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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Passos feliz na oposição

João Gonçalves 12 Dez 15

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 Não tive pachorra para ler a longuíssima entrevista de Passos ao jornal Público. Vi os títulos online. E retive algumas coisas. O presidente do PSD continua naturalmente candidato ao cargo para que foi escolhido a 4 de Outubro: o de primeiro-ministro. A partir de Abril, após congresso, estará relegitimado para o efeito. Esperará por eleições e, apesar de tudo, espera por estabilidade. Ver-se-á se as eleições e a estabilidade também esperam por ele. O PSD não dispõe evidentemente de melhor, ou de diferente, neste transe imprevisto. E Passos, pareceu-me, falou sobretudo para diante como lhe competia. Politizou, e bem, o orçamento para 2016, o tal que será apresentado, atrasado, "o mais cedo possível" e que Marcelo também considera "fundamental". Estava feliz.

EXACTAMENTE

João Gonçalves 30 Jul 11

«O debate de ontem, no Parlamento, foi, genericamente, civilizado. Só isso, já é uma grande diferença.»

Pedro Santana Lopes

PREPARAÇÕES E EXPERIÊNCIAS

João Gonçalves 22 Fev 11


Vejo Pedro Santana Lopes muito preocupado com a falta de experiência e a "impreparação" de Passos Coelho. Em apenas alguns dias, sugeriu por duas vezes que Rui Rio, graças ao seu já longo desempenho autárquico, sempre seria, a título exemplificativo, "diferente". Sou insuspeito em relação a Passos (é o que há) mas parece-me que, salvo numa ou outra infelicidade de formulação, tem sido sensato. Não tem pressa o que quer dizer que talvez, e para variar dos derradeiros anos, esteja mesmo interessado em "preparar-se". Rio perdeu a sua oportunidade quando desistiu para Ferreira Leite depois de ter dito "sim" (para além disso não é certo que consiga "crescer" do Porto para o país). E Ferreira Leite passou como passou o próprio Lopes, tendo servido de pouca coisa a "experiência" de ambos na hora da verdade. Mal vai entretanto um partido que não consegue libertar-se da "síndrome trituradora interna" face a um opositor tenaz como Sócrates. E que persiste, pela voz "autorizada" de ilustres militantes, nos tirinhos de feira destinados ao pé.

NOTÍCIAS DA PERIFERIA DA GERMANIA

João Gonçalves 15 Fev 11



Boa pergunta, a de Medeiros Ferreira. Fora a parte da "confiança" porque se há alguma entidade política que, claramente, não merece pingo dela é o governo a quem foram (e estão a ser) dadas todas as condições para governar (o PSD até devia votar contra o BE em vez de se abster porque, como disse Passos, ainda é tempo de o PS governar). Quanto ao Bloco "de gauche", o famoso dia 10 de Março marcará o irreversível declínio desses herdeiros do PSR, da UDP e de meia dúzia de ex-comunistas despeitados. Qualquer esquerda que "confie" em gente desta laia, condena-se ao fracasso. Manuel Alegre, por exemplo, até pode explicar em livro como a mínima intimidade com o Bloco prega imediatamente o primeiro incauto a uma tábua.

Foto: Die Walküre, Wagner. Opéra Bastille, Paris. Junho de 2010.

