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portugal dos pequeninos

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HOMENS

João Gonçalves 3 Jan 10


Passaram cinquenta anos sobre a "fuga de Peniche". É um "marco" na história do PCP. O derradeiro capítulo do terceiro volume da biografia política de Cunhal, escrita por Pacheco Pereira, descreve-a perfeitamente. Para quem a história só conta desde ontem, este episódio nada significa. Tal como nada diz àqueles que nasceram dentro deste regime das "facilidades" e das banalidades. O PC que conhecem é muito diferente do PC das prisões do Estado Novo e da clandestinidade. É um PC receoso de perder para a demagogia pequeno-burguesa, não operária e radical-chique do BE. É um PC que dá o benefício da dúvida a coisas como a stasis "socrática" que o despreza. Os homens que desceram as muralhas de Peniche, há cinquenta anos, eram de outra fibra, independentemente de tudo. Eram, acima de tudo, homens.

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17 comentários

De Anónimo a 04.01.2010 às 11:51

Uma pessoa de família, já falecida, pessoa esta com muita simpatia pelos comunistas (insuspeita portanto) embora se afirmasse socialista, politizada, inteligente e culta, contava pouco depois do 25/4 que o motorista (guarda prisional?) que conduziu o carro onde escapou Cunhal, se suicidou na Checoslováquia pouco tempo depois por não conseguir viver sob aquele regime e principalmente ou sobretudo pelos remorsos terríveis que o assolavam por ter atraiçoado a Pátria. Quem nos contou esta versão dos factos sabia o que dizia, repito, porque fazia parte das tertúlias de estudantes comunistas e socialistas (sem ser militante de qualquer destes partidos). Sofreu pelo facto e tanto assim foi que na crise estudantil de 69 foi espancada pela Pide, a par de muitos outros estudantes, espancamento esse que originou - a família crê - as consequências físicas graves de que veio a sofrer anos mais tarde e que lhe provocaram uma morte precoce.

Sobre a famigerada fuga (heróica), mas afinal parece que fictícia, que só se efectivou após o regime ter deixado Cunhal acabar o seu curso superior tranquilamente, também se comentou essa versão, pois claro e esta familiar não a desmentiu. Seria bom, como diz o Nuno e bem, saber através dos arquivos da antiga U.Soviética a verdade dos factos para avaliarmos com isenção o que realmente se passou. A verdade não prescreve.
Maria

De Jacinto a 04.01.2010 às 13:44

Fernando Dacosta, no livro "As Máscaras de Salazar" ,lança luz sobre essa "fuga".
Quanto à hagiografia que por aí circula sobre Cunhal , omite o óbvio : o homem foi um dos primeiros portuguese a ter sucesso numa grande multinacional.
Começando por baixo,diligetne,serviçal,obsequioso perante os aministradores delegados da casa-mãe, intrigando junto destes para afastar rivais porventura mais bem colocados,lá foi subindo - sempre atento á política do CEO de momento (tendiam a ficar por lá bastante tempo...)- e, quando sùbitamente as barreiras do mercado peninsular caíram, foi por sua vez nomeado Administrador Administrador Delegado de Portugal&Colónias ,sabendo de antemão que, num futuro próximo, o título lhe ficaria por metade...Uma história de "sucesso" que se justa bem aos nossos dias.

De João Cunha a 04.01.2010 às 16:42

Exacto, foi o senhor presidente do conselho que o deixou fugir, este malandro, deste comunista, deste futuro ditador, que se não fosse a acção de grandes homens deste país teria transformado este país numa ditadura cruel, e teríamos assim perdido assim todos estes anos, desta excelente democracia, deste país enormemente desenvolvido sem desigualdades, com tantos homens de valor, como o sr Sócrates, o Sr Silva, o sr Loureiro, o sr Vara, o sr Valentim, entre outros grandes portugueses que só "dignificam" este país, ao contrário deste comunista...

De Anónimo a 04.01.2010 às 19:00

Conversas da treta.
Não passam de saudosos do Salazarismo,que nunca lutaram pela liberdade.
Coitados.
jojoratazana

De Anónimo a 04.01.2010 às 21:25

Sim ,tudo muito boas versões, principalmente as da família da Maria. O problema é que Cunhal licenciou-se em 1940, vinte anos antes da fuga de Peniche que a Maria diz ter sido pouco posterior à formatura. Continue a ouvir os seus com todo esse sentido crítico e não se preocupe com as entorses.

De Anónimo a 05.01.2010 às 01:00

Imagina o Dr. Salazar, preso na radiosa União Soviética do Dr. Cunhal, a ser autorizado pelo camarada Estaline a ir defender a sua tese de licenciatura sobre as virtudes do corporativismo e da doutrina social da igreja e a ser aprovado com distinção?

De Anónimo a 05.01.2010 às 19:16

"Sobre a famigerada fuga (heróica), mas afinal parece que fictícia, que só se efectivou após o regime ter deixado Cunhal acabar o seu curso superior tranquilamente"

"Parece que" brilhante.
Tiago Mota Saraiva

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