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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Os dias por vir

João Gonçalves 29 Dez 13

 

O suplemento dominical do Correio da Manhã é dedicado a 2013. Tem fatalmente Ronaldo na capa como, noutros tempos, poderia ter Amália, Eusébio, a fantástica Irmã Lúcia ou o computador Magalhães. Mais, porém do que o "balanço" por áreas - a da cultura, com o devido respeito e amizade pelo Francisco José Viegas, está devidamente emulado pela fotografia do primeiro-ministro a olhar para o tecto de um Palácio da Ajuda cheio de Joana Vasconcelos por todo o lado e com ela cheia dela mesma ao lado do primeiro-ministro - interessa-me o futuro espelhado no excelente ensaio de José Medeiros Ferreira intitulado "A troika nem sempre existiu". Medeiros Ferreira, aliás, é o autor do livro que escolheria, e aconselharia ao referido primeiro-ministro, no transe de 2013 para 2014 ou mais. Saiu na mesma editora que publica os seus gurus hiper-liberais de São Bento e, agora, das Necessidades pelo que é fácil chegar lá. Depois de o ter lido, escrevi que os ministros e outros dignitários, quando se deslocam, deviam obrigatoriamente levar na pasta o Não há mapa-cor-de-rosa, A história (mal)dita da integração europeia. No ensaio de hoje, Medeiros retoma alguns tópicos do livro e pondera os próximos e decisivos meses da vida pública nacional. Como não diria melhor, passo a citar sem mais comentários (porque os fiz no tempo e nos lugares adequados durante dois anos e,  em  especial, ao longo do pastoso mês de Julho), congratulando-me por uma amizade duradoura e sempre renovada, esperançosa e combativa como deve ser a nossa vontade nos dias por vir. «O período do advento para a saída da troika, e o consequente regresso aos mercados, foi assim em grande parte perdido no segundo semestre de 2013 pela má apreciação prospectiva de Cavaco Silva e dos seus conselheiros, e pela paralisia que introduziu no sistema da governação, prolongando por expedientes artificiosos a coligação PSD-CDS. Teve tudo nas mãos para criar novas condições de governação que preparasse melhor a saída da troika, com as duas cartas de demissão dos ex-ministros das Finanças e do MNE. Bastaria ter levado a sério o testamento de Vítor Gaspar de 1 de Julho, que escreveu ser necessária "a rápida transição para uma nova fase do ajustamento: a fase do investimento! Esta evolução exige credibilidade e confiança". Exactamente o que falta ao governo de Passos Coelho e à sua coligação com Paulo Portas. Obcecado com a necessidade de consensos entre os partidos do "arco da governação", Cavaco Silva não sabe como os estabelecer, ou se quer mesmo fazê-los. Uma coisa é certa, Passos Coelho não irá muito mais além do que esperar que o IGCP consiga colocar uns títulos no mercado dos "institucionais", trocar umas maturidades pelo aumento sedutor das taxas de juro, e esperar que o ECOFIN e o Eurogrupo ponham à disposição do Tesouro uma linha de crédito de alguns milhares de milhões. Passos Coelho é o principal obstáculo a qualquer entendimento mais abrangente para dotar a República Portuguesa de um governo capaz de responder ao choque da saída da troika. Devia sair com ela.»

O verdadeiro director

João Gonçalves 29 Dez 13

A RTP, essa estranha galáxia que nunca cessa de nos surpreender pelas piores razões - e que o regime (partidos, PR, Governo e "elites") decidiu manter no "coração de Portugal", mais conhecido por "factura da electricidade" -, aparentemente escolheu o seu novo director. A "imagem" que retenho deste homem é a de alguém que podia perfeitamente apresentar, com rematado sucesso, os defuntos "jogos sem fronteiras", algo em que a RTP parece ter-se tornado para sempre. De facto, o que é que se pode esperar de alguém que afirma que "a minha morada é a matrícula do meu automóvel",  "ando sempre de um lado para o outro" e que é tido por, sic, "mexido"? Se escavarmos a coisa, para usar um termo recorrente de um comentador da RTP, este Portugal de apelido decerto não brota do nada. Por trás dele estará seguramente o director geral de conteúdos da casa, uma relíquia para quaisquer tempos políticos, Luís Marinho. Marinho nunca é visto nem ouvido mas manda silenciosa e eficazmente desde tempos e ministros imemoriais. Infelizmente Miguel Relvas decidiu amenizar a sua saída da administração Guilherme Costa com  esta prebenda original que é o cargo formalmente inexistente de director-geral. E Marinho "reina" na RTP mais do que o dr. Alberto da Ponte alguma vez reinará. Sobreviver-lhe-á, naturalmente, porque exala a paciência de um chinês. Já viu passar os cadáveres de colegas, de administradores, de ministros e de primeiros-ministros sentado tranquilamente à beira de Cabo Ruivo. Agora atirou o tal de Portugal de apelido às feras. Não lhe auguro grande futuro.

 

Foto: Público

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