A DIREITA E A CULTURA

João Gonçalves 8 Ago 10


Raramente levo a sério o que escreve António Guerreiro no suplemento "cultural" do semanário brasileiro Expresso, uma coisa que, no português acordográfico, se designa por Atual. Só que desta vez, Guerreiro, numa croniqueta intitulada Ao pé da letra, chama a atenção para a frase de uma tal Nilza que, parece, é vice-presidente do PSD. Nilza sustentou que «a cultura não pode ser uma entidade abstracta de elites, pensada para um nicho populacional e desagregada do interesse transversal de toda a população.» Louvando-se em Hans Magnus Enzensberger - Guerreiro nunca faz a coisa por menos - acaba por classificar a dita Nilza como "analfabeta secundária" (como se ele, às vezes, não fosse um funcional), no fundo alguém ao pé do qual o verdadeiro analfabeto se assemelha a uma "personagem venerável". E é assim porque Nilza privilegia a realidade demográfica - a "população" dos coretos e dos ranchos que tanto gozo "cultural" dão a presidentes de câmara como Rui Rio ou a ex-ministros com pézinhos para o folclore como Pedro Roseta? - da "massa" a, passo a citar, «divisões, a cesuras, a tropismos minoritários» que sempre escapam a «determinações culturais». Descontado o mambo-jambo do Guerreiro, a direita tem uma certa dificuldade em acertar na cultura quando a tutela ou sonha tutelá-la. O que não significa que a esquerda, sempre tão reverencial perante o "artístico" e o primeiro autor de uma qualquer enormidade premiada, faça melhor. A questão é prévia e tem a ver com o lugar que a política reserva à cultura. Quando tudo é cultura - recordou recentemente M. M. Carrilho no Festival de Almada - então nada é cultura. Em França, Malraux foi sempre o "número dois" de De Gaulle. Em alguns países da UE o ministro da cultura, ou equivalente, não é relegado na hierarquia do governo para o penúltimo ou o último lugar como em Portugal. É certo que, desde Carrilho, tanto faz. As noticias que me chegam da direita - tão eloquentemente traduzidas na frase de Nilza - evidenciam que o equívoco permanece. Se Sócrates menosprezou a coisa quer pela gente que escolheu e que permitiu escolher, quer pelo orçamento que reservou ao ministério, nada indica que a direita - o PSD e o CDS, ou o PSD sozinho já que os outros só "descobriram" a cultura no curto interregno de 2004-2005 pela mão dessa péssima tudóloga que é Teresa Caeiro -, atarantada, mal preparada e apenas à espera da tradicional distribuição de prebendas pelos "próximos" dos "próximos conhecidos", se consiga elevar. Dou um exemplo concreto. Há dias perguntaram a minha opinião acerca de um organismo concreto. Defendi a respectiva extinção. Resposta: "não pode ser porque esse é para mim". Estamos conversados.

Cheguei a casa e, na televisão, vi Constança Cunha e Sá e Miguel Sousa Tavares. Estavam, por assim dizer, a fazer o "guião" daquilo que Cavaco vai dizer amanhã "à imprensa". E, naturalmente, a ajudar às pompas fúnebres de Ferreira Leite defendendo que Marques Mendes é que era bom. Mesmo assim, o escritor ainda conseguiu dizer uma coisa de jeito sobre o PSD. Só se vê coelhos a saltar da cartola, com um PSD em cada televisão, em cada esquina, a sugerir que "a seguir é ele". O mais óbvio, por causa dos interesses em jogo, é o Coelho de nome que não perdeu tempo em fazer avançar os seus peões de brega (e a sua extraordinária figura) cuja loquacidade política nunca desilude. Pois bem. É preciso fazer frente a este "socratismo" disfarçado, oportunista e negocista, que pulula dentro do PSD. E ao "socratismo" propriamente dito. Por isso decidi regressar ao partido com ficha assinada pelo José Pacheco Pereira. É a minha maneira de homenagear a decência da dra. Manuela Ferreira Leite numa altura em se aproximam tempos sombrios para o país. E lembrei-me de um texto do JPP sobre Boécio. «A resposta que a Filosofia dá a Boécio não é em si complexa e a essência que o "consolo" lhe traz é simples: Deus, a Providência e a Sorte não têm os mesmos caminhos terrenos e por isso podem parecer contraditórios na recompensa que dão aos humanos. Por isso, os maus podem parecer ter uma recompensa do seu mal. Mas vai mais longe e diz a Boécio que ele é verdadeiramente livre nos seus actos porque eles são independentes mesmo do prévio conhecimento que Deus tenha deles. Sendo senhor do seu destino, o que lhe estava a acontecer não tinha de necessariamente acontecer se não fosse a sua liberdade de escolher, e era para isso que os seus actos tinham valor para Deus e estavam para além da sua recompensa ou punição terrestre (...). Não sei se na dor da tortura o "consolo" da filosofia serviu de alguma coisa a Boécio. Provavelmente não. Mas o que levou esse homem antigo a, na sua cela, escrever para nós, permanece intacto na sua força e valor para estes tempos de corrupção moral. Por isso, ele é dos nossos.»

