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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A tarefa

João Gonçalves 22 Nov 14

 

Agora a política. Entre Seguro e Costa ergueu-se sempre a sombra de Sócrates. Com um grupo parlamentar hostil, escolhido pelo antigo secretário-geral, Seguro foi "sacrificado" sobretudo porque pretendeu fazer um caminho desanuviado do "ambiente socrático". Não conseguiu e, a pretexto de um resultado eleitoral com vitória "insuficiente", Costa tomou como suas as "dores" dos fanáticos do antigo PM para apear Seguro. O partido e os "simpatizantes" abriram-lhe uma passadeira vermelha e Mário Soares exigiu-lhe o punho esquerdo. Todavia, quando se preparava a semana da entronização, Sócrates aparece-lhe estatelado aos pés na referida passadeira. Costa conta, ou contava, sobretudo com gente provinda do "ambiente socrático" como se nota pelas presenças na primeira fila do grupo parlamentar pós-Seguro e pelas escolhas para o Rato. Ironicamente acaba por ter de se apresentar ao partido e ao país como um supra-Seguro em "matéria socrática". E para o desastre político não ser completo, vai ser forçado a "desencarcerar" o PS do "ambiente socrático" sem "melindrar" as viúvas e órfãos políticos do ex-chefe. Seguro decerto não lhe inveja a tarefa.

Shakespeare e o mito

João Gonçalves 28 Mai 14

 

Para gáudio da "direita", o edil de Lisboa deu azo a uma borrasca portuguesa tipicamente "shakespeareana" no PS. Não tanto ele mas as personagens que foram aparecendo para o "glorificar". Algumas delas ainda há dias abraçavam efusivamente António José Seguro nas ruas ou apareciam a seu lado, ou atrás dele, na campanha. Isto é, em encarnações do "humano" inventado pelo dramaturgo inglês para a política e para o amor. Costa já foi tudo no PS e nos seus derivados institucionais - governo, parlamentos nacional e europeu e autarquias - menos secretário-geral. E por uma simples razão, também ela muito "shakespeareana": calculismo. Costa "instalou-se" nas televisões e nos media, em geral, para a partir daí forjar um mito. Em Lisboa, delegou a "vida material" nos veradores e reservou-se adequadamente para "eventos" e para o "social". Tem a "admiração" e a complacência gerais devidas aos mitos. Até aceitou aliar-se a Seguro quando, no último congresso, se orgulhou de ter sido, na prática, o "autor moral" do "documento de unidade" que prevaleceu. Mas os créditos de Seguro - duas vitórias eleitorais - não lhe bastaram. Nem às tais personagens sempre de adaga afiada à ilharga. Seguro integrou, ao ritmo dele - e contra a sofreguidão de muita gente que ainda não percebeu o que se passou em 2011 -, o passado recente do PS no seu presente. Costa dificilmente conseguirá travar a rápida ultrapassagem deste presente minimamente decente do PS por um passado que se vê já em abrangente "futuro". Mas esse é o papel dos mitos: transformar em melhor o que não presta.

Num país de enforcados

João Gonçalves 18 Mai 14

 

António José Seguro jura que vai formar o primeiro governo do século que não irá aumentar impostos. É uma frase mais simpática do que jurar que não terá condições para baixar significativamente a carga fiscal. Porque, na verdade, é isto que ele quer dizer. O "tratado orçamental" blindou quaisquer bons ofícios e intenções de quem quer que seja que governe na "eurolândia". No entanto, Seguro devia abster-se de mencionar "impostos", uma palavra que geralmente queima a boca de quem a tem proferido. Como se tem observado na cúpula bicéfala do actual governo, para não andar mais para trás, apesar dos discretos "alertas" de M.L. Albuquerque que é quem faz as contas. Para além disso, e apesar da "amabilidade" política em tempos longos de eleições, não se fala de cordas num país de enforcados.

"A falência dos socialistas europeus"

João Gonçalves 14 Fev 14

 

«Os chamados "críticos" nem têm uma alternativa consistente a apresentar (quem?, outra vez o Costa?) nem sequer se entendem num programa mínimo entre si - o maralhal que se juntou para levar Costa em ombros, e falhou, ia dos elementos mais à esquerda aos mais à direita dentro do PS, entre os quais há divergências profundas em várias matérias. Era um entendimento forjado numa pessoa, mas não num programa. Essa mixórdia de temáticas acabou tristemente num abraço cínico e num acordo de treta entre Seguro e Costa. Agora junta-se ao coro José Sócrates, que pressiona Seguro quanto ao "posicionamento" do PS para estas eleições, revela desilusão com Hollande e diaboliza Merkel - que foi a primeira pessoa que teve direito a ver o seu PEC IV, já que em Portugal foram poucos os escolhidos. Estamos em plena história da carochinha: a submissão à senhora Merkel começou com Sócrates, apesar de Passos pôr mais enlevo na coisa. E veja-se como Merkel se coligou com os socialistas alemães sem que a política europeia mude um milímetro. Mesmo que o senhor Schulz venha a ser eleito presidente da Comissão Europeia, o que acontecerá se os socialistas tiverem muitos votos em Maio, sê-lo-á com o beneplácito de Merkel. E como os socialistas deram as mãos à direita para instituir na Europa o Tratado Orçamental - um colete-de-forças que ilegaliza as políticas socialistas -, é difícil que o bom do Schulz faça muito melhor que o José Barroso. Seguro é mau, mas toda esta discussão é "poucochinha". A outra, a que verdadeiramente interessa - a da falência dos socialistas europeus -, o partido não a quer fazer.»

