Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

...

João Gonçalves 23 Jun 03

OS BLINDADOS

Numa das últimas conversas "de pé de orelha" entre o George (Bush) e o José (Manuel Durão Barroso), e dada a forma enérgica como nós apoiámos os EUA na sua cruzada contra Saddam, ficou combinado que, não só participaríamos na reconstrução (?) do Iraque, como enviaríamos uma força da GNR para actividades de manutenção da ordem pública. Julgo que a esta hora, já os americanos devem estar a sentir a falta dos 120 homens portugueses da GNR e dos seus famosos blindados. Acontece que, bem à nossa maneira, fomos oferecer o que não tínhamos e agora, segundo explicou o Sr. Ministro da Administração Interna, andamos a ver se compramos uns quantos blindados italianos para remediar e levar para o Iraque. Os últimos que possuíamos, foram "emprestados" a Timor, naqueles anos de desvelo nacional pela causa de Xanana, e por lá ficaram naturalmente. François Mitterrand dizia que acreditava no significado dos grandes gestos simbólicos. Este nosso gesto, nem é grande nem é simbólico. É um gesto....português. Mais valia estar quieto.

...

João Gonçalves 23 Jun 03

O SR. NAMORA

Decididamente não gosto do Sr. Pedro Namora. Visto em bruto, ele possui características que, isoladamente, até são estimáveis. É corajoso, mas mistura ressentimentos com teorias da conspiração. É frontal, porém insinuante, e adora lançar gasolina para a fogueira, mesmo quando não há razões para a acender. É solidário, mas ressuma um protagonismo insuportável. Depois, vem às televisões com aquela arrogância justiceira, aprendida na pior vulgata marxista. Deviam explicar-lhe que, no crime de pedofilia, não há "poderosos" vs. "descamisados", mas tão-somente criminosos. Foi agora constituído arguido por difamação, o que só dá azo a que apareça mais umas quantas vezes. Numa investigação que não sendo secreta, já nem discreta é, o papel de Namora, ao contrário do que ele supôe, é perturbador. Um caso que devia ser acompanhado pelo nosso amigo Socio{B]logue.

...

João Gonçalves 23 Jun 03

ALINHAMENTOS

Segundo me apercebi através de um rodapé de telejornal, o presidente da Comissão Nacional da Luta contra a Sida, Fernando Ventura, está de saída. Embora satisfeito com o trabalho realizado, lá deixou "cair" que a ausência de "alinhamento" terá pesado na hora da partida. Esta coisa de alinhar ou não alinhar - e perdoem-me os blogues "anti-citacionistas" , v.g. o excelente Guerra e Pás - lembra-me um género de "post" , mas em livro, colocado na sua "Arte do Romance", por Milan Kundera, que cita a partir de "A insustentável leveza do ser" (trad. Ed. D. Quixote): "Mas o que é trair? Trair é sair da fila".

...

João Gonçalves 23 Jun 03

BLOGO LOGO EXISTO II

Estive a dar uma espreitadela no Aviz a quem agradeço as amáveis palavras que me dirigiu. Mas mais lhe agradeço as citações de George Steiner. Eu tenho uma memória de há cinco anos da passagem de Steiner nessas magníficas conferências subordinadas ao tema da "Europa e a Cultura", que a Fundação Gulbenkian organizou. Discretamente, numa noite suave de Maio, Steiner falou da "palavra" ("Word", era o título da conferência) e fê-lo com uma impressionante serenidade emotiva: toda a obra de Steiner nos fala disso, da permanente desvalorização do verbo e da escrita primeira, do autor original, e do triunfo do ruído e do célebre hemisfério não verbal do nosso cérebro sobre a outra parte. Felizmente, para nós, portugueses, Steiner tem sido regularmente traduzido e em geral, muito bem, designadamente por Miguel Serras Pereira.Nós por aqui, entre blogues, não inventamos nada.No entanto, fica-nos bem falar do que resiste e do que permanece. Parabéns, pois, ao Aviz.

...

João Gonçalves 23 Jun 03

A CASA DA MÚSICA

Pelo que leio nos jornais, os dirigentes nortenhos do PSD descobriram uma serôdia vocação musical clássica, uma vez que me recuso a acreditar que, por detrás de determinadas posições, esteja o rasteiro expediente do costume: diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és. Eu não conheço o Burmester a não ser de concertos, nomeadamente quando abriu a Lisboa 94, no Coliseu, ao lado de Sir Georg Solti. Mas já percebi que andam mortinhos por se verem livres dele (vejam-se as declarações de Rui Amaral há pouco no jornal da RTP).Nesta peripécia, há uma parte de razão nos "outros", ou seja, fazendo Burmester parte da administração da Casa da Música e tendo andado a dizer o que tem dito acerca dos membros da dita e seus contribuintes líquidos (Câmara, Ministério da Cultura...), melhor seria se o fizesse fora da estrutura, adquirindo assim outra legitimidade.É que ele é uma das "peças" mais antigas da dita administração e, apesar dos pergaminhos, enquanto lá permanecer, é co-responsável por aquilo que verbera.

