
Ouvi, creio que ontem, Vítor Constâncio na televisão a alertar para a necessidade de pôr as contas públicas em ordem. Exigiu esforços ao país e mais trabalho ao governo, deixando o aviso que não podemos esperar pelo retorno dos pacotes anti-crise e dos investimentos públicos (é óbvio que não podemos esperar por tais retornos, dado que o mais certo é nunca chegarem). Poderíamos encarar tudo como uma critica à governação, que deixou a situação chegar onde chegou, mas não é. Não é a primeira vez que Vítor Constâncio se presta a este papel. O governador do Banco de Portugal presta-se ao ridículo de ser um apanha-balas do governo. É alguém que não pode ficar «desgastado», dado que o seu cargo não depende da simpatia popular, mas apenas da simpatia governamental. Há uns meses era o aviso de que precisávamos de aumentar impostos. Claro que o governo correu para os jornais negando. Blasfémia. Agora Constâncio volta ao mesmo discurso. Ainda não ouvi a resposta de José Sócrates ou de Teixeira dos Santos, mas a verdade é que temos um Orçamento prestes a ser apresentado e um governo que barafustou infantilmente contra uma oposição negativamente coligada, numa tramóia que, supostamente, até incluía o Presidente da República, quando um Código Contributivo que ia aumentar a carga fiscal sobre as empresas foi adiado. Uma bolachinha para o dr. Constâncio e um terço para nós todos, se faz favor.
É assim que se fazem as ditas "remodelações".
A
Rui