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portugal dos pequeninos

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Merkel e nós

João Gonçalves 9 Nov 12

 

Só neste pobre país de palonços miméticos é que a visita de escassas horas de Angela Merkel provoca tanto alarido e tanta "indignação". Pode não se gostar da senhora ou nem sequer simpatizar com a sua política europeia. Mas a senhora foi eleita pelos alemães parecisamente para não fazer uma figura muito diferente da que tem estado a fazer. A Europa, e Portugal por tabela, está refém dela? Não só, mas também. Do que está sobretudo refém é da estupidez sistémica que praticamente corre do Atlântico aos Urais. Até nós ajudámos, em anos não muito recuados, a dívida alemã embora muitos dos papagaios que abundam na numerologia ignorem sistematicamente esse dado. A Alemanha podia olhar para fora de forma mais "generosa" até em função disto? Podia, mas a política não se faz com bons sentimentos. Merkel é o que é e nós somos o que somos. Se Merkel é hoje uma omnipresença a culpa decorre do miserável historial doméstico dos últimos anos. Se querem verter tomates, atirem-os antes à cara uns dos outros.

6 comentários

De Isabel Metello a 09.11.2012 às 14:28

Faz parte da matriz do fandango secular encontrar bodes expiatórios- não aprecio o estilo da senhora, mas a responsabilidade matricial está cá dentro e deveria ser assumida por todos os que se encheram à custa do Erário Público, fazendo Portugal naufragar! São as suas extensões que modelam um povo, tendencialmente, analfabeto (incluindo os funcionais) e caracterizado por uma irresponsabilidade cívica de bradar aos Céus que, convenientemente, elegem a Merkel como alvo...Enfim, continuem a proteger os verdadeiros responsáveis, que eles nos bebem o sangue num cálice do vinho do Porto num jantar de cerimónia qualquer ou mesmo num restaurante de luxo, onde, fora do alacance das objectivas são capazes de dar, à saída um bom pontapé num sem-abrigo...

De observador labrego a 10.11.2012 às 00:21

Convinha que alguém ex+plicasse à senhora M. quem:

- este povo de labregos e analfabetos soube a forma do Mundo, muito antes do que o povo dela;
- Para isso, não necessitou de fazer 2 Guerras Mundiais, que muito enfraqueceram a Europa, e a posição dela no Mundo;
- que estes labregos governaram um Império à escala mundial, desde o começo da expansão Europeia pelo Mundo até ao seu final ;

Enfim, podia continuar com o chorrilho, mas o que nunca, mas nunca, se deve a fazer a uma personagem como M., ou um alemão em geral, é não a obrigar a reconhecer que temos uma Ordem e Respeitabilidade própria, e aceitar de mão beijada a da dela.

É claro que metemos o pé na poça, mas não temos de nos esvair, só porque a senhora acha que temos de levar tau-tau e uma lição .

De Nuno Castelo-Branco a 10.11.2012 às 09:37

Precisamente! Merkel está no poder devido à vontade dos exigentes eleitores alemães, gostem ou não gostem os "assistentes" europeus. Quanto ao tal alarido, creio que uma vez mais tem sido muito amplificado pelas trombetas de Balsemão, desde o Expresso às a várias SIC. Tudo isto devido a questões negócios, como sempre acontece. As constantes "ultimas horas", os discursos do demissionário mas ainda activo Louçã, nada mais são senão convocatórias, num infernal martelar que pretende angariar bagunceiros sem tino. O que poderá Portugal retirar de correias avenidas abaixo, disparatdas suásticas exibidas diante dos olhos de uma mulher formatada pelo regime comunista da RDA, tão caro a uma certa esquerda "indignada"? Aconselha-se a prudência que como se sabe, é atitude bastante diversa do medo que pelos vistos, é a tal mola que impele gente a berrar, atirar garrafas de cerveja - previamente esvaziadas, claro - e outras sandices mais.
Merkel vem a Portugal. Que seja recebida normalmente. É o que nos convém, até porque como se sabe, Portugal tem quase nove séculos, não é uma invenção franco-britânica de há uns 190 anos, destinada a aborrecer o Sultão de Constantinopla. Nada de "pedras gregas"!

De Cristina Torrão a 10.11.2012 às 16:37

Parabéns pelo texto!

De Luis a 10.11.2012 às 22:06

Valeu-nos uma grande coisa sabermos que o mundo era redondo antes de os Alemaes. Por um lado, os Alemaes nao necessitavam de o saber pois produziram sempre o suficiente para alimentar dignamente o seu povo sem terem de ir muito longe, o que nao era o caso dos piratas, avidos de sangue e ouro, que fizeram as chamadas descobertas. Por outro, com os problemas da barriga resolvidos,tiveram a liberdade para usar o seu tempo na producao de obras artisticas em lugar de optar por massacres de indios e aprisionamento de pretos. Se tinham a Alemanha, por que carga de agua e quereriam a America ou Africa?

Nao tenho confianca nenhuma nos politicos que nos governam, mas tenho a esperanca de que a Alemanha mantenha a redea curta a escumalha actualmente no poder e que os forcem a tomar as medidas necessarias para sairmos da crise em que mergulhamos por iniciativa dos nossos politicos. E claro que nao iremos muito longe nesta nossa viagem (vai ser muito dificil atingir os niveis de vida da Europa central e do norte), mas se pudermos evitar a miseria atroz dos primeiros 70 anos do seculo XX ja nao e nada mau.

De observador labrego a 12.11.2012 às 00:46

Pois, sem dúvida que, como nós, os Alemães e afins, fizeram obras mui boas.

Quanto a massacres também fizeram os seus, mas, reconheço, foram mais práticos, visto que os fizeram mesmo ao "pé de casa", como seja:

- A "caça às bruxas", com o seu respectivo manual, que difundiram mundialmente;
- duas Guerras Mundiais, que retiraram definitivamente a Europa do centro do Mundo, pelo desgaste humano e material que causaram;
(NOTA - pelos vistos os políticos lá do sítio são mais perigosos e mal formados que nossos.)
- Fundamentação teórica e fornecimento de meios práticos para o massacre sistemático de velhos, " declarados ineptos ou anómalos", ciganos, homossexuais, judeus, e outros de quem não gostavam.

Nós, ao menos e sem sermos santos, levamos um pouco de nós para o Mundo, caro Luís, até porque não tínhamos a barriginha cheia ...

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