Porém, nada disto justifica que se passem coisas como as que detectei, relatadas no Público.pt:

"O ministro da Cultura ainda não decidiu como irá resolver o conflito entre o presidente da administração da Casa da Música, Rui Amaral, e Pedro Burmester – cuja demissão foi exigida por Rui Rio –, mas a crise já ameaça fazer vítimas colaterais, a começar pela directora do teatro municipal Rivoli, Isabel Alves Costa.

Em declarações publicadas ontem pelo “Jornal de Notícias”, o líder da concelhia do Porto do PSD, Sérgio Vieira, desafia o vereador da Cultura de Rui Rio: “Espero que uma da primeiras decisões que Marcelo Mendes Pinto tome na segunda-feira [hoje] de manhã seja pedir a demissão da directora do Rivoli”.

Em causa está uma breve declaração de Isabel Alves Costa em que esta, já depois de Rio ter pedido a demissão de Burmester, elogia a qualidade da programação da Casa da Música e manifesta o desejo de que o pianista se mantenha no projecto.

Ao mesmo tempo que pede ao vereador da Cultura que demita a directora do Rivoli, Sérgio Vieira assegura a Rio que este terá “todo o apoio” da concelhia do partido se decidir retirar o pelouro ao próprio Mendes Pinto, que ocupa um dos lugares atribuídos ao PP no executivo da Câmara do Porto.

É que também o vereador, numa primeira reacção aos ataques de Rio a Burmester, afirmou que o músico é “uma figura incontornável da cultura portuense” e defendeu que o Porto lucraria se este continuasse a “pensar a Casa da Música”. Uma declaração que levou o líder da distrital centrista, Álvaro Castelo Branco, a demarcar-se do seu colega de partido e a solidarizar- se publicamente com Rio.

No mesmo dia, Mendes Pinto veio corrigir as suas primeiras afirmações e reconhecer que Burmester se colocara numa “posição insustentável” e que teria de ser demitido.

O PÚBLICO tentou ontem, sem êxito, ouvir o vereador da Cultura, que poderá anunciar ainda hoje se tenciona, ou não, demitir Isabel Alves Costa. Também o futuro de Pedro Burmester na Casa da Música deverá ser decidido em breve pelo ministro da Cultura, que se reunirá amanhã com o Conselho de Administração da sociedade."


Dois comentários:

1. Confio na serenidade do Dr. Pedro Roseta para mediar esta situação e,do que conheço dele, tudo fará para manter Burmester na Casa da Música, caso ele não opte por saír pelo seu próprio pé;

2. O Dr. Rui Rio, do que também conheço dele, não comunga do mesmo registo "grande-inquisidor" de Sérgio Vieira, o líder concelhio do PSD, que até o vereador do PP quer sanear. Alguém deveria explicar à criatura que, por esse caminho, o PSD Porto se aproxima rapidamente do pior estilo da dupla Gomes/Narciso que dominou o caciquismo nortenho nos últimos anos.




...

João Gonçalves 23 Jun 03

O TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS:SUBSÍDIOS PARA UM DEBATE

Ainda é cedo para falar do TNSC.Vou deixar que a temporada sinfónica termine e que haja algum prenúncio do que se vai seguir para, com alguma serenidade, reflectir. Gosto demasiado dele para o tratar de ânimo leve. E detesto os enredos que se tecem dentro dele e por causa dele, cá fora e lá dentro, para ficar calado.

Para agora, recomendo a reflexão produzida este fim de semana pelo Crítico e que aqui deixo na íntegra, com a devida vénia.



TEATRO S.CARLOS -QUE FUTURO?


O dinheiro gasto com o Teatro de Ópera tem de ser bem gasto, já se sabe que dá prejuízo, já se sabe que é um desígnio, mas é preciso visão estratégica. Pede-se à direcção imaginação e conhecimento. É preciso programação, sei que no teatro se anda em bolandas a preparar a próxima temporada! Hoje dia 21 de Junho, ninguém sabe qual a próxima temporada do teatro de ópera nacional. Não há um teatro de ópera do mundo que não tenha anunciada a próxima tempora a 21 de Junho. Pior, há teatros que apresentam a temporada com anos de antecedência. Um amigo do Teatro de Bayreuth contou-me há poucos dias que andam preocupados a preparar o ano 2012 (bicentenário do nascimento de Wagner). Em S. Carlos ninguém sabe, ou anuncia o que se vai passar em Novembro de 2003!

Os cantores são os amigos do director ou dos maestros ou dos amigos de uns e outros, que temos de aturar porque eles os impingem.

