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portugal dos pequeninos

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FAZER DE CONTA QUE O PAÍS NÃO É O QUE É

João Gonçalves 24 Out 06

A hora de almoço também serve para conviver. Em poucas linhas, é o que pretendo fazer por causa dos delíquios em torno da "mariquice". Em primeiro lugar, agradecer ao Pedro Magalhães ter "comentado" a sondagem da Católica e de ter remetido para "outro" comentário. Os esclarecimentos que ali apresenta são cristalinos e não precisam de mais conversa. Depois, aqui, um blogue onde escrevem amigos, pergunta-se parvamente se eu e o Eduardo Pitta somos favoráveis "à subjugação da mulher" ou "à proibição de casamentos interraciais". Oh meus amores, está-se mesmo a ver que somos, não somos? Aliás, e falo só por mim, parece-me que já devo ter escrito umas cem vezes o que penso do casório seja lá entre quem for. Finalmente, a Fernanda. Para além do Roth e do desprezo por certa hipocrisia judiciária e outras coisas que mais se irão descobrir, também temos em comum a opinião sobre o casório. Só que depois, ao zurzir na "bruxa da Areosa", como dizia o Mário Viegas, (Agustina que me releve a lembrança), a Fernanda diz isto: "o problema, obviamente, é que para agustina um par de pessoas do mesmo sexo e um par de pessoas de sexo diferente não são a mesma coisa. não são da mesma natureza." Oh Fernanda, por mais voltas que eu dê à minha tresloucada mona, não consigo enxergar a "identidade" e, muito menos, a "igualdade" na coisa. Quem vive com pessoas do mesmo sexo, fá-lo exactamente por causa da respectiva natureza. Já pensou que não existe relação "mais viril" do que a que se consuma entre dois homens, tal como não há relação "mais feminina" do que a que se desenvolve entre duas mulheres? E que nenhuma das duas hipóteses é da mesma "natureza"? Por consequência, resta uma terceira hipótese que, por mais que doa, é a mais vulgar: quando estão em causa pessoas de sexo diferente. Qualquer destas três hipóteses, de diversa "natureza", merece tutela jurídica? Sem dúvida. Passar para as duas primeiras um instituto que foi concebido para a última, nem que seja a título folclórico? Não. Sabe porquê, Fernanda? Porque o legal e constitucional "princípio da igualdade" manda tratar o igual de forma igual e o diferente de forma diferente. E, não duvide, os "três pares" que lhe apresentei são todos diferentes na respectiva "natureza". Termino com palavras do Pedro Magalhães em resposta a Miguel Vale de Almeida por causa da sondagem: "A verdade é outra. Releio agora os resultados de um inquérito realizado em 1998 em parceria pelo ICS e pelo ISCTE, a instituição onde MVA trabalha, no âmbito do International Social Survey Programme. Questionados sobre as relações sexuais entre adultos do mesmo sexo (e, note-se, nem sequer se está a falar em "direitos"), 73% dizem que a sua mera existência "é sempre errada". MVA pode não gostar de viver num país onde as pessoas respondem desta maneira a estas perguntas. Agora, se o quiser mudar, fazer de conta que o país não é o que é, ou que tudo não passa de uma mera construção da Universidade Católica, não me parece bom ponto de partida." Já estou como o Gore Vidal: se o país seguisse os meus conselhos, era seguramente mais feliz. Como não segue, não vale a pena "fazer de conta que o país não é o que ele é".

23 comentários

De Anónimo a 24.10.2006 às 14:04

compreendo-o.mas falta saber:pela sua parte,nada se altera?ou-o que é que se altera?

De Anónimo a 24.10.2006 às 14:38

Ando com esta pergunta entalada na garganta e/ou na mente:

João Gonçalves: você é homossexual?
Estou a perguntar com a maior seriedade.

De FNV a 24.10.2006 às 15:26

Ó João: não era a "bruxa de Ramalde"? Agora fiquei com dúvidas.

De Anónimo a 24.10.2006 às 16:58

E que dizer do MST?
Que a Clara Pinto Correia já não está sozinha?
É ler atentamente:
http://freedomtocopy.blogspot.com/

De Anónimo a 24.10.2006 às 17:53

OH 1ºs Anónimos "pelo andar da carruagem" ...

De Anónimo a 24.10.2006 às 20:15

Caro JG,
Escreva à vontadex sob estes assuntos, pois que deveras lhe alicia a pena...
Mas se o exercício lhe deixa qualquer esperança intelectual de provar seja o que fôr, ou tão pouco de alterar o factualmente constante percentil risório que a homosexualidade representa ao longo de toda a história da humanidade mundial, desiluda-se.
E no entretanto, deixe-se de mariquices e vá enfim instruir-se científicamente.
Não doi. E até pode vir a gostar.

De João Gonçalves a 24.10.2006 às 20:34

Instrua-me lá "cientificamente" sff. E fique descansado que eu não quero provar nada. V. é que pelos vistos gosta de parecer parvo ou parva. Esteja à vontade.

De Anónimo a 24.10.2006 às 21:49

João Gonçalves, aqui deixo uma pista para uma leitura ciêntifica, sobre as questões da identidade, da natureza ou o que queiram referir, entre um homem e uma mulher. Estou a citar de cor, pois custa-me agora ir bisbilhotar a minha biblioteca, e é já que quero comentar, pois fico de olhinhos em bico com estas discussões. Mas então aí vai: Ligia Amâncio,Homem e Mulher, a Questão Social da Diferença, ou coisa muito parecida. Juro que amanhã vou procurar o livro e dou coordenadas mais concretas. Mas este título, fala por si. São questões sociais derivadas da própria diferença da natureza humana, que é feminina ou masculina, que importam. Em questões de identidade o que importa ser homem mulher? Quanto à natureza, só importa porque, socialmente, sempre importou e importará. Por essa razão, hoje, no seculo XXI, o século feminino, desculpa lá, falamos nas quotas, porque tem de ser, falamos no referendo sobre a IVG, porque tem de ser, falamos no casamento entre pessoas do mesmo sexo, porque tem de ser, chegou a hora, mas falamos, nós, todos, homens e mulheres. E, sobre esetas matérias, não podemos pensar todos da mesma maneira, mas existem núcleos duros da ética e da estética humana que não voltam para trás. E tu nestas questões do feminino e do masculino és um dó menor. Lê a Ligia Amâncio,é a tese de doutoramento dela no ISCTE. Bom, até depois e JG, este tema, com origem na Agustina, já está datado.

De jg a 24.10.2006 às 21:58

Desculpa lá - uso o mesmo tratamento - mas, com o devido respeito, quero que a dita Lígia se fecunde. Não pretendo ser "científico" sobre o assunto e só falo nele por causa do panfleto. Estou-me nas tintas para as questões de género. E, agora me lembro, já aqui deixei um texto do psiquiatra António Sampaio - cada um tem a sua "Lígia" - sobre estas coisas de género, normalmente só colocadas por mal amanhados na cabeça, metaforicamente bem retratados num poema de Cesariny, O Regresso de Ulisses. Ponto final parágrafo.

De saposnotelhado a 24.10.2006 às 22:34

Primeiro é preciso ver que - e quem ler os últimos livros dela fica com poucas dúvidas - que a Agustina está senil, chéché, gágá; e que se julga que é com estas tiradas que chega ao Nobel pode ir arrepiando caminho que há-de morrer beata, elitista e, porque não dizê-lo, homofóbica e preconceituosa. Está tudo nos seus livros, que certamente têm tanta projecção porque vivemos no país dos "Joãos Gonçalves".

Os Jgs são uns seres que dizem que a vida é de cada um e que ninguém tem nada a ver com isso. Mas não se coibem de insultar, mofar e ostracizar quem não pensa como eles. São os chamados liberais de urinol fazendo jus aos pardais.

Porque são caceteiros e turbolentos merecem ser tratados sem grandes ademanes e, dando-lhes a provar o veneno que geralmente exudam, sem qualquer respeito.

O país dos JGs em vez de se entristecer com a ignorância do seu povo, mostrada por uma sondagem, regogiza-se e refocila no mesmo esterco com que periodicamente aduba o atraso dos portugueses. Ou não fosse Portugal um dos países da Europa (mesmo com o Leste) com menores índices de secularismo.

Continuemos a lutar por causas importantes, como proibir o aborto - e eu julgar que o lema dos JGs era cada um na sua e que ninguém meta o bedelho - ou o casamento homossexual. O santo padre agradece, o patriarca também, até Shiva se se provar que na lotaria das divindades ele foi o feliz contemplado, há-de agradecer.

Só o país é que fica mais pobre. Mas isso só aproveita aos JGs - e essa é que é a grande jogada.

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