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portugal dos pequeninos

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Marcelo presidente

João Gonçalves 21 Jan 16

 

Este artigo é descaradamente uma dupla declaração de interesses. Desde logo um apelo vigoroso ao voto no próximo domingo. A eleição do presidente da República por sufrágio universal, directo e secreto, pertence ao código genético desta democracia. O equilíbrio de poderes que a Constituição prevê não dispensa essa escolha apesar da circunstancial predominância parlamentarista e governamental. É, aliás, o único voto dirigido a uma só pessoa a qual, por isso, responde directamente perante o país sem intermediários. Mesmo que seja oriundo de partido, o presidente uma vez eleito tem de deixar o partido à porta. E os partidos, em geral, lá onde os eleitores os puseram e pela ordem que os puseram: na Assembleia da República e, indirectamente, no Governo. A indecisão, a abstenção ou a indiferença são sempre fretes prestados ao que não se quer. Não vale a pena, por omissão, desprestigiar ainda mais uma campanha que não esteve à altura do património político evidenciado pela escolha livre do presidente desde 1976. Votar, pois, e num candidato em concreto: Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo é inseparável da nossa paisagem democrática. Nos jornais, ainda antes do 25 de Abril no "Expresso", onde estava também encarregado de fintar a censura. Depois fundando, enquanto administrador, o "Semanário" dirigido por Vítor Cunha Rego. Na rádio e nas televisões, onde todos tivemos pelo menos uma ocasião furiosa de discordar fortemente dele. No Parlamento, onde foi deputado constituinte. No Governo, com a tutela dos assuntos parlamentares, onde pôde praticar o que aprendera na análise política e no comprometimento partidário intenso dos primeiros anos do regime. Na oposição, como o presidente do PSD que sucedeu a dez anos de "cavaquismo" e que soube calibrar perfeitamente os deveres de Estado com o combate aos piores delírios "guterristas". Nas autarquias, onde foi vereador e presidente de assembleia municipal. Na universidade, onde ensinou fornadas e fornadas de futuros juristas, a maior parte dos quais anda por aí a pastorear a pátria em todos os partidos. Marcelo, até por causa desta biografia ou apesar dela, não vai para Belém em modo de facção. É genuinamente independente como todos os solitários calorosos o são. Basta-lhe ajudar governos e oposições a não levarem isto levianamente para o fundo. E basta-lhe ser igual a si próprio. O mesmo Marcelo que conheci no Guincho e a quem dei, um dia, boleia dali até Cascais. O do sol e vida. Da alegria.

 

Jornal de Notícias, 18.1. 2016

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