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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 24 Jun 03

BLOGUES

José Pacheco Pereira está com dificuldades técnicas em nos acompanhar nestes últimos dias, em virtude da sua deslocação ao Grande Norte. Enquanto ele vai e volta, aqui ficam algumas sugestões de blogues, na linha dos "nossos", que referi outro dia, algures mais abaixo: Desactualizado e Desinteressante, Jaquinzinhos, Desejo Casar.

Ontem , por curiosidade, fui ler o por aqui tão comentado artigo do Pedro Rolo Duarte sobre estas coisas. O PRD anda nisto dos jornais desde muito cedo, coisas de famí­lia. Esteve no "Sete", deve ter passado por outros de que me não recordo, andou na interessante "K" do Esteves Cardoso, e agora é o "master mind" do DNA do Diário de Notícias. Como não podia deixar de ser, já tem obra publicada. Do artigo em causa - "A blague dos blogues" - apenas retive uma frase que me apetece comentar: "vale tudo num blogue, o que o torna imediatamente irrelevante e indiferente". PRD, que não tem feito outra coisa na vida senão escrever em jornais e revistas, e apresentar programas na tv, sabe perfeitamente dos contributos que a classe jornalística escrita e televisiva, em especial, tem dado para o "vale tudo" e para tornar "irrelevante e indiferente" quase tudo em que toca. Os exemplos não faltam nos últimos dias e meses. Julgo que os blogues não concorrem com as escritas nos "media", nem os jornalistas que mantêm os seus blogues ficam diminuídos intelectualmente por utilizarem estes espaços de liberdade. Cada um "massaja o ego" como entende. O Pedro e o seu "petit comité" não fazem outra coisa há anos.

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João Gonçalves 24 Jun 03

A REFORMA

Com sobriedade e sem ar de profeta, Durão Barroso anunciou hoje à tarde a "reforma da administração pública". No essencial, pretende-se acabar com as promoções automáticas, responsabilizar os dirigentes, avaliando-os peridicamente, flexibilizar a mão de obra pública pelo recurso ao contrato de trabalho individual em deterimento do concurso e alterar as "funções do Estado". A nossa administração é de tradição napoleónica, pesada, burocrática e rígida, até para com os seus próprios servidores. No entanto, não acompanho a sacralização do mercado e da "privada" como modelos óptimos a seguir pelo Estado. Há boa e má gestão privada, como há boa e má gestão pública. Aliás, a nossa "sociedade civil" não se recomenda a ninguém como paradigma do que quer que seja. Uma e outro, o Estado, são o espelho opaco da Nação. Barroso quer mudar tudo isto em seis meses. Eu não o sabia partidário do optimismo antropológico.

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João Gonçalves 24 Jun 03

S. JOÃO

Ontem, pela noite dentro, comemorou-se no Porto o célebre S. João, com aquelas marteladas de plástico dadas em todas as cabeças disponíveis. Julgo que o costume impunha alho-porro, mas desde há anos que foi substituído pelos adereços plásticos. A monotonia destas festividades é evidente, se bem que a animosidade que liga os dois presidentes de Câmara da zona, Rio e Menezes, tenha dado um ar de outra graça ao acto. Disputaram-se - vejam só - as excelências dos respectivos fogos de artifício e, ao que depreendi, terá ganho o espectáculo de Gaia. Nessa banda do Douro, passeavam-se o anfitrião, o Ministro dos Negócios Estrangeiros - que, numa das tv's, comentou o evento com uma daquelas enigmáticas frases que caracterizam a sua extraordinária fluência verbal - e o Sr. Pinto da Costa. Do outro lado, com Rio no meio, Sampaio e as chamadas entidades oficiais e oficiosas. Por entre graçolas de circunstância, percebeu-se que , mais tarde ou mais cedo, Menezes vai querer enfrentar Rio e, eventualmente, substituí-lo como candidato "laranja" à Câmara do Porto. Os actuais lugares-tenentes do PSD/Porto, a começar pelo Sr. Marco António, que não perdeu a oportunidade para lançar uma farpa a Sampaio por causa de Burmester, lá estavam perfilados atrás de Rio. Fico perplexo com a insolência como, roçando algum anafalbetismo preocupante em muitos dos casos, a maioria, na vereação do Porto e nas secções partidárias, anda a tratar as coisas da cultura. Parece que o insuportável triângulo Gomes/Narciso/Gaspar, já tem sucessores à altura. Lastimo-o por Rui Rio.

