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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Não, drs. Costas e Passos Coelho

João Gonçalves 22 Dez 15

 

Tudo indica que, amanhã, o PSD juntará de alguma maneira os seus votos aos do PS para viabilizar um orçamento rectificativo. Na "base" desta geringonça intercalar está a decisão política de, através de dinheiros públicos, "confortar" a venda do Banif por 150 milhões de euros. O "conforto" custa à cabeça mais de 2 mil milhões e pode chegar ao dobro. Parece que Bruxelas - que sistematicamente vetou todas as propostas de reestruturação que lhe chegaram - também ficou muito feliz com esta "inteligente" (o termo é do dr. Passos) medida. Ou seja, por ter mudado o governo não mudou a obsessão financista que domina o "pensamento" europeu à custa da manobra fiscal. Aquando do BES o Estado andou bem ao proteger à cabeça os contribuintes embora a novela persista inconcluída. Agora foi ao contrário aparentemente sob a direcção e complacência do "tempo novo". Só o PC se demarcou claramente do esbulho anuncicado. O Bloco, qual Pilatos, põe "condições" sem se rir. E sem meditar nas consequências para as intervenções ardilosas a perpetrar pela dra. Mortágua em futuras comissões parlamentares. No centro desta calamidade de final de ano está a "autoridade de resolução", o BdP que, há anos, pelo menos desde o sorriso permanentemente idiota de Constâncio, aprecia apascentá-la deflectindo sobre o inerme pagador de impostos. Não, drs. Costas e Passos Coelho. Resolvam lá isso entre V.Exas. Não façam peso.

Vão bardamerda

João Gonçalves 21 Dez 15

 

Nem eu nem muitos dos contribuintes temos culpa de haver pessoas com depósitos bancários superiores a 100 mil euros. E, muito menos, que essas pessoas tivessem escolhido o Banif para os lá pôr. É claro que os haverá com valores muito inferiores. Tal como não consta das funções de soberania do Estado a salvação de companhias aéreas comerciais, também não se vislumbra que as ditas funções abranjam contas bancárias. Fala-se na salvaguarda da "diáspora", uma conversa de chacha que toca por igual aos aviões. Porque o que releva verdadeiramente é ter de se reconhecer que o sistema financeiro português e a sua supervisão são, por junto, duas imensas falácias. Como aos mortais nada é dado de graça, as "facilidades" que os bancos vinham "oferecendo" desde os anos 80 mais tarde ou mais cedo acabariam por ser pagas pelos tansos. Mesmo pelos que nunca usufruíram dessas "facilidades", tipo carro, casa e frigorífico "chave na mão". Ou pelos que nunca tiveram "poupanças" a render aqui ou ali porque "dava mais". No reino da rapacidade e da usura, a "diáspora" é identificável. Foi assim no BPN, no BES e agora no Banif. Neste o Estado estava estupidamente a 60%. Agora chegou-nos a factura de algo que não pedimos. Vão bardamerda.

Um destino

João Gonçalves 17 Mar 15

 

Primeiro foi o dr. Passos, por escrito e de mansinho. A seguir, de viva voz, o dr. Portas não se privou de imputar ao governador do Banco de Portugal as "responsabilidades" pelas acções e omissões do Estado em relação ao descalabro anunciado do BES. Falta o Doutor Cavaco que se louvou naquilo que o dr. Carlos Costa lhe terá contado para falar publicamente no assunto antes do fim. Este isolamento político do dr. C.Costa traça-lhe aparentemente um destino.

E os bancos lá se separaram. A "doutrina", como no direito, dividiu-se sobre o exercício sobretudo por causa do financiamento do "fundo de resolução" bancária. Descapitalizado, obrigou à entrada de quase 5 mil milhões oriundos de uma verba para o efeito que integrava o "pacote" da troika (o que quer dizer que ela vai continuar a "andar por aí" mesmo sem andar). A "ideia" é apresentar rapidamente um banco "limpinho" a potenciais investidores privados. Se não for rapidamente, o "novo banco" acabará fatalmente por encarecer. E por nos encarecer. A ministra das finanças revelou, numa entrevista à sic, confiança e segurança. Em termos políticos, esteve bem. Em termos financeiros, só a passagem do tempo sobre o "novo banco", e o ainda ambíguo "mau banco", o dirá.

