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portugal dos pequeninos

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«O NOSSO PORTUGAL"?

João Gonçalves 12 Jul 10


Leio que Cavaco, num "roteiro", disse o que passo a citar.

«É uma coisa muito difícil, este país não é um país nada fácil, mas como eu sou Presidente de todos os portugueses, eles compreendem essa minha posição e a minha vida fica um pouco mais facilitada. (...) É mais fácil a coordenação de uma equipa de futebol, onde há um treinador que manda e eles são apenas 11 a jogar, mas aqui são 10 milhões, portanto não basta uma pessoas para coordenar, é preciso milhares de pessoas a coordenar, uns são Presidentes da República, outros são membros do Governo, outros são presidente de Câmara», referiu, explicando que existe como que «uma mão invisível a fazer a coordenação». «E, no fim de tudo, isto acaba por funcionar, o nosso Portugal.» Interrogado depois pelos jornalistas se tinha sido uma pergunta «difícil», Cavaco Silva reconheceu que foi «muito difícil», notando o facto de uma criança já ter a noção de que é preciso coordenação, «que é preciso articulação, que não podem estar uns a atirar para um lado a bola e outros a atirar para outro». O Presidente da República ressalvou, contudo, estar a dizer que coordenar um país é «difícil» e não que há falta de coordenação. «Eu disse que é difícil, mas não estou a dizer que falta, é preciso muito trabalho para conseguir de facto coordenação, para jogarmos todos no mesmo sentido.»

Está tudo errado no que Cavaco diz. O PR não paira por cima de um nebulosa chamada "portugueses" e não é suposto "ter a vida facilitada". O PR não é uma raínha sentada num campo de futebol, com uma mantinha pelas pernas, a ver passar a nebulosa, a que ele preside, aos chutos à bola. Depois, as entidades que Cavaco menciona são, salvo honrosas excepções, todas as que têm alegremente ajudado a levar a coisa para o fundo. Por isso, e tipicamente, "isto" não funciona. Cavaco não pretende mexer uma palha até à reeleição e é só o que esta intervenção, pouco feliz, quer dizer. Um programa de recandidatura com base nesta visão paroquial e de "união nacional" forçada - será que também inclui Alegre, Louçã, o admirável líder e a sua inigualável trupe? - é curta e timorata. Dá evidentemente para ganhar porque a exigência política, intelectual e ética do "nosso Portugal" é anã como se comprova pela própria sobrevivência de Sócrates. Só que ganhar, neste contexto, não chega. O episódio dos Açores (ou a tentativa cobarde de destruição pública do carácter de um homem sério como Fernando Lima) não ensinou nada a V. Exa., nomeadamente que há alguns dos "todos os portugueses" em quem definitivamente não pode confiar? E que esses alguns, se pudessem, dariam um valente chuto em V. Exa. e naquilo (que é muito em probidade política, pessoal e moral) que representa ao arrepio de tantos previsíveis vendilhões do templo? Quem o apoia desinteressadamente há mais de vinte e cinco anos tem não apenas o direito mas o dever de lhe colocar estas perguntas já que os "seus" conselheiros acácios parecem ter-lhe um inexplicável temor reverencial e medo do conflito. Eu não tenho. A ninguém e nenhum. Por isso, tudo o que desejo - para seu bem e para o bem do "nosso Portugal" - é que não facilite a vida a quem quer que seja. A começar por si.

Adenda: O meu voto em Cavaco Silva é um dado adquirido que não me impede de pensar em voz alta. Make no mistake.

30 comentários

De Anónimo a 12.07.2010 às 19:04

Caro autor do blogue:
Perfeito na sua interpretação.
Pena é que continue a apoiar semelhante personagem para Presidente da República.
Como é que consegue?

De Paulo Ribeiro a 12.07.2010 às 19:08

A tomar como certo este discurso, Eu, por acaso, penso que o nosso presidente nunca falou tão acertadamente. Penso mesmo que todos aqueles que insistem na tecla de que este país é uma merda, são eles mesmos, os principais culpados deste país ser uma merda. Senão vejamos: o português é a melhor pessoa do mundo: o mais afável, o mais dadivoso; e é, também, do mais em sentido inverso: maldizente, cretino, invejoso etc. Enquanto nos limitamos a ser apenas bons tipos, contentes com o que temos (nunca tivemos muito substancialmente diferente do que o que actualmente temos em mais de 800 anos de história, essa é que essa!), vamos sendo felizes, e olhe caro João Gonçalves, as coisas vão acontecendo. Quando nos limitamos a criticar por criticar sem apresentar nada de concreto, então, estamos apenas a blogar. Agora, verdade seja dita, estava a ficar sem esperança, mas, finalmente, o Cavaco disse a coisa mais de direita liberal que alguma vez saiu daquela santa boca, Deus seja louvado!

