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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

A bater bolas

João Gonçalves 27 Jun 14

 

Por esta hora, os "carregadores" dos "sonhos e da esperança" dos portugueses estão a fazer os malotes. O "melhor jogador do mundo" - também conhecido pelos penteados originais, pelas contas-poupança, pelos champôs e pela griffe em cuecas - não foi além da marcação de um golo no Brasil. As conferências de imprensa dos jogadores, dos médicos, do treinador e dos "federadores" retrataram melhor o país do que cem debates sobre o "estado da nação" ou as infinitas sessões comentadeiras de cá para lá perpetradas pelos tagarelas do costume: aquilo era, de facto, o "estado da nação". Talvez para não acabar tão abruptamente com os referidos "sonhos e esperanças", o senhor Presidente da República decidiu continuar a "bater bolas" convocando um Conselho de Estado irrelevante para presumivelmente discutir a "clara noite do nada" (Heidegger) em que consiste o presente e o futuro desta traquitana absurda chamada Portugal. Como se isto não bastasse, o dr. Passos andou pelo "cemitério dos portugueses", em França, a carpir os mortos domésticos da Guerra 14-18. O gesto é inequivocamente bonito e patrioteiro mesmo que a história subjacente não seja a mais edificante. No dia 9 de Abril de 1918, o mítico Corpo Expedicionário Português, quase todo enfiado no dito cemitério, foi literalmente dizimado pela ofensiva alemã chefiada por Ludendorff depois da debandada dos britânicos em cujo exército o CEP estava integrado. Os pobres dos portugueses ficaram, como sempre estiveram, entregues à sua má sorte e à sua irremediável iliteracia: não sabiam inglês e não perceberam a tempo que tinham pura e simplesmente de fugir. Ironia das ironias, tudo aconteceu no dia em que os ingleses se preparavam para render os esfarrapados militares do CEP em La Lys. Esse local acabou por se tornar famoso e por tornar famosos aqueles mortos heróicos, os únicos que temos para apresentar nos "teatros de guerra" em que participámos no século passado. Porque a má consciência, o temor reverencial e o "fardo" de Kipling impedem-nos de nomear os "heróis" da "guerra colonial". Os de La Lys foram simplesmente abandonados ao seu esforço inglório e à sua dramática ignorância. Passaram cem anos e continuamos a não ser exemplo para ninguém em lado algum.

2 comentários

De fado alexandriuno a 27.06.2014 às 18:35

Sim, possivelmente tem muita razão em tudo o que escreve neste post.
Mas temos que ser sinceros, o calor e a humidade eram tremendos e os nossos jogadores não estavam, nem podiam estar habituados aquele terrível clima, o Eusébio e o Coluna tinham sido úteis, mas já cá não estão.
Mas o próximo é na Rússia e se Napoleão e Hitler lá perderam porque era Inverno, nós jogaremos no Verão em temperaturas amenas.
Vai ser o nosso ano se o CR7 aguentar com os seus 33 aninhos.
Eu aposto.

De João Gonçalves a 27.06.2014 às 20:07

Fado, já devia ter percebido que o "destino" da selecção da bola me é indiferente. Nem sequer uso o plural majestático para me referir a ela quanto mais pronomes possessivos.

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