Foto: Ephemera

A MINISTRA QUE NÃO RASGA

João Gonçalves 12 Jul 09

A direita "intelectual" - Pacheco e Marcelo - babou-se para cima de Ana Jorge por causa da gripe. Ana Jorge não vale politicamente nada e alguém está a preparar, com um módico de bom-senso, as intervenções dela. Já Correia de Campos, até dada altura, tinha merecido a complacência de alguma desta gente. E acabou como acabou. Ana Jorge veio entreter até às eleições e, no que toca à gripe, limita-se a ser uma médica responsável. Daí a um ministro da saúde vai a distância das conveniências. Afinal, não se pode mesmo "rasgar" tudo.

QUEM BEBE PELO GARGALO COMPRA A GARRAFA

João Gonçalves 29 Mar 09


O dr. Portas pretende que a justiça vá até "ao fundo" no "caso Freeport". Jerónimo quer que a verdade "seja apurada". A dra. Manuela fala em "sucessão" de factos que torna "premente" o esclarecimento do tema. E Louçã também deve ter dito qualquer coisa. Isto significa que, à medida que o ano eleitoral avança, o "caso Freeport" também avança pelo ano eleitoral adentro na proporção inversa à velocidade com que avança na justiça. Não me parece avisado. O que a oposição deve fazer é julgar politicamente o governo e o seu chefe. Levar o "caso" para dentro da política é seguir o filão do congresso albanês do PS, ou seja, dar razões a Sócrates para se fazer de coitadinho, secundarizando o fracasso da primeira legislatura socialista em maioria absoluta. Acresce que, se no "caso Freeport" Sócrates é inocente até prova em contrário, já no seu desempenho como primeiro-ministro há muito que o deixou de ser. Ao centralizar na sua extraordinária pessoa o partido, o governo e a propaganda, Sócrates aceitou beber o cálice até ao fim. É isso que a oposição lhe tem de exigir perante um país mais devastado, mais deprimido e mais pobre do que há quatro anos. Quem bebe pelo gargalo compra a garrafa.

SARMENTO & SILVA

João Gonçalves 3 Mar 09

Excelente prestação do Nuno Morais Sarmento - para variar - num "frente-a-frente" na tvi24 com o não menos excelente trauliteiro de serviço, o sociólogo "malhadinhas" Santos Silva. Sobretudo a desmontar o "académico" cabeça de lista do PS para as "europeias", alguém que o país fora do "micro-cosmos" em que nos movemos (na política, nos media ou nos blogues) manifestamente ignora. Péssimo moderador, mas não se pode ter tudo.

"UMA ACÇÃO DE ANÚNCIOS"

João Gonçalves 21 Fev 09


«Não acha obsceno e chocante para as pessoas que o Governo continue a fazer grandes eventos de propaganda a propósito de tudo e de nada?
- Eu não só acho obsceno e chocante como acho que o Governo vai ter de ser confrontado com essa questão. Porque não é possível que os dinheiros públicos andem a ser delapidados em festas de propaganda. Eu acho que é algo sobre o qual o Governo terá de vir a dar explicações.
- É que não há um arrepiar de caminho. Todos os dias há mais situações.
- Não há um arrepiar do caminho. Ouça uma coisa. É que se não for isso não é nada. Eu percebo a posição do Governo. Este Governo vive à custa dos anúncios e se esses anúncios não têm um grande impacto e uma grande visibilidade então nós diríamos que não havia absolutamente nada. As pessoas ficam envolvidas e empolgadas, em algumas delas, simplesmente com os sound bites e os anúncios. Se não houver muito barulho com os anúncios no dia-a-dia percebe-se que não há rigorosamente nada. Nem mesmo estas medidas em relação ao apoio às empresas. Se nós falarmos com os empresários eles não sentem nada.
- É o que têm dito.
- Não sentem nada. Se não fosse o anúncio o que é que havia? Percebe-se que um Governo que vive à custa do anúncio invista muitíssimo e fortemente naquilo que é verdadeiramente a sua acção, que é uma acção de anúncios.»

Entrevista de Manuela Ferreira Leite ao Correio da Manhã, conduzida por António Ribeiro Ferreira

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