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portugal dos pequeninos

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A "cultura" em 2013

João Gonçalves 27 Dez 13

Segundo a articulista Vanessa Rato, do Público, a "cultura" no ano da graça de 2013 foi o "caso Crivelli", a dietazinha mediterrânica, a Rua da Sofia e o extraordinário dr. Barreto Xavier (e a Joaninha, já agora). Aliás, a prosa dedicada a Xavier resume eloquentemente o estado da arte que ele, por sua vez, resume com a sua presença "joanavasconceliana" - não menos eloquente como o famigerado cacilheiro que parece estar como que embargado em Veneza - em todos os "eventos" nos quais possa aparecer "colado" ao senhor PM ou ao senhor PR (o que me matéria cultural vai dar ao mesmo). «Quando tomou posse, em Outubro de 2012, Jorge Barreto Xavier foi recebido com algum alívio por agentes que com ele se foram cruzando ao longo de um percurso de quase três décadas. Depois de uma subida degrau a degrau, da base ao topo, o novo secretário de Estado perfilava-se como um profissional com bom conhecimento do terreno, ambicioso, com capacidade de diálogo, de gestão, execução e, até, algum músculo político. Não quer dizer que houvesse grandes expectativas: na ressaca de um biénio de cortes drásticos, bastava a ideia de que, com ele, talvez o naufrágio não fosse total. Por então, havia no entanto também muitos agentes – demasiados (e são cada vez mais) – para quem parecia já irrelevante quem ocupava o cargo. Para estes, a questão era o que poderia fosse quem fosse face a uma tão dramática descapitalização e desestruturação sectorial. Ficará por saber o que poderia outro.» Fica mesmo.

E a vaca?

João Gonçalves 27 Dez 13

 

Enquanto almoçava, pedi o Correio da Manhã. Dei de caras com a página semanal do Pedro Santana Lopes. E li. Não estamos perante uma "figura pública" anódina. S. Lopes, entre outras coisas, foi presidente de duas câmaras municipais, uma delas a da capital, eurodeputado, presidente de um partido e de um grupo parlamentar, de um conspícuo clube desportivo e, famosamente, membro de governo e primeiro-ministro. Para além disto, é um grande orador e, nessa qualidade, um bom manipulador de massas. Parece que na passada segunda-feira "desistiu", num programa de televisão, de ser candidato a candidato presidencial em 2016. Mas, nele, estas "desistências" têm normalmente a consistência de uma peça de filigrana: umas "primárias" do centro-direita não dispensam a sua presença. Era, porém, do artigo que ia falar. Só que o artigo fala por si. E eu, para o poder ler até ao fim, precisei "esquecer-me" que gosto muito do Pedro Santana Lopes. Porquê? Porque um político como ele não pode perpetrar uma redacção destas, um misto de ficção política com bocadinhos de um hiper "Guia de Portugal" para pequenitos e turistas acidentais. «No meu último artigo deste ano, quero dizer bem do meu País. Portugal é único e sabem-no bem, independentemente das idades de cada um, todos aqueles que emigram. Sempre que os Portugueses estão lá fora, aprendem a dar valor ao seu País. Ficam logo cheios de saudades do clima ameno, da segurança nas ruas, da nossa gastronomia, das vistas de mar e de rio, do nosso café e, até, da nossa maneira de ser. Eu quero neste último artigo do ano dizer que temos um Governo que procura seguir aquilo que acredita ser bom para o País. Esteja mais certo ou mais errado, consoante a perspectiva de cada um, verdade é que o Primeiro-Ministro tem sido coerente, sensato e discreto. Os lideres dos dois partidos da coligação procuraram ultrapassar diferenças e conseguiram colocar acima de tudo o interesse nacional. O líder do principal partido da oposição tem procurado conciliar a obrigação de se demarcar com a vontade de convergir. O Presidente da República tem procurado dar força ao Governo, mas nunca esquecer o respeito que é devido à oposição. Os dirigentes sindicais têm feito tudo para não deixarem deslizar o descontentamento e mesmo a revolta para formas extremadas de manifestação. Os lideres das outras forças partidárias têm sido iguais a si próprios. Os empresários têm-se desdobrado em esforços para exportar mais e criar emprego. Os trabalhadores por conta de outrem têm sido fantásticos, aguentando pesadas medidas de austeridade. Os profissionais, em geral, têm suportado uma atroz carga fiscal, que leva para o Estado grande parte dos rendimentos. Os artistas têm sentido a crise como poucos. A imprensa escrita e falada tem feito trabalhos de grande qualidade em informação, reportagem ou análise do que vai acontecendo em Portugal e no resto do mundo. No desporto, várias as alegrias proporcionadas aos Portugueses. O País é tão bom que cada vez mais turistas o visitam, e cada vez mais se rendem às suas belezas e aos seus encantos. É bom viver em Portugal.» E a vaca, Pedro? Onde é que está a vaca?

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