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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 19 Jun 03

O ANEL DA CULTURA VI

Já não é a primeira vez que no seu Fio do Horizonte Eduardo Prado Coelho se refere elogiosamente a Pedro Santana Lopes por contraposição com o actual Ministério da Cultura "lato sensu". De facto, Lopes é indiscutivelmente mais imaginativo e "criativo" do que qualquer outra entidade ligada actualmente aos assuntos culturais, a nível de governo. Até por isso e pelas conhecidas ambições políticas que o acompanham, Lopes, na sua dupla qualidade de presidente da maior Cãmara do País e de vice presidente do PSD, o n º 2 logo a seguir a Barroso, poderia dar mais atenção ao tema, nem que seja depois de encerrado o "ciclo do betão" com o Euro 2004. A escolha de Clara Ferreira Alves para a Casa Fernando Pessoa foi um bom sinal e a "Lisboa Feliz" que prometeu também passa por aí.

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João Gonçalves 19 Jun 03

UM PAÍS A FOGO

Hoje terá sido o dia mais quente do ano e, seguindo a tradição, começaram os incêndios. A ladaínha da prevenção e as boas vontades oficiais nunca chegam para debelar esta miséria. Para mais, este ano as divisões institucionais dos diversos intervenientes por causa da fusão da protecção civil com o serviço nacional de bombeiros, acicataram os localismos caciqueiros e partidários contra o Ministro da Administração Interna que, diga-se de passagem, tem uma empobrecida visibilidade política e um débil espírito de iniciativa. Todo este ruído apenas prejudica as populações que, como vimos há pouco nas tv's, são as eternas vítimas. São imagens tristes de um País a fogo.

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João Gonçalves 19 Jun 03

O REGRESSO DO DR. MONTEIRO

O Tribunal Constitucional deu luz verde à "Nova Democracia" do Dr. Manuel Monteiro. Daqui saúdo o novo partido e o seu líder, não apenas por o conhecer desde o tempos da universidade, mas igualmente por, sendo eu um liberal que, apesar de o ser, desconfia de independentes, entender que a actividade política em sentido estrito, deve ser exercida e mediada por partidos políticos, por muito maus que sejam. Manuel Monteiro, como nos lembramos, foi uma criação de Paulo Portas o qual, enquanto entendeu, tomou conta da criatura, para mais tarde a despedir e ficar senhor do novo e fulgurante PP. Ao contrário de Monteiro, Portas era quem estava no sítio certo e à hora certa quando chegou o momento proporcionado pela fuga de Guterres. Espero que a inteligência política de Monteiro não faça do ressentimento um programa e que, já agora, contribua para o debate que praticamente não existe, porque, desde Guterres, que a anestesia tomou conta da cidadania

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João Gonçalves 19 Jun 03

O ANEL DA CULTURA V

Há por aí uma obscura personagem, de seu nome Gonçalo Capitão, que é deputado pelo PSD e que, ao que percebi, é o porta-voz do partido para as questões da cultura. Curioso este universo actual da cultura em que quem menos fala é quem institucionalmente tem mais responsabilidades, o ministro. Capitão tem umas teses curiosas sobre a matéria e utiliza normalmente uns argumentos patuscos para defender o indefensável: o imenso vazio que reina na Ajuda. Contudo, é de acompanhar o percurso do homem, não vá ele um dia passar de porta-voz a voz.

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João Gonçalves 19 Jun 03

O ANEL DA CULTURA IV

O Dr. Rui Rio, presidente da Câmara Municipal do Porto, é conhecido por causa de quatro questões básicas, a saber, ter ganho a Câmara como ganhou, contra a estafada nomenclatura do Dr. Fernando Gomes, não gostar do FCP e de Pinto da Costa, ser íntegro e não se dar bem com as coisas da cultura. Agora acha que Pedro Burmester se deve demitir da administração da Casa da Música por ter, segundo o Público.pt, proferido determinadas declarações numa entrevista ao "Jornal de Notícias". Cite-se:

"Pedro Burmester não está a ter uma atitude séria quando critica os accionistas da Casa da Música (Governo e Câmara do Porto) e o próprio presidente do conselho de administração de que faz parte. Quem quer fazer isso, primeiro demite-se, depois critica", afirmou Rui Rio.

"Não se demitir e estar permanentemente a criticar não é sério, e desta vez foi longe de mais criticando todos de uma vez", afirmou o autarca citado pela Lusa.

Na entrevista ao JN, Burmester afirma que a Câmara do Porto "tem uma percentagem muito pequena (no capital da Casa da Música) e, segundo diz, poucos meios financeiros para investir aqui. Como tal, não terá uma palavra muito importante a dizer. Está mais preocupada com questões que também têm de ser resolvidas, mas que reduzem o Porto a uma aldeia".

Questionado sobre se já conhece as opções de modelo de gestão para a instituição, respondeu que "estranhamente não. Provavelmente, o Ministério da Cultura tem muitos assuntos para resolver, e a cultura não deve ser uma prioridade. Com a Casa da Música tem havido muito pouco diálogo".

Fim de citação. Não estando por dentro das motivações do pianista para dizer o que diz, o que parece a quem vê isto de fora, é que a Casa da Música do Porto é mais uma trapalhada em que o Ministério da Cultura se vê envolvido. Rio, que na opinião de Luis Filipe Menezes é mais dado à leitura de balancetes do que de livros, também é parco na distribuição de verbas à cultura e Burmester terá sido impiedoso. Se é por isso, que não lhe doa a língua.