Não há "lados bons"

João Gonçalves 2 Ago 14

 

Agora há um "lado bom" e um "lado mau" no BES. Parece que a chamada "linha de recapitalização" a que aquele banco não recorreu - e que consta do "pacote" dos 78 mil milhões vindos da troika sobre os quais pagaremos avultados juros até à cova - vai entrar amanhã de serviço. Depois, aparentemente separam-se os ditos "lados" (o "bom", depois de bem apuradinho, será vendido a privados) e arranja-se um "veículo" para gerir o "mau", isto é, para transportar o "lixo tóxico" e logo se vê. Ora se olharmos para o passado recente que é, ainda, um doloroso presente, esta conversa é uma velha conhecida também resumida a três letrinhas apenas: BPN. A "parte boa" desta coisa foi vendida praticamente a patacos (30 milhões) ao BIC e a "má" anda por aí nos "veículos" respectivos cujo "combustível" tem sido subsidiado por nós, incluindo os "trastes" dos trabalhadores do Estado e os pensionistas. Nunca há um lado bom nestas coisas.

 

Adenda de domingo: No telejornal da sic, da hora do almoço, ouço o simpático vidente Marques Mendes sobre esta maravilhosa temática. Ele "deu" a solução para o BES que, em grande parte, corresponde ao que já estava escrito. A "novidade" vem com o chamado "fundo de resolução" da banca (que vai avançar para o "lado bom" do "novo" BES) e que é constituído por "contribuições" dos diversos bancos em caso de aflição de algum ou alguns deles. Sucede que o "fundo", para já, não chega a 200 milhões de euros. E o abismo Espírito Santo, pelo menos o contabilizado, roça os 4 mil milhões. O "fundo", ao pé disto, "resolve" exactamente o quê?

Omertà à portuguesa

João Gonçalves 17 Jul 14

 

«As elites portuguesas não primam pela "ética republicana" e habituaram-se a conviver com uma fórmula que o Exército dos Estados Unidos usava para lidar com os homossexuais: "Don't ask, don't tell." Irregularidades? Negócios suspeitos? Favorecimento de amigos? Tráfico de influências? Não perguntem, não contem. Esta maneira de viver tem consolado todos os comensais e permitido a cada um recolher, à vez, as respectivas fatias do bolo disponível - irmãmente, como se dizia dantes. Foi este regime apodrecido que permitiu que o devotamente chamado "único banqueiro" do país - e hoje tratado como cão pelos que o incensavam - chegasse onde chegou, com o risco enorme de arrastar meio país consigo. O BPN não era um banco sistémico, o BES, pertença do Grupo Espírito Santo, é um banco sistémico. Dito de outra maneira: é como se fosse o nosso Lehman Brothers. E neste momento não se sabe o fim da história. A ideia de que o Banco de Portugal teve um comportamento exemplar - ao contrário do que se tinha passado com o anterior governador, Vítor Constâncio, relativamente ao BPN - é uma teoria que resiste tão bem aos testes de stresse como resistiu o BES durante estes anos de avaliações europeias. Em Fevereiro de 2013 - há quase ano e meio -, depois de o i noticiar o esquecimento de 8,5 milhões na declaração de impostos de Ricardo Salgado, o Banco de Portugal trata de produzir um raro comunicado em que declara toda a sua confiança em Ricardo Salgado. Sim, o Banco de Portugal tinha pedido "explicações", mas depois disso ficou muito satisfeito. Naquela peça não tão antiga assim, o governador afiança que "as informações recolhidas pelo banco não fundamentam as suspeitas lançadas pela comunicação social". Enquanto o poder de Ricardo Salgado parecia imutável, o Banco de Portugal preferiu lançar as culpas para o mensageiro. Não foi o único: este é o modo de actuar da elite portuguesa, que só se distancia dos seus quando estão mortos. O BES é o regime, a crise do BES é a crise do regime.»

 

Ana Sá Lopes, i

Tirar o caso a limpo

João Gonçalves 12 Jul 14

 

«O público ingénuo, já que vai tarde ou cedo pagar o custo desta lamentável embrulhada, gostava de conhecer, indivíduo a indivíduo, quem andou metido na longa e perversa relação do Banco Espírito Santo e do Grupo Espírito Santo (e dos seus representantes) com o Estado, que o puseram na presente miséria. Não é pedir muito. É só pedir que a longa irresponsabilidade em que se viveu durante mais de 30 anos seja exposta e punidos os seus principais promotores. Os portugueses gostariam com certeza de saber as linhas com que os coseram (e bem) e deitar a mão à gola de quem andou a mandar neles sem sombra de legitimidade ou vergonha. Calculo as dificuldades desse trabalho. Mas, difícil ou não, não devemos continuar sem ele. Ainda por cima, a famigerada “promiscuidade” do Banco Espírito Santo e do Grupo Espírito Santo não se ficava pelo Estado e, calculo, poucas vezes tinha um carácter formal. Na maior parte dos casos assentava numa intimidade “social” (almocinhos, jantarinhos, férias por aqui e por ali), em que se estabelecia a confiança, necessária aos “favores” que os parceiros se prestavam e às manobras em que colaboravam. O sentimento de impunidade que cobria estes suavíssimos costumes não prometia nada de bom e era uma maneira quase clandestina de governar o país. As dívidas do Grupo Espírito Santo e a queda do valor do BES não passam das consequências naturais de trinta e tal anos de arbitrariedade escondida, em que tudo era literalmente permitido. Esperemos que desta vez se tire o caso a limpo.»

