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portugal dos pequeninos

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Uma correcção da prova de português

João Gonçalves 17 Jun 13

 

Contra todas as "previsões" os exames acabaram por se multiplicar como as rosas que eram pães que eram rosas milagrosas da Rainha Santa Isabel. E as percentagens também estiveram prestes a rebentar a escala dos 100% - nos exames, nas greves, no saber dos alunos. Até o latim, essa desprezada língua mãe, obteve uma assinalável comparência apesar de serem pouco mais de cem os esforçados anacrónicos no "todo nacional". No meio desta balbúrdia aparentemente calma apareceram Fernando Pessoa e o dr. Lobo Antunes que não tiveram direito nem a conferências de imprensa, nem a "associações de pais", nem a sindicatos ou, sequer, a um ministério. Um "evento" - e os protagonistas - como o de hoje tem direito a, pelo menos, uma "correcção" para o Pessoa que surpreendeu os meninos em forma de Alberto e Ricardo. Ofereço a de Cesariny porque, como escreve um leitor num comentário, preciso saciar «a imensa sede narcísea que [me] define». E, assim com assim, ficam celebrados à conta do extraordinário "estado da arte" do dia (e dos próximos que se lhe seguirão) os dez anos deste blogue que passaram na semana transacta perdidos entre o inesquecível e elvático 10 de Junho e os bons vinhos transmontanos da feira da agricultura. Boa noite, boa sorte e "pão de ló molhado em malvasia" para todos.

 

O Álvaro gosta muito de levar no cu
O Alberto nem por isso
O Ricardo dá-lhe mais para ir
O Fernando emociona-se e não consegue acabar.

O Campos
Em podendo fazia-o mais de uma vez por dia
Ficavam-lhe os olhos brancos
E não falava, mordia. O Alberto
É mais por causa da fotografia
Das árvores altas nos montes perto
Quando passam rapazes
O que nem sempre sucedia.

O Fernando o seu maior desejo desde adulto
(Mas já na tenra idade lhe provia)
Era ver os hètèros a foder uns com os outros
Pela seguinte ordem e teoria:
O Ricardo no chão, debaixo de todos (era molengão
Em não se tratando de anacreônticas) introduzia-
-Se no Alberto até à base
E com algum incómodo o Alberto erguia
Nos pulsos a ordem da kabalia
Tentando passá-la ao Álvaro
Que enroscado no Search mordia mordia
E a mais não dava atenção.
O Search tentava
Apanhar o membro do Bernardo
Que crescia sem parança direcção espaço
E era o que mais avultava na dança
Das pernas do maço de heteronomia
A que aliás o Search era um pouco emprestado
Como de ajuda externa (de janela ao lado)
Àquela endemonia
Hoje em dia moderna e caso arrumado.

Formado o quadrado
Era quando o Aleyster Crowley aparecia.
«Iô Pan! Iô Pã!», dizia,
E era felatio para todos
e pão de ló molhado em malvasia.


Mário Cesariny de Vasconcelos, O Virgem Negra - Fernando Pessoa explicado às criancinhas naturais e estrangeiras

5 comentários

De luisa a 18.06.2013 às 11:30

Ver à cabeça do post a capa do Cesariny preparou-me para as boas gargalhadas que dei a seguir. E também gostei do recado final : ''pão de ló ..''. Quando anda tudo por aí mal disposto sorumbático nervoso para não dizer raivoso sabe bem o refúgio na poesia. Viva o Latim! Viva a imensa sede 'narcísea' que o define Grata pelos risos !

De PALAVROSSAVRVS REX a 18.06.2013 às 11:49

Um grande e afectuoso abraço ao meu blogger absoluto. E parabéns pelos 10 anos geniais que muito me marcam.

De Bastos a 18.06.2013 às 17:43

Que falta de gosto! Como é possível dar valor à obscenidade venha ela de onde vier?!
Bastos

De Alblopes a 19.06.2013 às 15:46

Concordo plenamente com o seu desagrado!E direi mais:talvez não volte mais a este blogue!

De Bastos a 21.06.2013 às 00:12

Não gostei, mas não altero o saldo muito positivo deste blogue.
Bastos

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