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portugal dos pequeninos

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A RESISTÊNCIA

João Gonçalves 12 Out 06


O país em que, com pompa, circunstância e o já habitual "powerpoint", foi acordado o "desenvolvimento" do "Projecto MIT", é o mesmo em que se aceita que uns rapazes e umas raparigas, vestidos de corvos e embotados com a sua estupidez natural, humilhem os "colegas" mais novos, os "corvos" do próximo ano. As universidades, com ou sem MIT, são o espelho de uma nação intelectualmente medíocre. Apenas para se desenvolverem como meros centros comerciais, algumas universidades privadas aceitam - e o Estado democrático aceita isto com uma passividade bovina - pessoas sem as habilitações necessárias para a frequência do ensino superior. Mesmo os que as possuem, são, em geral, uma vergonha moral e intelectual. Não imaginem o engº Sócrates ou o Prof. Cavaco, por um segundo, que, por muito falarem de qualificação e de "nichos de excelência" (quase vomitei o croissant que acabei de comer), a pátria resplandecerá, um dia, orgulhosa da "massa cinzenta" produzida no campus universitário. Por exemplo, num curso de "comunicação social e cultural", já se usa a sra. D. Fátima Lopes como "case study". Já agora, por que não os merceeiros do Gato Fedorento, o insuportável Goucha, a Miss Romero ou o Gabriel da RTP? Para eu entrar na Universidade Católica, em 1978, tive que fazer exames escritos de história, de filosofia e de cultura geral, salvo erro, a dobrar. Puseram-me à frente um poema - no original - de Vicente Aleixandre (Nobel da Literatura no ano anterior) para "comentar". No 5º ano de direito, tive o privilégio de optar pela cadeira de história diplomática de Portugal, ministrada pelo professor Jorge Borges de Macedo, e de fazer um exame de filosofia do direito cujo essencial residia num comentário a um pequeno texto, em francês, de Martin Heidegger. Não me estou a comparar com ninguém. Estou apenas a falar do que conheço, de um tempo morto e enterrado para sempre na vulgaridade bronca em vigor. O MIT é um adorno comparável ao Chanel 5 com que certas pessoas que não tomam banho se enchem para não cheirarem mal. Por mais que se perfumem, a merda resiste.

1 comentário

De Anónimo a 12.10.2006 às 11:36

As virtudes da católica sr. Gonçalves? Isto é só rir, só rir.
E parem de chamar engenheiro ao homem, que aquele curso é só para dar uma licenciatura a quem se atrasou por andar ocupado com a carreira política.
O actual estado de coisas é ainda da responsabilidade dos que frequentaram a outra universidade ( a supostamente "boa"). Não foi com Cavaco (o ex-libris da Católica) que começou justamente a desregulação do ensino superior e a avalanche de criação de cursos em todas as vilas do país? Desculpava-se ele de que a massificação tinha destas coisas ... não soube fazer melhor isso sim!

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