Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Desobedecer ao "acordês"

João Gonçalves 13 Mai 15

 

Basta atentar em títulos de jornais, capas de livros, rodapés das televisões, no "Diário da República", em documentos e "sítios" oficiais, oficiosos e "institucionais" para se ter uma dolorosa ideia do desastre a que conduziram as "facultatividades", as "cláusulas de excepção" e as duplas grafias do "acordo". Os alunos, cuja dificuldade com o Português é conhecida e tragicamente demonstrável, ficaram reféns de uma "novilíngua" imposta pelos manuais escolares pelo que corremos o risco de à "mais bem preparada geração" seguir-se "a mais iletrada e analfabeta". Os miúdos não sabem como escrever o que os afastará do gosto de ler. Penalizá-los nos exames por não seguirem o "acordês" não reforça a disciplina mental indispensável à aprendizagem. Apenas confunde e atemoriza. Porque passa a ser considerado "erro ortográfico" escrever em português e não em "acordês", esse aleijão a meio de lugar nenhum que Crato resolveu apascentar. Por outro lado, insistir no argumentário vulgar da "lusofonia" para defender o "acordo" releva da má-fé política e da ignorância histórica. Como sugeria Vasco Pulido Valente pouco tempo após o Governo do doutor Cavaco Silva, por interposto secretário de Estado Pedro Santana Lopes, ter subscrito o dito "acordo", "nada em princípio impede Lisboa de se tornar o centro do estudo do português: não só do português de Portugal, mas do português do Brasil e do português de África". E acrescentava: "Convém talvez lembrar que até ao século XVIII não havia outro senão o nosso e que mesmo a literatura brasileira permaneceu até muito tarde tributária dele. O que impede, na prática, que isso aconteça é a política pacóvia de "afirmação cultural"", agora, da patética "lusofonia" que, paradoxalmente, exibirá, findo em 2016 o período de transição brasileira, três tristes normas ortográficas. Legislar sobre uma língua, na afirmação de Miguel Tamen, é uma tontice e outra maior ainda é "imaginar que leis sobre a língua possam ter efeitos". Um, todavia, com certeza terá. O da desobediência.

 

Jornal de Notícias

 

7 comentários

De Ideias e Baleias a 13.05.2015 às 16:40

"Um, todavia, com certeza terá. O da desobediência."
Sim, certamente.

De Marquês Barão a 13.05.2015 às 21:54

E os que sempre foram analfabetos, antigos e modernos, vão junto para a fogueira? Ainda irei verificar se por exemplo querem cágado ou cagado, mas garantidamente escreverei sempre ao oírartnoc

De Marquês Barão a 14.05.2015 às 12:28

http://ponteirosparados.blogspot.pt/2015/05/de-dedo-bem-erguido.html (http://ponteirosparados.blogspot.pt/2015/05/de-dedo-bem-erguido.html)

De Pedro a 15.05.2015 às 11:16

É tal e qual. Um povo que sempre escreveu tão bem, vai passar a escrever mal. Ó tragédia, ó ignomínia, como dizia o velho servo do grupo de teatro do Grandela.... João Gonçalves, o meu filho anda no 6º ano, já aprende "acordês" na escola, e não o noto mais atemorizado e confuso. Confuso ficaria ele a ler o seu texto. E divertido ficará ele a lê-lo daqui a mais uns dez anos, como eu já agora estou.

De t.c. a 16.05.2015 às 16:46

Tem toda a razão Pedro. Aliás, a reforma de 1911 transformou por completo Portugal e depois o Brasil, pondo-os no alto da lista dos países mais analfabetos, respectivamente, da Europa e do mundo.<br />Já os tristes países onde se escreve com ph - a França, a Alemanha, e o mundo anglo-saxónico morrem de inveja do nosso progresso.

De anónimo a 16.05.2015 às 11:42

O tio Luís, que era talassa, morreu em 21 a escrever à 1910 e na hora monárquica. Gostamos imenso dele.

De Anónimo a 17.05.2015 às 05:32

Os ingleses escrevem todos à 1910. Escrevem até à 1810. <br />Gente pouco sofisticada. <br />Nem todos podemos ter a vida intelectual pujante dos brasileiros. Há quem diga que daqui a 30 anos estarão quase ao nível do Zimbawé.

Comentar post

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Últimos comentários

  • André

    Gosto muito da sua posição. Também gosto de ami...

  • Maria

    Não. O Prof. Marcelo tem percorrido este tempo co...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, no meio da abundante desregulação ...

  • António Maria

    Completamente de acordo.Ontem tive vergonha de ser...

  • Fernando Ferreira

    Caríssimo João, «plus ça change, plus c'est la mêm...

Os livros

Sobre o autor

foto do autor