 

Vasco Pulido Valente, Público

Já chega

João Gonçalves 5 Jul 14



A lamentável novela BES aparentemente conheceu o seu epílogo - como envolve uma família desavinda e ambiciosa verdadeiramente não tem um desfecho claro - com a escolha de Vítor Bento para presidente executivo. Leva com ele o dr. Moreira Rato que se distinguiu ultimamente pelas vendas de dívida pública. E também lá há-de aparecer Paulo Mota Pinto numas funções quaisquer, não executivas. O dr. Bento é, segundo consta, uma extraordinária luminária económico-financeira. Esteve para ocupar o lugar de Vítor Gaspar antes de Vítor Gaspar. Defende a ortodoxia orçamental em vigor, embora enxergue para além dela e, sobretudo, é adversário de qualquer renegociação ou requalificação da dívida. Está no Conselho de Estado por indicação presidencial mas deveria abandoná-lo, como lhe compete, nestas novas funções. Assim, de repente, e como escreve o Pedro Santos Guerreiro, parece "bem" desde que não pareça outra coisa. Julgo estar relativamente fresca a lembrança das relações do poder político-partidário, na circunstância socialista, com alguma banca comercial e semi-comercial. Espero que ninguém no PSD e afins pense declinar o mesmo deliberado e perverso equívoco. O derradeiro parágrafo do texto de Santos Guerreiro não pode ter respostas positivas às questões que coloca. Já chega.

A angústia da influência

João Gonçalves 21 Jun 14

Conta-se que o dr. Passos e a dra. M. L. Albuquerque recusaram dar a mão, por interposta CGD, a Ricardo Salgado, conhecido no "meio" pelo DDT, "o dono disto tudo". E que, por isso, o presidente do BES teve de recorrer a Luanda. Vem no Expresso onde, no 1º caderno, já vimos passar publicidade ao BCP, ao BES e, agora, ao BIC. Devem saber do que falam. Politicamente, o primeiro-ministro e a ministra da finanças "ficam bem" nesta versão. Porque se há coisa que caracteriza o regime é a promiscuidade com o sistema financeiro representado fundamentalmente por três ou quatro bancos. A transumância entre cargos governativos e cargos executivos e não executivos nos bancos é conhecida e é, famosamente, comum ao chamado "arco da governação". Da Caixa, nem se fala, pela natureza dela. Mas desde o famoso BPN a outra banca comercial mais ou menos conspícua, a tentação passou à acção. Os exemplos não faltam. Oliveira e Costa, Dias Loureiro, António Monteiro, Celeste Cardona, Norberto Rosa, Armando Vara, Mira Amaral, Paulo Macedo, Luís Amado, Jaime Gama ou Paulo Mota Pinto, agora no BES, são apenas alguns nomes que ocorrem do passado recente e do presente. Também ocorreu há pouco tempo o contrário com uma secretária de Estado recrutada ao BES (parece que vai para a nova administração) e um outro infeliz, o dos "swaps", que foi dissolvido rapidamente num briefing Lomba. E os Salgados, os dois primos desavindos, eram visitas assíduas do poder independentemente da cor. Apesar de tudo o que já aconteceu com a banca, é improvável que o "peso" de figuras como a família mencionada ou de outros desapareça, por obra e graça do supervisor, da influência regimental. As cumplicidades e as amizades transversais são mais que muitas e superam qualquer circunstancial angústia.

Salgado político

João Gonçalves 26 Out 13

O dr. Ricardo Salgado, do BES e um dos "donos" disto, deu uma conferência de imprensa para falar dos resultados do seu banco. E do país. Segundo o dr. Ricardo, o BES fechou as contas de Setembro com um prejuízo de 381 milhões de euros que compara com o lucro de mais de 90 milhões no período homólogo do ano passado. Atribuiu, no essencial, estes valores ao "ajustamento" que também atingiu o sistema bancário. Queixou-se moderadamente dos impostos, da eventualidade de um segundo resgate (mesmo assim, disse, "a Grécia está a melhorar" e a "fazer o seu caminho"), do Tribunal Constitucional (que não pode interromper o processo salvífico em curso nem criar "instabilidade e dúvidas no mercado", sic) e, indirectamente, da forma como a política (o governo) gere as relações com Angola onde ele esteve duas vezes em pouco tempo. No fundo, o dr. Ricardo Salgado falou mais como político do que como banqueiro embora, hoje em dia, as coisas tendam a confundir-se. Podia perfeitamente, e com outro proveito, fazer o lugar vago do dr. Machete.

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