Quarta-feira, 20.03.13

Cá estaremos

Hoje é um dia triste para os defensores da liberdade de expressão. O despedimento de Nuno Santos por parte da administração RTP é, na sua gravidade, um sinal. A memória de Soares Louro ou de Cunha Rego, a decência de Ramalho Eanes ou a competência de Almerindo Marques, enquanto responsáveis máximos pela história da RTP nas últimas décadas, foram indignamente aviltadas. Porquê? Porque N. Santos é removido por um "crime" consagrado na legislação do Estado Novo - o delito de opinião - e que há muito desapareceu quer do chamado sentimento jurídico colectivo (salvo, é claro, da mente daqueles que olham para o Outro como mero capacho ou que só sabem viver em ambiente de "respeitinho"), quer da própria lei, a começar pela Constituição de 1976. N. Santos é removido, não por ter sido comprovadamente incompetente como jornalista ou director de informação, mas porque teve a "ousadia" de se dirigir (recorro aos termos do Estado Novo) menos respeitosamente ao senhor presidente do conselho (de administração) em declarações prestadas, imagine-se, no Parlamento. O mesmo que, publicamente, tinha afirmado que nenhum trabalhador de RTP seria perseguido disciplinarmente por causa do incidente dos chamados "brutos". Ora se não foi por isso, fica inequivocamente claro por que foi - delito de opinião. Coisas destas, num estado de direito democrático, devem debater-se na esfera pública (condenando-as activamente e sem reservas mentais de qualquer espécie) e resolver-se nos tribunais, sem "pressões" e "recados" ameaçadores. Como escrevi na altura em que este processo kafkiano começou, não se atira impunemente a honra de quem quer que seja aos cães com processos sumários ou tentativas de linchamentos públicos. O velho Soares, onde nem tudo é famosamente mau, tem razão nisto: só é derrotado quem desiste de lutar. Cá estaremos.

Segunda-feira, 24.12.12

Um conto português de natal


«Aparece um indivíduo afirmando-se cumulado de títulos e funções (ex-bolseiro da Gulbenkian, consultor do Banco Mundial, coordenador mandatado pelo Secretário-Geral da ONU, professor universitário), desdobra-se em entrevistas à imprensa, a reuters certifica-o, senta-se nas mesas redondas das intermináveis parlapatanices televisivas, é orador convidado em jantares promovidos pelas mais desvairadas instituições - umas sérias, outras nem tanto - ganha respeitabilidade sentando-se com Bagão e Maria Barroso, é coqueluche de blogues.O país rende-se-lhe, ouve-o, exulta com o tom de milagre no ar das boas novas que debita. A crise não existe, a dívida é uma ilusão, quem tem culpa é o governo. O Cagliostro de trazer-por-casa, o Rei da Ericeira, o novo pasteleiro do Madrigal continua, alarga-se a multidão de seguidores. Para mais, é de esquerda, cidadão empenhado, abaixo-assinante em tudo que envolva amanhãs cantantes, senador da esquerda revolucionária, defende um onírico "ministério da Felicidadetudo aquilo que faz pergaminhos e confirma brasão e título. O português, maioritariamente semita ou berbere, acredita em elixires, em sinais e presságios, curas milagrosas. É contra tudo e de tudo duvida, não ouve a razão, desdenha da clareza, mas se lhe surgir pela frente um António Conselheiro - e tantos têm sido os messias ao longo dos quarenta anos que levamos deste regime - transfigura-se, adere cegamente, não balbucia. O fim do mundo passou, e com o alívio do não cumprido armagedão, o falso Dom Sebastião é posto a descoberto. Seixas da Costa ainda protesta a presunção de inocência, outros descalçam as botas que ajudaram a fabricar para o novel marquês de Carabas. Mas para este caso não vai haver uma cela na Bastilha, uma galé ou uma carnificina no Paço da Ribeira. Isso era dantes. No paraíso da Dona Branca, de Vale e Azevedo, Alves dos Reis e Duarte Lima, permite-se que haja mágicos, conquanto seja apenas um de cada vez. Ao longo da vida todos temos conhecido a mais diversa casta de aldrabões, mentirosos e falsários aos pés dos quais são depostos os mais sonoros pachões e os mais cheirosos pivetes. Já o meu saudoso pai me advertia: "não te aproximes demasiado", "isto não é gente de confiança", "estão sempre prontos para todo o tipo de habilidades e, depois, paga quem foi ingénuo". É altura, caros leitores, de duvidarmos por princípio, duvidar sempre, até prova em contrário. Bom Natal no grande Rilhafoles em que se transformou Portugal !»
Adenda: O Miguel, de facto, diz o fundamental do enorme embuste que é a nossa vida mediática à qual bastou um pequeno episódio digno de circo de província para a casa vir abaixo (não vem porque não temos vergonha na cara). Por outro lado, é interessante - estou a ser benevolente por causa das tréguas natalícias - ver como os actuais magos da opinião que se publica e vê, mais encostada ao socratismo dos últimos dias e ao bota-abaixismo persistente em relação à "situação", se tentam desembaraçar do embaraço mediático provocado por um pantomimeiro qualquer que alegrou e certificou por magros dias as suas "certezas". Não se iludam. As nossas "elites" são mesmo assim - um híbrido sórdido entre o sistémico, o oportunismo puro e o lunar.
Sábado, 26.05.12