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João Gonçalves 19 Jun 03

O ANEL DA CULTURA III

1. Falemos, pois, de cultura. Quando me demiti, em Abril último, da direcção do Teatro Nacional de São Carlos, prestei uns esclarecimentos acerca do modesto evento ao "Actual" do jornal "Expresso", nos quais, entre outras coisas, elogiava Manuel Maria Carrilho e criticava a displicência orçamental dos actuais ocupantes do Palácio da Ajuda que, aquando da discussão do Orçamento de Estado para 2003, aceitaram silenciosamente a queda, para valores anteriores a 1996, do orçamento do Ministério da Cultura, reduzindo-o a 0,5 do OE. Entretanto, com as famosas "cativações" a que o OE2003 tem vindo a ser sujeito desde Janeiro ( uma espécie de "valquí­rias" do deus "déficit público" ), aqueles míseros 0,5 já estão ainda mais limitados.

2. A isto - um orçamento depauperado - o Ministério da Cultura tem vindo a responder com o mesmo jargão: espera-se um bocadinho, fazem-se umas continhas e aplica-se a "gestão flexível", para não maçar o Ministério das Finanças. Uma das últimas "ví­timas" desta abençoada gestão flexí­vel está a ser o IPPAE e, em última análise, os concorrentes aos subsídios sem o quais praticamente nada podem fazer nas respectivas áreas, desde a música ao teatro. Agora parece que nem a gestão flexí­vel resolve o problema que terá mesmo que passar por um reforço das Finanças à  Cultura para se honrarem as homologações dos concursos do IPPAE. Deus sabe como sou contra a "subsí­dio-dependência", mas tenho a noção do País em que vivo e, por uma vez, acompanho o Secretário de Estado da Cultura: não há cultura sem subsídios, ao que eu acrescento, antes disso, que não há cultura sem orçamento digno.

3. O que está a acontecer no Ministério da Cultura é o resultado da total ausênncia, em mais de um ano, de um qualquer desí­gnio estratégico para o sector que não passe das tais continhas, de umas proto-fusões de institutos e de umas escolhas mais do que discutíveis de membros dos júris para os desgraçados concursos do IPPAE. Os teatros nacionais, à  excepção do São João, onde foi preciso ir ao baú Carrilho para trazer Ricardo Pais de volta, estão na pasmaceira que se conhece, com destaque para a "menina dos olhos" de Amaral Lopes, o D. Maria, o famigerado "túmulo do Rossio", como um dia lhe chamou Vasco Pulido Valente. Por pudor, não devo falar do São Carlos que, apesar de tudo, lá levou a sua temporada lírica até ao fim, com os maiores solavancos financeiros que se possa imaginar, mas pressinto que a famosa "gestão flexível" vai pairar na temporada de Outono como um abutre, sem que o Governo saiba se quer manter o instituto público, se quer uma fundação ( mas que não se repita o desastre da Fundação de São Carlos) ou um qualquer produto hí­brido original. Ignoro o que se esteja a fazer para preservar a rede de leitura pública e a política do livro, mas temo pelo pior. Dos museus nem vale a pena falar: não há dinheiro para os abrir quando devem estar abertos. Etc.Etc.

4. Julgo que contribui para a tal falta de uma ideia para o sector da cultura, para além do problema orçamental, a profusão de criaturas que supostamente mandam. Igualmente por pudor e por muita empatia pessoal, dispenso-me de mencionar quem manda menos. No gabinete do Secretário de Estado da Cultura, para além do próprio, que manda muito, há ainda a mencionar o seu chefe de gabinete, uma espécie de pequena eminência parda, com um estilo pesporrente directamente proporcional à sua insustentável leveza, completamente destituído de sensibilidade para a área, onde se compraz em triturar amizades. Julgo que o próximo será opróprio Amaral Lopes, se não se acautela. No gabinete do Primeiro Ministro - a quem é preciso explicar que a cultura e a qualificação são batalhas que vale a pena travar, até porque é muito dedicado ao assunto - está o seu assessor cultural, André Dourado, uma estimável, educada e bem informada criatura, que "faz a ponte" com o "guru" destas matérias dentro do PSD, Vasco Graça Moura. Finalmente, e para assegurar a continuidade do único programa do Ministério - a gestão flexível - , existe e resiste uma assessora do Ministro da Cultura que, no mínimo, numa fórmula legalmente original, é simultaneamente secretária geral adjunta do Ministério, sem deixar de funcionalmente prestar assessoria no Palácio da Ajuda.

5. Perante este cenário, não auguro nada de bom para os próximos tempos em relação à cultura. Digo-o com o à-vontade de quem foi apoiante desta solução governativa e de quem ocupou um lugar no ministério da Cultura por nomeação política. Gosto demasiado do assunto para não deixar de estar preocupado com tanta ligeireza e falta de densidade na sua abordagem. E também por achar que a Direita não tem que morrer sempre fatalmente estúpida.



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João Gonçalves 19 Jun 03

A FÉ DE PORTAS

Constou-me que, num acesso místico, compreensível depois da prestação em Monsanto a semana passada, Paulo Portas decidiu opinar acerca da constituição europeia, defendendo que deveria consagrar um "direito à fé". É estranho que a terceira figura de um Governo da União Europeia faça tábua rasa de um dos registos mais robustos da política democrática que, em princípio, caracteriza todos e cada um dos estados que a compôem: o da laicidade. Significa que não aprendeu nada, por exemplo, com a Direita francesa, que não brinca em matéria de princípios republicanos. Qualquer passeio mais compungido pela zona de Leiria resolvia-lhe o problema e já deixava a constituição europeia em paz.

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