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João Gonçalves 24 Jun 03

A SAGA DA CASA DA MÚSICA

Afinal, parece que Roseta estará mais inclinado -ou alguém por ele- a demitir em bloco a administração da Casa da Música do Porto, colocando à sua frente o inefável Artur Santos Silva que tão boas provas deu aquando do início da saga do Porto 2001. Pouca gente saberá que o ilustre banqueiro, nos prolegómenos que levaram ao evento, tinha quase tudo a andar à velocidade de cruzeiro, como se nada tivesse que estar pronto para quando devia efectivamente estar. Carrilho, o ministro de então, passou por ser o "mau da fita", sobretudo pela forma acutilante como tratou o assunto. Depois veio Teresa Lago- outro modelo de bom feitio- que nunca se entendeu com Nuno Cardoso, o sucessor de Fernando Gomes na Câmara do Porto. O monumento a estas trapalhadas está exactamente na Casa da Música, que era suposto ter ornamentado a Porto2001 e é o que se sabe.

Tendo eu a fama e o proveito de dar destaque muito positivo à passagem de Carrilho pelo Palácio da Ajuda, por contraposição com a falta de ambição dos actuais ocupantes, aqui deixo umas declarações suas sobre o tema, respigadas na TSF:

" Na sequência da polémica da Casa da Música, que envolve o autarca do Porto, Rui Rio, e o pianista Pedro Burmester, da administração daquela instituição, Manuel Maria Carrilho defendeu a intervenção do primeiro-ministro neste assunto.

«Acho totalmente inaceitável o silêncio do ministro da Cultura que é já uma figura totalmente ausente da política deste governo», disse o antigo ministro da Cultura.

«Vi ontem num debate da RTP o número dois do PSD falar desta situação com um 'à vontade' dizendo que isto releva quase uma sabotagem contra o Governo»», acrescentou Carrilho, adiantando que «estamos já na ordem do delírio».

O antigo ministro acrescentou também que «os responsáveis têm que assumir a sua responsabilidade e se o país não tem ministro da Cultura, tem de ser o primeiro-ministro a responder», declarando ainda que «o que se está a passar é a vandalização da nossa vida cultural»..

O antigo ministro da cultura, do Governo PS, reclama ainda o afastamento de Rui Amaral, actual presidente do Conselho de Administração da Casa da Música.

«Temos à frente do projecto neste momento, o Dr. Rui Amaral que não tem qualquer qualificação para dirigir», defendeu Carrilho, acrescentando que «isto é como se tivéssemos o Pedro Burmester a dirigir uma agência de investimento externo».

«Este senhor devia estar noutras funções, disse o ex-ministro referindo que «à frente de projectos culturais estão pessoas da cultura, não estão pessoas que não distinguem entre Ágata e Beethoven»."

Sic.

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João Gonçalves 24 Jun 03

CERVEJAS NO INFERNO

Segundo um estudo divulgado hoje, os nossos adolescentes, moços e moças indistintamente, de 1998 para cá, aumentaram significativamente os índices de consumo de bebidas alcoólicas, passando da modesta cerveja directamente para as "hard" espirituosas brancas. Também se apurou que adoram haxixe e que, quando perguntados acerca dos pais, acham que eles bebem muito!Por outro lado, um outro estudo revelava que a SIDA tem crescido entre nós junto de jovens heterosexuais e numa faixa etária ligeiramente superior, entre os 30 e os 40, ex-divorciados, por aí.Estes dados mostram uma coisa simultaneamente simples e aterradora: os nossos jovens, independentemente das respectivas origens sociais, escolhem mais depressa o inferno-que tomam por paraíso-do que paixões terrenas a partir daquilo que a casa, a escola, o poder político, ou a queridíssima "sociedade civil" têm para lhes oferecer.O vazio, a solidão e a impotência que estes números significam, deviam fazer-nos meditar acerca da "clara noite do nada" para onde deixamos caminhar os mais novos de nós próprios. Par delicatesse, j'ai perdu ma vie.

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