A derrota do pensamento

 

Num país medianamente adulto e civilizado, em que, apesar da falta de dinheiro, exista um módico de equilíbrio intelectual, moral e deontológico, a longa intervenção do dr. Carlos Moreno - meu antigo dirigente enquanto Inspector Geral de Finanças e juiz jubilado do Tribunal de Contas -, numa comissão parlamentar, sobre essa calamidade pornográfica que dá pelo nome de "parceria público-privada", faria manchete em qualquer órgão de comunicação social escrito, falado, informatizado ou televisionado. Mas a prioridade continua a ser dada, para usar a oportuna expressão do Presidente francês François Mitterrand (que não me cansarei de repetir as vezes que forem necessárias), à tentativa "multidisciplinar" de atirar a honra das pessoas aos cães, com o devido respeito pela indisputável lealdade destes animais quando comparada à dos homens. Em certo sentido, de facto nós não chegámos ao que chegámos - pobres, resgatados internacionalmente, miseráveis nos instintos - apenas porque há PPP's e pérolas semelhantes. A coisa é mais funda. O regime, sensivelmente a meio do "cavaquismo", deixou-se capturar por poderes que não são escrutinados eleitoralmente. A sociedade também. Fica um lastro de derrota do pensamento porque, precisamente, esses poderes fácticos (privados ou públicos, tanto faz, mas essencialmente entregues a invertebrados "transversais" e a "sobreviventes" profissionais) existem para evitar que as pessoas parem para pensar. O desastre, apesar de económico e financeiro, é sobretudo humano e cultural. Um dia lamentaremos estes quase quarenta anos de regime da mesma forma como outros lamentaram os quarenta e oito de "fascismo". Há método nesta loucura como em Hamlet? Há e ele entra-nos todos os dias em casa pelas televisões, pelos tablets, pela rádio, pelos jornais. Carlos Moreno explicou uma parte do problema mas apareceu logo um clown a exibir o método no que foi seguido de imediato pela habitual turpe circense dos idiotas úteis. A outra parte do problema, por consequência, reside em subestimar-se o poder de gente estúpida em grandes grupos. Grupos no sentido de magotes e grupos propriamente ditos.

Quinta-feira, 16.06.11

DA EXERCITAÇÃO

Não estará na hora - quando o novo ministro da justiça tomar posse - da senhora directora do Centro de Estudos Judiciários ir "exercitar-se" para outro lado?
Quarta-feira, 15.06.11

BANDALHOS

Gente que pretendia vir a administrar a justiça ou a conduzir a acção penal, respectivamente nos tribunais portugueses e no Ministério Público, foi "apanhada" a copiar em exames no Centro de Estudos Judiciários, uma instituição que, nos últimos tempos, entrou manifestamente em decadência. Mesmo assim, deram-lhes nota 10 e o lamentável sindicato dos juízes apenas acha a coisa "lamentável". Mas nem por isso deixam de ser uns bandalhos.
Quinta-feira, 02.06.11

NOTÍCIAS DO SNI


Lusa ou "lusita"?
Quarta-feira, 25.05.11

AS "MANIFESTAÇÕES ESPONTÂNEAS" DE SÓCRATES


Depois dos imigrantes, os peixes. «O PS está a oferecer aos militantes e apoiantes de Penafiel uma visita ao oceanário Sea Life do Porto, no domingo, como contrapartida da presença no comício com José Sócrates, no mesmo dia à tarde. Mais de 200 pessoas já reservaram lugar num dos vários autocarros que fazem a viagem até ao Porto, que também é oferecida pelo PS. A chegada ao Porto e a visita ao oceanário está marcada para as 10h30, seguida de piquenique no Parque da Cidade. No convite, os socialistas avisam que não pagam o almoço e que por isso cada um tem de levar a sua merenda. Às 16h00, têm de embarcar rumo à praça D. João I, no centro do Porto, local do comício com Sócrates. Quem não for ao comício arrisca-se a perder a boleia de regresso a Penafiel», lê-se num
Segunda-feira, 09.05.11

REPELENTE


Da "escola" do "sr. Sócrates", lido pelo Financial Times, é o sr. Ascenso. Todavia, o tom é mais gutural, primitivo, de acordo, aliás, com a triste figura. E chegou a secretário de Estado embora agora aufira uns modestos € 189 mil/ano na "entidade reguladora dos serviços energéticos". Apenas repelente.

Adenda: Por falar em repelentes/repetentes.
Sábado, 07.05.11

LEVIANDADE

Em Portimão, falou de "leviandade" com a leviandade dos indiferentes a tudo que não lhes diga respeito. A leviandade que, seis anos depois, nos trouxe até aqui, a este começo de viagem ao fim da noite como explicou o PR. Se o país continuasse entregue a este leviano shallow, em muito pouco tempo estaríamos de novo perto do lixo. Já que ele não tem vergonha, haja quem tenha.
Quinta-feira, 05.05.11

AS PATRULHEIRAS


Dois exemplos femininos da pide rosa choque.
João Gonçalves | link do post | comentar

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