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portugal dos pequeninos

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"ACADÉMICO REPUTADO E PONDERADO"?

João Gonçalves 15 Fev 09

O António Barreto começa a crónica desta semana com um elogio ao secretário de Estado do dr. Pinho, Castro Guerra. Diz ele que o senhor, «académico reputado e ponderado, enumerou, factualmente, sem oportunismo eleitoral, as medidas tomadas e os esquemas disponíveis para quem queira obter apoios e combater a crise» numa assembleia da Associação Nacional de Empresas Familiares. Sucede que o mesmo «académico reputado e ponderado», no final da dita sessão, protagonizou a seguinte "cena" descrita pelo António. «Chegado o período de debate, alguém perguntou: “Em vez de pagar milhares de milhões com apoios às empresas, não seria melhor política o governo pagar as suas dívidas”? O secretário de Estado respondeu: “O Estado deve-lhe alguma coisa”? O empresário disse: “Por acaso, sim, mas não é esse o ponto. Quero é discutir a política geral”. À bruta, cruamente, o governante retorquiu: “Faça-me chegar ao gabinete o seu caso pessoal e logo se resolverá”. Assim não, senhor secretário de Estado», remata o cronista. Pois não, António. Então não se recorda deste episódio conduzido pelo seu «académico reputado e ponderado»? Ainda consegue acreditar em gente desta?

9 comentários

De Anónimo a 15.02.2009 às 21:45

num portugal deprimido e deprimente, onde não me podem incluir, estive a reler:
de l'Allemagne de Madame de Staël cujo cap. x se intitula:
"do disparate desdenhoso
à mediocridade indulgente"

radical livre

De Carlos Medina Ribeiro a 15.02.2009 às 22:21

Já agora, talvez valha a pena ver o livro «O Senhor Secretário», de Henryk Sienkiewicz, que foi associado, de forma muito especial, ao final dessa crónica - [aqui (http://sorumbatico-longos.blogspot.com/2009/02/passatempo-conjunto-jacaranda.html)]

De António Barreto a 15.02.2009 às 22:33

Prezado J Gonçalves,
Pois é... Não recordei esse episódio...
Mas os comentários sobre a pessoa e o académico, garanto que os ouvi a pessoas que respeito. O problema deve estar no cargo, na polítrica e na importância: apanha-se qualquer coisa de mau...

De Anónimo a 15.02.2009 às 22:43

«Até Sá Carneiro, ... disse uma vez que para ter Secretários de Estado que nada resolvendo (bem) ainda criavam problemas (nada resolvendo), não precisava de SE.
...
Tal qual na tropa, com alguns cabos quateleiros em vez de alguns generais»
Faço minhas as palavras de Z.
Não tendo sido sá-carneirista.
Mas militar.
JB
Z (Zulu)

De Anónimo a 15.02.2009 às 22:47

S/ AntónioB
«apanha-se qualquer coisa de mau»
De facto, apanha-se qualquer coisa de péssimo.
Na tropa, chegados a generais, esquecem tudo o que eram e pensavam até aí.
Tão mais ocupados e sem tempo para pensar, quanto menos tropas temos.
JB

De Anónimo a 16.02.2009 às 02:53

Neste Governo só há gangsters brutos descarados e vigaristas.Feitos à imagem e semelhança do Chefe.Quem julga que há excepções anda muito distraido.

De Anónimo a 16.02.2009 às 09:35

Quando a pequena-burguesia é poder, torna-se pedante! Depois da gaffe dos aumentos dos preços da energia, mais uma prova de arrogância...São estes funcionários públicos que deram mau nome ao Estado, mas são os outros que não servem.

De Miguel Neto a 16.02.2009 às 11:15

“Faça-me chegar ao gabinete o seu caso pessoal e logo se resolverá”.

Para mim esta frase revela uma prática grave, de favores e pagamento por silêncios, de "compra" de consciencias. Do diz-se por aí, passou-se à comprovação através da palavra do secretário de Estado. O Estado quando deve, paga, não de acordo com as praticas comerciais e contratuais, mas de acordo com outras "lógicas".

Isto devia ser razão suficiente para o sec. de Estado ser chamado à AR para explicar tudo muito bem explicadinho.

Isto chegou a tal ponto que se dizem e se ouvem coisas destas com toda a naturalidade.

De Anónimo a 17.02.2009 às 00:06

É, o A. Barreto ouve muitos comentários.
Eu também ouvi um seu comentário televisivo enquanto governante que nos convidava a aproveitar os restos porque era preciso apertar o cinto. No mesmo dia em que o governo oferecia um repasto no palácio de queluz... estive quase para lá ir pedir uns restos!
Pois, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... de não comer restos!

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