, entre a cobiça e a compaixão, um titã solitário. E Brühnnhilde, não já a filha do deus, mas a amante de Siegfried, depois da morte deste no "Crepúsculo dos Deuses", diz-nos que quer deixar este mundo de desejo e de desespero. O fim consuma-se com o desparecimento do Walhalla, a mansão dos deuses, no fogo ateado para a pira de Siegfried e para onde Brühnnhilde se precipita. Esta imensa e genial obra metafórica tem sido objecto das mais controversas interpretações, mas julgo que, apesar de algum "gauchisme" subjacente à concepção da encenação de Patrice Chéreau, a versão de Pierre Boulez, no Festival de Bayreuth de 1976, disponí­vel em DVD, continua a ser das mais fascinantes. Em CD, recomendaria duas versões, para além da de Boulez: a primeira gravação em estúdio da tetralogia, sob a batuta de Sir Georg Solti, e que levou vários anos a gravar, com os melhores intérpretes wagnerianos da altura, e a sumptuosa Wiener Philarmoniker, e a versão de 88/91, de James Levine, também em DVD, com a Metropolitan Opera Orchestra de Nova Iorque, em que sobressai um dos maiores Wotans dos nossos dias, James Morris, que em Julho estará no papel no Liceu de Barcelona. Há mais de vinte anos que não se representa o "Anel" em São Carlos. Eram então directores, primeiro João Paes, e depois, Serra Formigal, com quem se concluiu a tetralogia em 1982. Antes de me vir embora do Teatro, deixei a sugestão de se começar a tetralogia numa próxima temporada. Apontei Graham Vick ao director para a encenação, depois de assistir à sua "Manon Lescaut" nesta temporada. A ver vamos, como dizia o cego, posto que o Wotan também é cego de um olho e apresenta-se com ele normalmente vendado.

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