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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

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João Gonçalves 12 Jun 03

MARCHAS HARD ROCK II

O Estado Novo adorava o folclore e as marchas de Lisboa representavam mais um momento de exaltação das nossas coisinhas. Com o advento da democracia, nada disto se alterou substancialmente e, desde Presidentes da República a Presidentes de Câmara, todos passam pelo desfile. O popularucho de mãos dadas com o populismo tão em voga - falta um toque brasileiro "a la" Fátima Felgueiras - é uma receita que tem tanto de kitsch como de inquietante. Entretanto, o País vai vendo " a marcha passar".

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João Gonçalves 12 Jun 03

MARCHAS HARD ROCK

Foi há poucas horas inaugurada a versão portuguesa do Hard Rock Café, no antigo cinema Condes, local onde também , noutras épocas, havia funcionado uma ópera. Abrilhantou o acto o nosso ladino presidente da Câmara, seguramente acompanhado pelo habitual séquito de loiras. Nas declarações que ouvimos, não foi anunciada a 25ª hipótese de localização para o famoso casino. Vá lá. Não deixa de ser curioso fazer coincidir este evento com a noite das marchas de Santo António e com o dia dos casamentos abençoados pelo mesmo e pela CML. Não se sabe se o Hard Rock serve sardinhas assadas.

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João Gonçalves 12 Jun 03

EURO 2004
Em princípio, daqui a um ano, terá início a gesta do Euro 2004. Como era de esperar, a brincadeira já está a ultrapassar o plafond financeiro inicial e tudo parece indicar que até ao solene momento da inauguração a derrapagem não deverá parar. Esta loucura devia ter sido abortada à nascença. Mas, com um País ainda feliz e contente com a Expo 98, a megalomania do Euro avançou e é o que se vê. Houve de facto quem avisasse, porém a loucura já ía em "desígnio nacional" e o actual Governo abençoou. Quando sabemos que os museus têm que fechar aos fins de semana, que o IPPAE não tem dinheiro para pagar os subsídios que o Estado homologou, que os teatro nacionais vivem financeiramente sobre o fio da navalha, etc, percebemos quais são as prioridades estratégicas para o desenvolvimento nacional que varrem as mentes daqueles que nos pastoreiam. Em vez dos museus, pode ser que se organizem visitas de estudo às novas catedrais do futebol aos fins de semana, para alternar com os centros comerciais. A raça também não merece muito mais.

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João Gonçalves 12 Jun 03

SAMPAIO EXPLICADO ÀS CRIANÇAS

No PUBLICO.PT de hoje vemos a reacção de Jorge Sampaio à posição de Vara:

"O Presidente da República mostrou-se hoje indignado com as declarações de Armando Vara, que acusou Jorge Sampaio de cobardia política ao não assumir a liderança do processo de perdão de penas de 1999, que abrangeu crimes de abuso sexual de menores.

Jorge Sampaio considera que as declarações do ex-ministro socialista contribuem para minar a democracia. "Não posso tolerar que ao fim de 28 anos de democracia se possa continuar a pôr em causa os órgãos de soberania", afirmou o Presidente".

Salvo o devido respeito, não me parece que ninguém tenha posto em causa os órgãos de soberania e também não me parece prudente que o Chefe do Estado venha a terreiro todos os dias debater o estafado assunto de quem partiu a iniciativa da amnistia de 1999 que - convém que se diga - para os crimes em discussão, apenas releva em termos de perdão de pena. No meio deste ruído, é bom que as coisas sejam postas no devido lugar, dando-lhe a importância que merecem. Não vale a pena "chorar o leite derramado" até porque, nessa altura, o País ainda estava longe desta imensa "pedofilização" generalizada que, pelos vistos, perturba toda a gente. É pena que não se tenha dado destaque à intervenção mensal de Mário Soares na antena 1, no passado sábado. Com a sabedoria dos muitos anos "disto", Soares, entre outras coisas, falou da justiça, da comunicação social, dos processos em curso e, indirectamente, do Presidente, aconselhando-o a, nos momentos determinantes, não ser tão "neutro". Acontece que Sampaio demonstra permanentemente uma indignação discursiva, legalista e justificativa que depois não tem correspondência na realidade "política". Ou seja: colhe quase sempre o que semeia.

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João Gonçalves 12 Jun 03

SALTO À VARA

Armando Vara, ao que parece, terá chamado "cobarde" a Jorge Sampaio a propósito da amnistia de 1999, porque - diz ele - teria sido por impulso presidencial que a dita foi aprovada na AR e Sampaio, há dias, remeteu para os deputados a responsabilidade do acto. Esta posição representa um desenvolvimento tardio, por parte de Vara, relativamente ao sumário despedimento do Governo de que foi alvo aquando da emergência do caso da Fundação para a Prevenção e Segurança, no qual, consta, o PR teve um papel decisivo. Como a vingança se serve fria, Vara aproveitou estes momentos de agitação nacional para lançar um pouco de gasolina para a fogueira. De nada servem a Sampaio as suas últimas proclamações e discursos no sentido de se reabilitar e dignificar a função política. Como muitos outros sectores da vida nacional, a política está sentada no deserto onde, timorato, Sampaio teima em a não ver.

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João Gonçalves 12 Jun 03

10 DE JUNHO

Por não ter escutado a crónica das terças-feiras de Miguel Sousa Tavares na TVI, acabei de a ler publicada hoje no Diário Econó³mico. No essencial, S. Tavares discorre sobre três assuntos: o 10 de Junho, Rumsfeld/Portas/EUA/Iraque e a desgraçada situação da pesca portuguesa. O 10 de Junho, nestes anos de democracia, tem servido para o País se medalhar a si próprio indistintamente, ao ponto de olharmos para o lado e perguntar quem é que ainda não é comendador. Ou seja, está vulgarizada e banalizada a função e os discursos de circunstância em prol da Pátria e do Vate de quem quase ninguém já se lembra. Quanto ao episódio Rumsfeld, não passou disso mesmo: uma passeata rápida ao sol da barra de Oeiras, entre dois dichotes, para acentuar a dedicação do Ministro da Defesa Nacional, quer ao lugar que ocupa mais sossegadamente desde há 3 dias, quer à  magnífica prestação bélica do Sr. Rumsfeld exibida recentemente ,jurando ambos pela existência das célebres armas iraquianas que persistem em não aparecer.Depois da devastação consentida que se tem vindo a produzir de há anos no sector das pescas, a consolação encontrada ontem pelas autoridades portuguesas, consistiu no possível adiamento de uma solução comunitária que nos penalize em definitivo. Esta é a verdadeira imagem da Pátria do 10 de Junho:deixar para amanhã...

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