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portugal dos pequeninos

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Ao cuidado do dr. Passos Coelho

João Gonçalves 3 Jun 15

Passos Coelho concorre à sua própria sucessão num contexto de liderança incontestável da coligação e do Governo em funções. Razão acrescida para não dar lastro a solturas infelizes de ministros, ou ajudantes deles, que se imaginam politicamente subtis: Paulo Portas pode ter muitos defeitos mas pensa sempre melhor que qualquer um deles. Dito isto, fica claro que defenderei, à minha maneira, a continuação de Passos Coelho à frente do Governo do país. Não estamos em condições nacionais e europeias para preferir aventureirismos revanchistas a um módico de estabilidade, segurança e prudência. A incerteza, a imprevisibilidade, o atomismo de uma crise que ainda não terminou, e de outra que pode seguir-se sem aviso prévio, não aconselham experimentalismos nem regressos ao passado e ao passivo depois dos sacrifícios sofridos e, em tantos casos, em curso. Passos Coelho e a coligação têm agora a obrigação política e moral de se despedir do austeritarismo financista, das abstracções liberalóides dos últimos anos e da pequena burguesia de espírito que triturou gratuitamente amizades e lealdades. E, sem ceder em verdade, rigor ou à demagogia, assegurar pura decência de vida às pessoas. António Costa não o pode fazer. Está sentado sobre o ressentimento; sobre a destituição brutal de uma liderança legitimada pelo voto partidário e duas vezes nacional; sobre o espectro que nos trouxe irresponsavelmente até aqui, à necessidade extrema daqueles sacrifícios, e na solidão política de quem exibe por companhia futura rostos exauridos de passado. As coisas são o que são.

 

Jornal de Notícias (versão original)

 

4 comentários

De observador labrego a 04.06.2015 às 00:23

Meu caro, 
O que Passos vem provar, assim como Vasco Gonçalves provou, é que é possível governar ideológicamente.
Só que, ao contrário do Camarada Vasco, não tem a coragem de explicitar o que pensa, propondo uma Constituição consentânea com a sua ideologia.
Continua a prometer à criancinha que não irá mexer (mais) na reforma da sua avozinha ... Ok! era 1º de Abril.
No final, como sempre, os do costume pagarão, como sempre, a conta...

De fado alexandrino a 04.06.2015 às 14:08

A sua crónica (versão original) é demolidora.
O JN, pelo menos na parta de opinião tornou-se no órgão oficial e oficioso de propaganda do PS.
Estou curioso de saber quanto tempo vão aguentar a sua deriva.

De José Machado a 04.06.2015 às 18:43

Atente no que escreveu: «A incerteza, a imprevisibilidade, o atomismo de uma crise que ainda não terminou, e de outra que pode seguir-se sem aviso prévio, não aconselham experimentalismos nem regressos ao passado e ao passivo depois dos sacrifícios sofridos e, em tantos casos, em curso. Passos Coelho e a coligação têm agora a obrigação política e moral de se despedir do austeritarismo financista, das abstracções liberalóides dos últimos anos e da pequena burguesia de espírito que triturou gratuitamente amizades e lealdades. E, sem ceder em verdade, rigor ou à demagogia, assegurar pura decência de vida às pessoas.» 


Se achar coerência no que disse, limpe as mãos à parede! Com que então afirma que ainda se está em crise, que esta é imprevisível e outra se lhe pode seguir e depois quer que Passos Coelho, em quem vai votar (depois de 4 anos de ressabiamento e destoamento crítico geral), tenha uma programa que deve ser qualquer coisa de muito parecido ao que Costa quer sem ser ele a fazê-lo (a tal vontade de fugir ao austeritarismo e ao liberaloidismo)! Que é feito do seu sentido crítico? Andam no ar as sinecuras? 

De João Gonçalves a 04.06.2015 às 19:43

"José Machado", apesar da profundidade imbecil do seu comentário sempre lhe direi duas coisas. A primeira, e óbvia, é que entre duas pessoas que ambicionam pastorear isto nos próximos tempos prefiro uma à outra. Não é complicado. Dos quatro anos a que alude, dois passei-os no governo, neste, com dois ministros diferentes. Nem por isso deixei de dizer o que achei que devia dizer, em privado ou sem ser em privado, pelo que não estou "ressabiado" com nada. "Destoei" e não"destoei" criticamente sempre que entendi e não fui propriamente "perseguido" nem "promovido" por isso. O que leva à segunda coisa. Se "andasse às sinecuras", concebe que escrevesse o que escrevo ou a sua limitação cognitiva não lhe permite enxergar sem ser a preto ou a branco?

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