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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Pacheco no jardim do bem e do mal

João Gonçalves 13 Dez 15

 

Foi preciso esperar dez anos para Pacheco Pereira dar à estampa o quatro volume da biografia política de Álvaro Cunhal. Que não se espere outros dez pelo último. Este é inequivocamente o "bom" Pacheco. O da história, o arguto, o divulgador, o coleccionador, o amante dos livros e dos papéis, o intelectualmente inteiro, minucioso e livre. O que estimula. Depois há o "mau". Aquele que soberba e contraditoriamente não aceita a liberdade de expressão dos outros e que não suporta que não sigam as suas "orientações". O actual primeiro-ministro bebeu ardentemente deste "mal" anos a fio na Quadratura do Círculo. Em plena campanha para as legislativas Pacheco não se coibiu de sugerir que o tinha "formado". E não escondeu a seguir a sua satisfação (ia a dizer alegria mas Pacheco não abunda em sentido de humor) pela maneira como Costa contornou a derrota. Ter sido um dos mais intensos e consistentes "costistas" valeu-lhe agora um prémio na Fundação de Serralves. Tem mais do que biografia evidente para o efeito. Não é isso que está em causa. Podia era ter esperado pelo arrefecimento do cadáver da coligação. Por isso a melhor homenagem que o PSD pode prestar ao vício e à virtude, ao contrário do que alguns militantes mais aguerridos possam pensar, é tê-lo como militante. Mostra que é tão ou mais livre do que ele.

O NOVO LADO BOM DA FORÇA

João Gonçalves 23 Dez 11


Os "socratistas", afinal, são do chamado lado bom da força. As coisas que estamos sempre a aprender com o nosso inefável dr. Pacheco.

ACÇÃO DE GRAÇAS

João Gonçalves 2 Out 11

O dr. Pacheco encontrou finalmente uma - nele equivale a uma centena, no mínimo - medida positiva tomada pelo Governo Passos Coelho.


*"Ponto Contraponto" (Sicn) de 4 de Setembro

UM INTELECTUAL ORGÂNICO

João Gonçalves 18 Jun 11

Pacheco Pereira é inequivocamente um espírito livre. E erudito, seja lá o que isso for. Ora até por aí, esta pequena prosa assenta-lhe mal. A menos que pretenda assumir uma espécie de não lugar de um novo tipo de "intelectual orgânico": aquele cujo qualificativo "orgânico" diz respeito ao próprio corpo, a si próprio, de ser único entre os seres únicos. Se não se cuida acaba a tropeçar nele de tanto dele ter pela frente, por trás e pelos lados. Pacheco rodeado de Pacheco como uma ilha por água deve ser coisa horrível de se contemplar. Não entre tão depressa nessa noite escura.

Adenda: Apenas três observações a um anónimo que afirma que eu não tenho "categoria" para falar de Pacheco. A primeira, e óbvia, não possuo uma "biografia" comparável e sempre considerei estimulante o seu pensamento mesmo quando não estou com ele. A segunda, que decorre da primeira, foi Pacheco quem apresentou o meu primeiro livro como única escolha. A terceira é que a junção da primeira com a segunda evidencia dois homens livres, livres sobretudo na crítica a começar pela mútua. Percebo que num país de lambedores profissionais isto custe a entrar. Paciência.

Adenda2: No artigo do Público de sábado, um dos "alvos" de Pacheco - porque o pano de fundo é sempre o mesmo, sejam quais forem os protagonistas, i.e., aquele famoso abraço dado a António Costa no Chiado aquando das autárquicas de 2009 deve ter tido um obscuro poder taumatúrgico - é António José Seguro, cito, uma «inexistência». Pacheco não nos trata por "tu" como António Barreto. É mais o "vocês, súcias". Ainda acaba a dizer, como a minha padeira, que "os políticos são todos iguais".