De Anónimo a 12.07.2010 às 19:16

Referiu redacções de 2ªclasse de Sócrates há uns posts para trás, aqui está outra quase ao nível de Cavaco.

lucklucky

De Garganta Funda... a 12.07.2010 às 19:20

Subscrevo o comentário do ilustre anónimo das 7.04.

O prof.Cavaco Silva, até pode ser uma pessoa muita séria e honesta, mas pelo seu curriculo politico e principalmente pela sua actuação como PR, não merece ser reeleito.

Ele representa o «statu quo» e não tem a vontade e o carisma para sacudir estas águas fétidas e mal-cheirosas e mobilizar os portugueses para o futuro.

Está agarrado à jurisprudência florentina constituicional, como se viu no episódio do Estatuto dos Açores.

Infelizmente vamos ter mais 5 anos de Prof.Cavaco, rodeado pelo PSD, PS, «independentes», «associação de bancos» e outras prestimosas instituições que levaram Portugal ao fundo.

Deus tenha piedade de nós!

De Paulo Ribeiro a 12.07.2010 às 19:48

Garganta, e então? Será que não vês que a maioria está mais ou menos a cagar-se para isso? Que a bem dizer ou somos anónimos ou gargantas disto ou daquilo, ou bestas imundas etc; mas, no fundo, Todos, uns rematados cagões?! É mesmo isso, cagões sem coragem de se chegar à frente e dar-se importância, por exemplo e a ter pela participação cívica: na comunidade onde nos inserimos. Não deixa de ser giro chegar aqui e passar por machão e quando se está à frente do chefe, do governante, ou de alguém com mais galões, humedecer como os meninos. Muito típico. Nisso a internet democratizou a celebérrima conversa entre amigos após um langoroso repasto: depois duma bela e pesada refeição entre amigos, e p’ra aí no terceiro whisky, alguém lembra: – “eh pá, isto não está uma merda de feder? Vai daí, três horas de lamurias. Pois é, somos dez milhões de cagões. Poderia ser diferente? Poder podia, mas não éramos portugueses mas suíços.

De floribundus a 12.07.2010 às 19:49

o PR resguarda-se porque
«em mar de piranhas jacaré nada de costas»

existe total descoordenação. sapatilhas nem sabe o que isso é.
os seus escravos muito menos.
a comunicação social atrapalha ao esconder os factos.

não se promove o essencial para o desenvolvimento económico. corremos o risco de andar em andar em contra-corrente em relação aos emergentes que têm gente de muito qualidade há mais de um século.

minha 2ª mulher é prof com mestrados. vejo o nível do ensino.
meu filho terminou o doutoramento. dá para ver o nível de alguns funcionários públicos que dão aulas.

sinto muito. o rectângulo está na fossa e não sabe sair dela

De Karocha a 12.07.2010 às 20:34

É o Sr. PR. no seu melhor JG.

De Daniel a 12.07.2010 às 21:00

Cavaco Silva, por muito que desejasse ser mais crítico nos discursos políticos, está preso da "lógica" deste sistema político, se criticasse este Governo e o actual estado de coisas era logo atacado pela Esquerda de estar a quer "deitar o governo abaixo" e era o Monstro da Direita a ser evocado.

De João Gonçalves a 12.07.2010 às 21:09

O Garganta continua a não acertar. O "episódio dos Açores" foi uma criação alarve do sr. César secundada em Lisboa pelo PS que disse uma coisa ao PR e fez outra. No português "acorgráfico" ou verdadeiro, chama-se a isto mentir. Com os dentes todos. Florentino, Cacaco? Coitado.

De Karocha a 12.07.2010 às 21:09

Daniel
A nossa senhora de fátima não existe!
Desculpe JG.
O PR. vai mostrar cada vez mais a sua face, para tristeza de quem o apoiava!

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