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portugal dos pequeninos

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A PRAGA DOS ABUSOS

João Gonçalves 19 Ago 10


Concretamente, e apesar da boa redacção do jornal, como implicitamente pergunta o autor do post, onde é que está o abuso? «Quando o carro chegou ao bairro do Lagarteiro, na zona da Campanhã, a vítima (de 18 anos) foi levada em braços por dois dos homens – a residência seria mesmo de um dos sequestradores (de 20 a 22 anos). Preso numa das divisões da casa, foi obrigado por um dos sequestradores, sempre sob ameaça de coacção física, a fazer-lhe sexo oral até à ejaculação. Enquanto isso, os outros dois jovens masturbavam-se ao observar a cena, ponderando passarem ao sexo anal. Após satisfazer os três homens, que entretanto terão adormecido, ‘Rui’ conseguiu escapar daquele local e fugir.» (os grifos são meus e o post foi escrito ouvindo o mp3 do momento de ballet, Bacchanale, da ópera Samson et Dalila, de Camille Saint-Säens ao som do qual, seguramente, os jovens não teriam caído nos braços de Morfeu)

16 comentários

De MINA a 19.08.2010 às 19:12

Parabéns, pois Saint-Säens (além de grande compositor) era gay, deixou a mulher três anos depois do casamento e costumava viajar para o norte de África a fim de se encontrar com jovens magrebinos. Aliás morreu em Argel no Hotel de l'Oasis. O governo francês, quem sabe se por causa disso, condecorou-o com a Legião de Honra.

De joshua a 19.08.2010 às 19:15

Não está. Parece ter sido uma farra consensual com um pouco de sado-masoquismo. Gostos.

De LUIS BARATA a 19.08.2010 às 21:58

Um "caso policial" que, no mínimo, desafia a verosimilhança...
E o bairro do Lagarteiro, tão falado pelos tráficos de drogas e afins, afinal tb tem perigosos delinquentes sexuais. À atenção de Rui Rio...

De Nuno Castelo-Branco a 19.08.2010 às 22:48

ehehehehe, o Correio da manhã está daqui a nada, a produzir "filmes". Quem é que acredita numa coisa destas?

Quanto ao Saint-Saenz,, anote-se a ida para a Argélia. Aqui, em época de Centenário, torna-se bastante sugestivo e por várias razões.

De Bartolomeu a 20.08.2010 às 01:46

Cara Mina, por curiosidade, acaso merecerá Saint-Säns os modos como se dirigiu à sua memória, já que entrou na história como um génio musical e não um depravado ou demente? Simpático e bonito teria sido referir-se ao seu Op.63 Une nuit à Lisbonne - um bom motivo de orgulho e bom pretexto para festejar algo, a menos que este poema sinfónico perpetue alguma aventura pederasta por cá vivida. Sabe, e por permissividades, é que entre Argel e Lisboa, venha o Diabo e escolha!

Bem haja

De Anónimo a 20.08.2010 às 02:32

Insistem todos em "Saint-Säens" quando todos os melómanos devem saber que é Saint-Saëns. Quanto ao resto,o "Correio da Manhã" já anda a fazer filmes há muitos anos...

De MINA a 20.08.2010 às 15:36

CARO NUNO CASTELO-BRANCO

A sua evocação do "Centenário" pretende constituir uma alusão a Teixeira Gomes, certamente. Tudo bem. Também estou convencido de que Teixeira Gomes era homossexual e embora não possua qualquer referência concreta (como é óbvio), creio que a sua obra fala por si.

A propósito de Chefes de Estado, e porque estamos no Diálogo Monarquia/República, aproveito para esclarecer que também o rei Dom Manuel II era homossexual, embora igualmente não possua (é óbvio) referências de testemunhas presenciais. Há, todavia, publicações e notícias que aludem às inclinações do monarca. Por exemplo, o livro "O Último Rei", de Cardoso de Miranda, diplomata que foi ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil em Portugal, publicado em 1960 (o autor ofereceu-me um exemplar autografado), no cinquentenário do seu exílio, refere-se às "Mariquices do Senhor Infante" e ao facto de, em criança, muito gostar de se vestir com os vestidos e as jóias de sua avó, Dona Maria Pia, etc.,etc. Depois há um casamento frustrado e sem descendência e uma série de "acidentes" sobre os quais não tive até hoje a disponibilidade e a curiosidade de me debruçar, mas talvez ainda o venha a fazer.

De qualquer forma, duas criaturas notáveis, cuja orientação terá porventura contribuído para a sua estatura intelectual e cívica.

CARO BARTOLOMEU

A minha referência a Saint-Säens nada tem de depreciativo para o compositor, tão só uma coincidência do João Gonçalves escrever o post sobre aquela inenarrável notícia (gay) do CORREIO DA MANHÃ ao som da música do compositor. Claro que S-S foi um génio musical, e as suas digressões pelo norte de África só podem ter concorrido para lhe refinar a sensibilidade.

