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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Todos a reboque

João Gonçalves 9 Abr 15

 

 

Numa das oitenta reflexões sobre "o que lá vem", integrada no seu livro mais recente, Manuel Maria Carrilho cita Marcel Gauchet em 2014: «tem-se a impressão de que o que hoje existe é uma direita de imbecis face a uma esquerda de idiotas.» Podemos transferir esta "impressão" para Portugal hoje: um país atordoado, desvitalizado e rebocado. A fórmula é do próprio Carrilho e uma súmula feliz da infelicidade colectiva e instintual que denota. Vejamos alguns exemplos. Uma jornalista "senior", Maria João Avillez, lembrou-se de questionar as "aspirações" das "elites"  sobre o futuro próximo da pátria. E quem foi a "elite" escolhida? Salvo um imberbe com aspirações a escritor, Avillez foi ao mundo que ela conhece praticamente desde o 25 de Abril recolher opiniões. Estão no Observador e dispensam quaisquer comentários: é a mobília do regime excluídos os que entretanto caíram, por motivos mais ou menos claros, em desgraça e os que, por limitações "ideológicas" de quem concebeu a futilidade do exercício, não cabem. E o que quer a "elite"? Tudo menos chatices, naturalmente. Falam do "futuro" como se não pertencessem à "seiva" do passivo e do passado que corre nos interstícios do comadrio nacional em todos os sectores. Rebocam e desvitalizam e andam, como sempre desvitalizaram e andaram a reboque. Outra jornalista "senior", Constança Cunha e Sá, dissertou ontem sobre o folclore presidencial em curso que ilumina perfeitamente a frase de Gauchet: uma direita de imbecis e uma esquerda de idiotas. O pormenor é que ela as alimentou "puxando", talvez como lhe competia", pelo seu colega comentadeiro Marcelo Rebelo de Sousa esquecendo-se deliberadamente (ao insistir na interrogação que representa António Nóvoa) que, na verdade (o que será a verdade para estes Pilatos comunicacionais?), o "lateral" Henrique Neto, contrariamente ao pelotão de proto-candidatos a candidatos em circulação, não precisa clonar pensamentos alheios ou surgir a correr com "ideias" e cravos na lapela. Basta lê-lo com alguma honestidade intelectual. Comentadores atordoados, desvitalizados e rebocados. Na esquerda de idiotas, para não ir mais longe, já pensei brevemente nela ontem porque conta. Não se deve perder tempo com vaidades individuais ou grupusculares anunciadas fruto, aliás, das perdições socialistas e das dissoluções esquerdistas: todos atordoados, desvitalizados e à espera que os reboquem para lugares no parlamento ou, mesmo, num governo. Finalmente a direita de imbecis que permite coisas como este vaguíssimo "instituto do território", aparentemente uma plataforma interesseira que se quer oficiosa e que "gira" em torno do amável Rogério Gomes que conheci na Católica. O qual, da derradeira vez que o vi, era tratado reverentemente por "senhor professor doutor" por um membro do governo. Aparentemente o PSD, a parte dele que "estuda" no respectivo "gabinete", é rebocado por este homem. Depois não se queixem. Todos, os comentadeiros, as esquerdas e as direitas. Como escreveu Foucault, citado igualmente por Carrilho a propósito do grotesco em política, este surge quando "a maximização dos efeitos de poder acontece a partir da desqualificação de quem os produz". Mesmo, ou sobretudo, atordoados, desvitalizados e a reboque.

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