O "MOMENTO ACÁCIO" DE PACHECO

João Gonçalves 13 Mar 11


Não fui lá nem apoiei as manifestações de ontem. Mas concordo com o José Manuel Fernandes uma vez a coisa passada e depois do "momento conselheiro Acácio de iPad na mão" do J. Pacheco Pereira, agora quase tão empenhado em "segurar" o regime como o seu "colega" Costa, da sicn. «Desceu à rua um Portugal farto de tudo isto. Farto por boas e más razões, mas sobretudo farto. Desceu à rua um Portugal que quis fazer qualquer coisa, mesmo que não saiba muito bem como as coisas podem ser diferentes. Desceu à rua um país inorgânico mas, no essencial, ordeiro e respeitador da democracia. Desceu à rua um Portugal algo desesperado mas não revolucionário. Desceu à rua um Portugal que gostou de verificar que não está totalmente alheado da coisa pública. (...) JPP, que também faz parte da “classe política”, também entendeu seleccionar umas fotografias em que alguns manifestantes empunham cartazes contra os políticos, talvez para provar a sua tese sobre o carácter anti-democrático da manifestação. É uma selecção tão ridiculamente lateral que só pode ser contraproducente e ter como efeito que os que poderiam ouvir JPP passem a mudar de canal quando ele aparecer a falar. Para além de que não é honesto – acho mesmo intelectualmente desonesto fazê-lo depois daquilo a que assistimos ontem – querer fazer querer que o imenso “basta” de ontem se dirige contra a democracia. Para vacuidades e preconceitos já basta o Miguel Sousa Tavares e o Mário Soares.»

O NOSSO FABRIZIO DEL DONGO

João Gonçalves 12 Mar 11


Gosto muito do Pacheco Pereira. Sempre considerei o seu testemunho estimulante. Por isso custa-me vê-lo neste registo banalão, de pseudo-salvação nacional que encontramos nos sensaborões políticos de todos os partidos, os "zés-sempre-em-pé" que circulam do poder para a economia do poder (fundações, bancos, empresas públicas, etc., etc.) e da economia do poder para o poder por causa das intermitências eleitorais. As elites que Pacheco defende - mais velhas ou mais novas como o repelente Costa com quem partilha tribuna televisiva - através deste registo anódino («É que a questão central dos nossos dias portugueses, de infelicidade, perda e mágoa, não é a reivindicação nem a "luta", mas a possibilidade de haver acordos consistentes, duradouros, para além do cálculo partidário imediato, centrados nos problemas económico-financeiros cruciais que enfrentamos. E não há razões de fundo para que PS, PSD e CDS não os possam fazer, nem diferenças ideológicas tão vastas que os impeçam. É que, meus amigos, é como se estivéssemos em guerra.», in Público), estão exauridas. Só andam por aí porque, trivialmente, ainda não morreram apesar de a maioria consistir em mortos-vivos que aguardam a entrada em funções. Pacheco, ao "anunciar" a guerra, lembra o protagonista de A Cartuxa de Parma, Frabrizio del Dongo, logo no princípio do romance, perdido e dividido no meio do combate de Waterloo. Oxalá se encontre.

Adenda: «Voltou-se ao PREC.» Não seja patético, Zé.

NÃO NOS DESILUDA

João Gonçalves 1 Jun 08

José Pacheco Pereira, nos últimos anos, tem andado a fazer o papel do cego das tragédias gregas em relação ao seu partido. De vez em quando lá condescendia a fazer de coro, mas, no essencial, foi o cego. Não tem mais condições para continuar refastelado neste ethos. Pacheco foi um dos "autores morais" da candidatura da actual presidente "laranja". Por consequência, deve apresentar-se agora como um militante exemplar, disposto a servir a senhora e o partido no "terreno", sem floreados. Já não basta a grandiloquência e a facilidade da aparição mediática. O PSD não pode deixar de estar "refém" de determinados caciques para passar a estar de outros. A plateia que assistiu à entronização de Ferreira Leite metia medo ao susto. O lugar na primeira fila, ocupado por Pacheco ao lado de Luís Arnaut, a duas de António Preto e Helena Lopes da Costa por entre figuras vindas directamente do jazigo de família, confere-lhe uma especial responsabilidade. Não nos desiluda.

TAMBÉM ACHO

João Gonçalves 30 Jan 07

"Acho obscena, assim mesmo: obscena, a utilização de crianças e adolescentes em programas como o Prós e Contras de ontem para falarem ou se manifestarem sobre o aborto. Tal me parece ser da mesma exacta natureza que o inquérito sobre os costumes sexuais dos pais, que tanta condenação suscitou e bem. Antigamente, no tempo em que os animais falavam, havia uma regra deontológica dos jornalistas que impedia entrevistas a menores sobre estes temas. Caducou?"

José Pacheco Pereira, in Abrupto

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