A comparação entre Lisboa e Argel parece-me perfeita; poderia acrescentar Tunis, Tânger , Marraquexe, e por aí fora... Já agora, e a propósito de Lisboa, não resisto (porventura conhece) a mencionar aquela frase de Raul Brandão nas suas "Memórias": "Lisboa como Nápoles foi e é uma cidade de pederastas" (estou a citar de cor, mas julgo que é literal)!!!

BEM HAJAM TODOS

De Bartolomeu a 20.08.2010 às 19:11

Caro Mina, esta falta de concordância dos géneros, enfim...

Para mim Saint-Säns raia constantemente a espiritualidade e o misticismo, quando já não está em comunhão com eles, mesmo nas obras mais mundanas sobretudo pela compreensão da moralização que leva à redenção de cada ideia ou episódio - de certo que se conhece bem a sua musica saberá do que estou a falar. Porém, sendo um homem tão terreno é interessante notar como esse mundo não conspurca nem enche de mácula a sua música.

Lisboa... sim, conheço a menção. Já que falamos destes assuntos, e se me puder ajudar ou orientar passava a contar-lhe o seguinte sem mais pormenores que não estes que vou expor: há alguns anos, num programa da ANT2, ouvi a Maria João Seixas falar sobre um diário de viagem de um certo francês que foi a Roma e descreve um comunidade lusa lá integrada onde os homens vivem em parelhas coabitando maritalmente, dormindo no mesmo leito, etc. Estava esta comunidade integrada, era aceite e bem vista, apesar de a Inquisição já ter supliciado uns quantos casais.

Que sabe sobre o assunto?

Obrigado.

De MINA a 20.08.2010 às 22:55

PARA BARTOLOMEU:

Apenas com os dados que me fornece não me recordo de qualquer comunidade nessas circunstâncias. Se todavia descobrir algo sobre o assunto, terei muito gosto em lhe comunicar.

Cumprimentos.

De Nuno Castelo-Branco a 20.08.2010 às 23:28

Cara Mina,

Dá-me uma novidade quanto a D. Manuel. Jamais ouvi falar de tal coisa e por exemplo, como sempre o PRP aproveitou para fazer um enorme alarido em Lisboa, acusando-o de se ter amantizado com uma aventureira francesa que na época fazia furor. Essa Gaby Deslys era tratada abertamente na imprensa internacional, como maitresse en titre du roi du Portugal. Mais, dizia-se que neste aspecto, o jovem seguia os passos do pai, enfurecendo a rainha viúva. Curiosamente, escolheria para mulher, uma prima que por sinal, era bastante parecida com a dita Deslys, mas com outro nível e interesse, com certeza. Enfim, é o costumeiro "diz-se diz-se" que não tem qualquer importância.
O casamento com Augusta Vitória de Hohenzollern, foi um desastre previsível. A rainha-mãe sabia há muito tempo, que essa princesa não podia ter filhos, pois os preparativos para um noivado tiveram início logo após o Regicídio e hesitava-se - ou procuravam - alguém ligado à realeza britânica, ou em segundo plano, à alemã. Augusta Vitória era bela, elegante e extremamente moderna para a época. Decididamente teria chocado a conservadorice básica da sociedade lisboeta pré-1910 e mais ainda, o pudibundismo pseudo-nacionalista e extraordinariamente puritano dos PRP's. D. Manuel visitou a Alemanha, conheceu a pessoa com quem se decidiu casar. Nem sequer consultou a mãe que estava bem informada. talvez esteja aqui uma explicação bastante credível. Nem todos os casamentos geram descendência e com isto, não estou a tentar negar aquilo que afirmou. Apenas desconheço totalmente qualquer documento, memória ou até, bisbilhotices que se debrucem sobre essas alegações. Veja que quanto a D. Amélia, o PRP propagou rumores que diziam estar a "rainha amantizada com Mouzinho de Albuquerque". Sendo uma falsidade descomunal e totalmente ridícula aos olhos da incipiente opinião pública, atacaram-na então de outra forma, dizendo que D. Amélia partilhava o leito com a condessa de Figueiró! De um extremo ao outro, sem rebuços. No próprio Diário de João Chagas, este chega ao ponto de dizer ter lido cartas de D. Amélia endereçadas a uma amiga, sendo o teor das mesmas, digno de Safo. Enfim, jamais se vislumbrar essas cartas ou quaisquer outras provas. A verdade é que tudo isso não passa de mera propaganda boateira, pois conhecendo-se o nível moral da gente que governou o país após o 5 de Outubro, decerto os "documentos" seriam publicitados até à exaustão. Ou crê em milagres? O regime estava longe de se encontrar implantado, era frágil e podia ser varrido à primeira oportunidade, portanto, qualquer prova cabal de "degenerescência" real, seria aproveitada até à exaustão. O perigo passaria após a morte de D. Manuel (e mesmo assim....!) porque Salazar foi, sem dúvida, o homem a quem a república deve a sua existência. Sem dúvida alguma.

No que respeita ao presidente que citou, o que importa é o seu exercício dos cargos públicos, dividindo-se estes entre o período de ministro na Legação de Londres e a efémera e previsivelmente desastrosa presidência da república.

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