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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

«O eng. José Sócrates, como é sabido e lamentado, anda por esse mundo a pedinchar dinheiro para Portugal. Começou com farroncas de "modernizador" e acabou caixeiro viajante da nossa miséria. Uma actividade que ele provavelmente considera heróica e a que chama, para consumo interno, "diplomacia económica": com certeza para não lhe chamar coisa pior. Esta diplomacia parece que lhe permite fazer declarações de amor ao repelente sr. Chávez da Venezuela, o inventor do "bolivarismo" e um populista autoritário, sem educação e sem vergonha. O português, coitado, assiste ao espectáculo caladinho e quieto, porque tem um longo hábito do vexame e porque a experiência histórica já o ensinou que a cavalo dado não se olha o dente. Mas mesmo o português não engole tudo. Digo isto porque ultimamente o sr. Sócrates resolveu juntar à pedinchice uma espécie de turismo pessoal que nos compromete. Quando foi ao Brasil, meteu uma lusitaníssima "cunha" ao Presidente Lula para conhecer o cantor (e compositor) Chico Buarque de Hollanda. Sendo primeiro-ministro, este extraordinário desejo de Sócrates significa, em princípio, que Portugal inteiro está interessado em Buarque de Hollanda e lhe atribui uma particular importância. Não se consegue imaginar que espécie de importância e não vale a pena fazer o esforço, porque a certa altura se descobriu que a atracção de Sócrates pelo homem era meramente pessoal. Gostava dele como poderia gostar do Pato Donald ou de um actriz de telenovela. São manias de criança (ou de adolescente), que ninguém lhe deve levar a mal. Só que aproveitar uma situação privilegiada para satisfazer uma curiosidade infantil não assenta muito bem num primeiro-ministro, e Sócrates, percebendo isso, arranjou maneira de disfarçar a coisa. O Gabinete dele anunciou tudo ao contrário: afinal, era Buarque de Hollanda quem queria conhecer o celebérrimo e fascinante Sócrates do "Simplex" e do défice. Infelizmente, Buarque de Hollanda desmentiu logo essa versão dourada. O facto é que Sócrates se enfiou à força em casa dele (de fotógrafo à trela) não se imagina porquê, nem para quê. Para arranjar um autógrafo, para ouvir a criatura "ao vivo", para se inscrever no clube de fãs? Não há maneira de tirar o caso a limpo. A única verdade incontestável é que, por um capricho, o primeiro-ministro abusou do seu cargo e humilhou o país. Para mim, basta.»
Vasco Pulido Valente, Público

20 comentários

De carol a 06.06.2010 às 15:00

Ainda gostava de saber de quem é que o Dr. Vasco Pulido Valente é capaz de dizer bem! Talvez dele próprio, pobre e amarga figura...

De Mani Pulite a 06.06.2010 às 15:12

CHAMAR ENG.À COISA É UM INSULTO AOS ENGENHEIROS,À ORDEM DOS ENGENHEIROS E MESMO AOS SERVENTES DE PEDREIRO E RESPECTIVA ORDEM.O PIMBALHÃO NEM PARA CARREGAR O PENICO DO CHÁVEZ SERVE.

De João Gonçalves a 06.06.2010 às 15:19

E a Carol já experimentou "dizer bem" do senhor da foto? Deve ser um exercício epistemológico interessante.

De josé ricardo a 06.06.2010 às 15:25

vim aqui de propósito porque advinhava que o João Gonçalves colocaria aqui o artigo od Pulido Valente. é evidente que lh edou razão (a si e ao Valente do escrito). de qualquer maneira, o que Sócrates fez não é assim tão diferente das andanças que a d. Maria Silva e o marido fazem quando vão, a expensas nossas, visitar isto e aquilo. e, antes deles, outros (tantos!...). Esta gente não tem, definitivamente, decoro. o mais funestamente estranho é que devem pensar que este tipo de atitudes até cai bem para a popularidade. errado. mas nós somos um povo de brandos, brandíssimos costumes. pior do que isso: demasiado domesticados...
um abraço,

josé ricardo

De João Sousa a 06.06.2010 às 15:44

"Um populista autoritário, sem educação e sem vergonha."

É certo que VPV está a falar de Chávez, mas a descrição cairia com igual propriedade em Sócrates.

De Anónimo a 06.06.2010 às 16:25

Um indivíduo que se serve do seu cargo para visitar um cantor (ainda que com muito talento), é de um parolismo atroz que nos envergonha.
Este homem que teve todas as condições para governar como nenhum outro, perdeu-se completamente com o seu egocentrismo balofo, e ainda mais, perdeu todo o decoro e sentido de responsabilidade que um governante deve ter, para não cair no ridículo que enxovalha todo um povo, que se sente traído e envergonhado.
Cps
Scaramouche

De Jacinto a 06.06.2010 às 16:25

Um asinino regedor de aldeia, sem princ´pios nem vergonha - mas que nos envergonha a todos.
E não,actrizes não - "vox populi" insinua preferência por actores...

De Anónimo a 06.06.2010 às 17:01

Comentador José Ricardo,

Sobre as pessoas de que fala conheço vários relatos de diplomatas sobre embaixadas inteiras à beira de um ataque de nervos.

De Zé Rui a 06.06.2010 às 17:36

Quando achamos que o nosso PM já não nos consegue surpreender mais.......lá vem mais uma cena ridicula...... o curioso é ninguem no PS se aperceber da degradação da situação......pois anda tudo de bico calado...com medo do chefe.

Eu acho que o Vasco Pulido Valente até gostava de dizer bem de algo, mas olhando à volta......é dificil!!!!

De Antonio Coutinho Coelho a 06.06.2010 às 19:04

Sócrates, o pseudónimo piroso de Pinto de Sousa, que assim se chama o homem, é um provinciano deslumbrado com a Capital e o Capital.O nosso provinciano bem vestido até conseguiu uma licenciatura de favor numa universidade de amigos.É obra!O povo de papalvos que ambicionava ser como ele adora-o.Os senhores do capital estão delirantes com o dislate e a incompetência de quem governa.Agora são inúmeras as hipóteses de grandes negócios.O País afunda-se, triste e sem classe.Resta-nos no fim pagar a factura!

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