 

Ana Sá Lopes, i

O PS no seu labirinto

João Gonçalves 27 Jul 13



Parece que o dr. Mário Soares pregou uma valente sova no dr. Seguro.  E não só, evidentemente («A promoção do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, que Cavaco Silva teve de engolir depois de ter dito publicamente o contrário, como o país todo sabe, não augura nada de bom. Nem julgo que seja a pessoa indicada para discutir com a troika.»). De facto, o papel da direcção do PS neste querido mês de Julho de 2013 é uma "história" que ainda um dia terá de ser devidamente contada. Seria bom para o próprio Seguro que fosse ele a fazê-lo, sem mistificações politiqueiras, do que deixar a coisa por conta da imaginação alheia. É que quem conta um conto acrescenta-lhe sempre outro. E assim sucessivamente.

 

Foto: António Pedro Santos

Costa no labirinto dos mortos-vivos

João Gonçalves 9 Fev 13

A entrevista de António Costa a José Alberto Carvalho foi um enorme bocejo político. Não por culpa do jornalista, que esteve bem, mas porque Costa manifestamente não está à vontade neste papel que os órfãos de Sócrates lhe reservaram. Foi  forçado a debitar umas banalidades "programáticas" pseudo-distintivas de Seguro, teceu umas considerações óbvias sobre a vida partidária em geral e demonstrou uma acrisolada felicidade em ser quem é e em estar a fazer o que está a fazer. Aqueles minutos televisivos não acrescentaram um átomo ao "prestígio" partidário e nacional de Costa. Pelo contrário, deram corpo a uma famosa alusão de Séneca: sempre o mesmo querer e não querer o mesmo. E fez lembrar a triste figura que outros fizeram noutros partidos com os resultados que se conhecem. Dito de outra forma, «António Costa, depois do seu tiro de pólvora, resolveu assumir a segunda causa: ou as ossadas [de Sócrates] vêm, ou ele avança. Seguro, que não nasceu ontem, discorda. E discorda porque sabe, com razão, que o único motivo pelo qual o seu PS ainda existe no reino dos vivos é precisamente porque soube manter uma distância higiénica dessas ossadas radioactivas. O que Costa pede a Seguro não é uma reabilitação histórica; é um suicídio político. E só um fanático, como o rei inglês, estaria disposto a trocar o seu reino por um cavalo.»

O regresso da D. Constança

João Gonçalves 31 Jan 13

 

Nunca imaginei ver o António Costa no lugar da D. Constança, a famosa metáfora de António Vitorino, nos idos do pós-guterrismo, para aludir às "festas e festanças" para as quais o empurravam (tomar conta do partido) e a que ele obstinadamente recusou comparecer. A nova D. Constança teve agora a segunda oportunidade de aparecer na "festa e festança". Haverá uma terceira?

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A porta

João Gonçalves 29 Jan 13

Quando se observa a entrada dos socialistas para a reunião da comissão nacional, fica-se com a sensação que caminham todos para a Madame Tussauds.

Nojo

João Gonçalves 28 Jan 13

«A pretensa impunidade socrática não se afirma apenas no País. Ela ressurgiu agora também dentro do Partido Socialista. De repente, os socráticos querem abrir uma crise de liderança no PS e voltar ao poder cavalgando às costas de um novo líder. Depois de terem deixado o País à beira da bancarrota e o partido com uma derrota histórica, voltaram para fazer a vida negra à liderança da oposição. O bom senso recomendaria a esta gente um bom período de nojo, algum comedimento e um certo respeito pela memória colectiva.»

 

Marques Mendes, CM

 

Adenda: Por falar nesta gente, de um passado demasiado recente, há um deles que os resume a todos, o petulante ex-czar dos Açores, César de seu nome para perpétuo infortúnio dos verdadeiros. César tem a mania que é subtil e imagina-se um ersatz sofisticado de Jaime Gama ou de Medeiros Ferreira. Não é nem uma coisa nem a outra. Que venha para o "continente" e vai ver, a não ser às cavalitas de alguém, o "sucesso" que o espera.

Paris em Lisboa

João Gonçalves 24 Jan 13

Ontem, os opositores de Seguro no PS deram uma vez mais provas que continuam a viver na hiper-realidade que o seu mentor alimentou durante alguns anos. E Seguro caiu na armadilha ao dar troco com uma pergunta com tanto de retórica como de ingénua: "qual é a pressa?" O país, decerto, não deve ter nenhuma.

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