A orquestra não tem um maestro permanente, não são feitas avaliações de desempenho, os músicos sem brio, nem todos, arrastam-se pelas estantes em ritmo de funcionalismo público. O naipe de violinos ontem esteve melhor que o costume, o trabalho do maestro notou-se, mas teve de parar a meio para mandar afinar, o concertino (na primeira estante dos violinos) a contragosto e de ar zangado levantou-se e lá tentou afinar pelo oboé (que, informo, é quem dá o dó à orquestra, em qualquer uma), mas o resto da pandilha dos violinos nem se deu ao trabalho de fingir que estava a afinar, degradante. Mesmo assim estavam mal mas muito melhor que ocasiões anteriores em que a afinação atingiu o nível do insuportável, nem uma orquestra de míudos a começar a aprender tem afinado tão mal como a OSP do TNSC.

No coro entram cantores que ninguém conhece, que cantam mal e porcamente, quais os critérios? As vozes masculinas estão em decréscimo acentuado, as femininas em desafinação acentuada. João Paulo Santos, o maestro de coro, andará mais preocupado com a mota ou não é talhado para a direcção de coro?
O rapaz era pianista acompanhador e agora é maestro de coro. Estudou com quem? Aldo Ciccolini em Paris? Mas este último é maestro? Não, é pianista, então onde estudou a direcção de coro ou de orquestra João Paulo Santos? Como pianista acompanhador, com os maestros que passaram no S. Carlos, provavelmente. Mas ele teve lições, escola, formação de base em direcção? Não me parece. O anterior maestro de coro também não era grande coisa. A evolução do maestro de coro do S. Carlos é tipo promoção da tropa, o rapaz andava por ali, era simpático, tinha amigos, dava uma notas no piano e chegou a maestro titular do coro! Visão estratégica? ZERO. É apenas o princípio de Peters a funcionar e o coro a decair.

Estive ontem no S. Carlos, dia 20, e não na estreia da Graça Lobo no S. Luiz. Quando saía do S. Carlos para passar pelo restaurante do S. Luiz emcontrei um amigo que me disse que a estreia da Graça Lobo foi fantástica. E fui eu ver aqueles manhosos que nos custam uma fortuna a desbaratar o dinheiro dos contribuintes, ainda bem que o Stabat Mater de Dvorjak é comprido, ao menos assim cada nota fica mais barata.


...

João Gonçalves 23 Jun 03

BLOGO LOGO EXISTO

Abro o Blogo e reparo no destaque mais do que simpático que a gerência decidiu dar ao meu modesto Portugal dos Pequeninos. Já ontem, JPP/Abrupto o tinha feito, destacando a minha lembrança de Cesariny. Daqui lhe lanço o desafio para que, every now and then, publiquemos alguma daquela que achamos que é boa poesia, nossa ou de alhures.

Voltando a J. Pacheco Pereira, lembro-me de, em tempos, ele ter iniciado uma série de crónicas a que dava o nome genérico de "Os nossos" (ver. "Desesperada Esperança", Ed. Notícias e "Vai Pensamento", Quetzal ). Por lá passavam vistas, entre outras, de Boécio ou de Gibbon, dois belos textos. Eu, que não sei trabalhar bem com isto, vou chamando a atenção para os blogues que passarei a considerar dos "nossos" nos meus "posts", como já o fiz em relação ao Abrupto, ao Dicionário do Diabo ou ao Crítico.

Para já acrescento:Montanha Mágica, Socio [B] logue,Cidadão Livre (que me "bate" por eu ter citado uma crónica de V. Pulido Valente acerca de Dumas, no contexto "Potter", mas que, só pelo título, cidadão livre, merece atenção).

...

João Gonçalves 23 Jun 03

MARCELO

Ontem à noite, no seu habitual comentário dominical na TVI, o meu muito apreciado e colega de banhos do Guincho, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, decidiu quebrar o hábito, que quase sempre respeita, de não falar de livros estrangeiros, para abrir as suas recomendações literárias com o último inefável Harry Potter, esclarecendo que já tinha lido os dois primeiros capítulos e os dois últimos. De facto, o calhamaço exibido, por muito pouco que Marcelo durma, não estaria seguramente em condições para estar completamente devorado, por muito interessante que a prosa fosse. Já disse o que pensava dos devaneios da Sra. Rowling. Por isso, não gostei de ver o intelectual Marcelo a sugerir este tipo de literatura de massas e de gosto fácil quando, em vez dela, poderia ter sugerido, por exemplo, o último livro da trilogia "O Princípio da Incerteza", de Agustina Bessa Luís, "Os Espaços em Branco", da Guimarães Editora.

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • João Gonçalves

    Primeiro tem de me explicar o que é isso do “desta...

  • s o s

    obviamente nao é culpa do autor ter sido escolhi...

  • Anónimo

    Estou de acordo. Há questões em que cada macaco se...

  • Felgueiras

    Fui soldado PE 2 turno de 1986, estive na recruta ...

  • Octávio dos Santos

    Então António de Araújo foi afastado do Expresso p...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor