Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

«O AMOR LEVADO AO EXTREMO»

João Gonçalves 10 Abr 09


«Tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus, (...) cujo rosto reconhecemos no amor levado ao extremo», escreve o Papa Bento XVI na carta recente enviada aos bispos a propósito dos "integristas". Tirei-a de um artigo de António Marujo no Público, todo ele dedicado a um alegado Papa sozinho e vergado a um suposto "calvário" com várias "estações". O "tom" geral da coisa é dado logo na abertura da prosa. «De repente, a liderança da Igreja Católica aparenta fragilidade, entre decisões solitárias do Papa e maus conselhos que ele andará a receber. Em 2006, muçulmanos vêm para a rua protestar contra Bento XVI. Em Janeiro deste ano, judeus e muitos católicos irritam-se com o levantamento da excomunhão de quatro bispos integristas, ligados ao grupo conservador Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Em ambos os casos, estamos perante duas decisões solitárias do Papa Ratzinger. Em ambos os casos, as posteriores explicações tardam em sossegar os ânimos. No último, sucedem-se zangas contra o Papa, críticas no topo da hierarquia, revoltas de grupos católicos.» Salvo o devido respeito, Marujo parte de um equívoco. O Papa não só não está sozinho como não tem de evitar "irritações" alheias. O Papa não é secretário-geral ou presidente de um partido e, muito menos, um inspirador de facção. Ratzinger não foi propriamente escolhido para "agradar" ao mundo. Como Jesus, ao Papa compete pregar o óbvio, isto é, a Palavra do Ressuscitado: «tende confiança, eu venci o mundo.» Ninguém esteve tão sozinho no dia da Paixão - naquela sexta-feira em que se consumou o escândalo da Cruz - como o Filho do Homem. Ninguém foi tão desprezado e humilhado publicamente e ninguém, como Ele, uniu, naquele inexplicável momento de dor e redenção, a sua esperança desesperada ao desespero da humanidade vazia. Quem acolhe o Ressuscitado no coração jamais se encontra só. E Ratzinger está muito para além da intendência burocrática, e tantas vezes mesquinha, do Vaticano. Está apenas ao serviço desse «amor levado ao extremo" que hoje recordamos.

21 comentários

De M Isabel G a 10.04.2009 às 19:08

Um excelente post João

De Anónimo a 10.04.2009 às 19:39

um dirigente espiritual segue a sua doutrina na companhia da maioria dos fiéis.
as franjas heterodoxas são sempre minoritárias, descontentes, agitadas.
a informação papal é muito superior à de muitos dirignebtes politicos.
dizia um malandro de recife «governar é sofrer».
é um acto solitário,
quanto mais analfas dão os xuxas mair reduzem tudo à unicididade, sofrem agruras com o pluralismo

radical livre

De Anónimo a 10.04.2009 às 20:12

Obrigada por essa reflexão maravilhosa que nos deixas.
Quem é CATÓLICO entende muito bem o que o PÁPA diz e o que quer dizer, obviamente!
Para ti desejo:
Feliz Páscoa...
Ressurreição do sorriso... Ressurreição da alegria de viver...
Ressurreição do amor...
Ressurreição da amizade...
Ressurreição da vontade de ser feliz...
Ressurreição dos sonhos, das lembranças e de uma verdade que está acima dos triviais ovos de chocolate e coelhinhos...
Cristo morreu, mas ressuscitou e fez isso somente para nos ensinar a MATAR OS NOSSOS PIORES DEFEITOS e A RESSUSCITAR AS NOSSAS MELHORES VIRTUDES do íntimo de nossos corações.
Que esta seja a verdade da Páscoa.
Bjs.Fá

De impensado a 10.04.2009 às 20:39

É sempre bom lembrar o essencial. Muito bem, o post.

De alexandre o médio a 10.04.2009 às 21:23

http://sobpressaonaoconsigo.blogspot.com/2009/04/avant-la-derniere-cene_01.html

espanto-me com os putos de hoje em dia

De AAA a 10.04.2009 às 21:49

Sim. « Quem acolhe o Ressuscitado no coração jamais se encontra só».
Esta certeza, que só é possível ter a partir do encontro pessoal com Ele, quanto mais maravilhosa é, mais desconhecida do mundo se apresenta. Se eles soubessem o potencial de felicidade que encerra...

De observador a 10.04.2009 às 23:21

Pois!

Mas enquanto o Vaticano II é metido na gaveta, não se poupam esforços para integrar todas as franjas que o apoucam.

Chegando ao ponto de dizerem que, por um lapso de informação burocrático, a Cùria e Vaticano não conheciam exactamente as posições retrogadas dos "amnistiados"!
(E ainda dizem mal da burocracia portuga ....)

Criou-se um clima em que se excomunga uma criança de 12(?) que abortou, mais a respectiva família e médicos e afins envolvidos (o que até puderia ser compreencível, face á posição oficial do Vaticano), mas nem uma palavra de condenação ao adulto padrasto que a violou repetidamente.

É certo que um Papa não é "propriamente escolhido para "agradar" ao mundo". Foi o que fizeram os Papas que incentivaram a abertura e renovação do Vaticano II, mas cada vez fica mais clara a tarefa hercúlea que tinham pela frente.

Meditemos e Oremos.

Uma Boa e Santa Páscoa!

De Anónimo a 10.04.2009 às 23:27

Que palavras tão bonitas. Estou completamente d'acordo com o que escreveu. Parabéns.
Maria

De alexandre o médio a 11.04.2009 às 00:23

devia abster-me de comentar aqui: não sou crente, e o socialmente correcto é no sentido do respeito de crenças alheias, blabla.. Mas olhem, num blog tantas vezes socialmente incorrecto, vou mandar o socialmente correcto para as urtigas:

Tudo isto se resume à crença num deus que para salvar, ou perdoar, a humanidade, decidiu sacrificar um filho.

Um deus, aborrecido com a humanidade que ele próprio criou, tem que espetar um filho numa cruz para se acalmar.

E 2000 anos depois, há quem justifique a crença com palavras como "amor levado ao extremo".

É absurdo, é infantil, é primitivo.

De João Gonçalves a 11.04.2009 às 00:25

Exacto, Alexandre, é por isso que V. é médio.

Comentar post

Pág. 1/3

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • Gabriel Pedro

    Meu Caro,Bons olhos o leiam.O ensaio de Henrique R...

  • Maria Petronilho

    Encontrei um oásis neste dia, que ficará marcado p...

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor