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portugal dos pequeninos

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Não se queixe

João Gonçalves 7 Jun 14

 

As declarações do Presidente da República sobre os "agentes políticos" (não imagino o que é que ele imagina que é) e sobre o "estado da arte" a que ele preside como se fosse intangível, revelam que o Doutor Cavaco não vê a hora de chegar aquele salvífico momento, fixado na Constituição, a partir do qual um Chefe de Estado em final de mandato fica inibido de poder praticar certos actos. Mas existe pelo menos um a que não se poderá furtar, o de ainda dar posse a um governo que suceda ao actual, com ou sem a previsibilidade (uma palavra que tanto aprecia) do calendário eleitoral. E, ironia das ironias, com tantas cautelas e "palavras" acumuladas para nada, o Doutor Cavaco pode bem vir a ser "obrigado" a empossar a declinação 2014-2015 do PS de 2011 - que o execra sem dó nem piedade - e relativamente ao qual foi bem claro no discurso de retoma de mandato. Porque, como escreve Ana Sá Lopes, «não deixa de espantar esta onda de sebastianismo a crescer à volta de António Costa, que junta gente muito muito à esquerda do PS com gente muito, mas muito à direita do PS, numa salada de frutas inesperada. Uns acreditam que Costa será o homem que fará a ponte à esquerda (com os exemplos de Roseta e Sá Fernandes em Lisboa). Outros que fará o bloco central com Rui Rio ou com alguém do PSD que não se chame Coelho. Outros ainda que "a abrangência" fará o PS conquistar num ápice a maioria absoluta. António Costa está a ser santificado na praça pública: o Messias está a chegar ao Largo do Rato. Convinha que se discutisse política. Retirando a saudação à herança Sócrates e uma avaliação mais correcta das origens da crise, Costa não disse nada que ficasse no ouvido. Mas parece que a sedução chega.» Deixe-se, pois, estar im-pressionável, Doutor Cavaco. Depois não se queixe.

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