
No mundo fantástico e fantasioso em que vive a
Fernanda Câncio, a "mulher de Santa Comba", de xaile aos trinta anos de idade e a "puxar" pelo seu conterrâneo ilustre, é uma improbabilidade. Não sei se a Fernanda conhece as terras duras dessa parte do distrito de Viseu, se alguma vez visitou o Vimieiro ou Santa Comba. Quem diz estas, diz outras em que tantas mulheres de xaile, lenço preto na cabeça, o rosto moído pelo tempo e pela adversidade não "acompanham" a fogosa modernidade em que a Fernanda vive, orgulhosa do seu pequeno eixo lisboeta pseudo-cosmopolita. Em trinta anos de oportunidades, promovidas, quer pelas esquerdas, quer pelas direitas, a Fernanda ainda se espanta com o xaile nos ombros de uma mulher de trinta anos - provavelmente feito pela mãe ou pela avó dela - e, sobretudo, com o seu "acreditar" em Salazar. Porventura a mulher e os santa-combadenses não acreditam nem deixam de acreditar em Salazar, no Salazar político que a Fernanda e o seu "progressismo" muito justamente desprezam. Ela nunca o viu, nunca o "viveu" e a única memória que tem dele é uma campa rasa num cemitério obscuro e os "exemplos" que lhe chegam pela televisão. Isso, essa "memória", ela tem o direito de respeitar, mesmo que nunca chegue a usar umas belas botas
Prada a vida inteira. Era disso que se tratava e que a URAP, velha e relha, não percebeu. O país das "novas oportunidades" do "querido líder" não chega a todos e a todo o lado. Daqui a outros trinta anos, haverá outra mulher, com outro xaile, talvez filha desta, a falar com orgulho de Salazar numa praça de Santa Comba Dão. De outros "salazarinhos" mais recentes, ninguém falará quando morrerem.
Tantos e tão "distintos" anti.fascistas e nem conseguiram ver nos contra-manifestantes o povo que dizem defender...