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portugal dos pequeninos

Um blog de João Gonçalves MENU

Sombras e fumos

João Gonçalves 18 Dez 13

 

Ontem a dra. Teresa Leal Coelho, uma desgraça enquanto porta-voz "tudóloga" do PSD (ainda ninguém deu por isso?), apareceu a perpetrar uma espécie de interpretação autêntica do sr. Draghi. Nas palavras dela, o sr. Draghi de maneira alguma quis dizer que Portugal precisava de um "programa cautelar" e, muito menos, o país, através do Governo, anda a preparar o que quer que seja nessa matéria. O sr. Draghi, porventura sugestionado pela sua magnífica tradutora, acabou por dizer que competia ao Governo - na circunstância o português - explicar do que é que realmente precisa quando terminar o "programa de ajustamento". Depois surgiu o fatal comissário Rehn a dizer que fala bastante com o Governo português e, entre outras coisas, do que se seguirá ao dito "programa". Este patético jogo de sombras presumivelmente destina-se a fazer os portugueses ainda mais parvos do que eles já, por regra, são. Note-se que esta demência torrencial não acontece por acaso. O Governo há muito que deixou de ter o "seu" programa. Só "vive" para o de "ajustamento" o que, se levado a sério, o torna dispensável a partir de Maio. Depois, e após vinte e tal longos estúpidos dias de inexplicável burocracia parlamentar, o OE seguiu para Belém onde reside um aliado de circunstância que, todavia, tem de ler a Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir. E com uma decisão jurídico-constitucional por estes dias sobre a chamada convergência das pensões, era preciso que o jogo de sombras tivesse algum jogo de fumos pelo que emergiu a extraordinária deputada Marques Mendes que os lançou através de um  "relatório preliminar" sobre swaps, num perfeito exercício de spin que, decerto, o seu irmão não pode ter deixado de aplaudir. Tudo somado, era política e intelectualmente mais honesto dizer ao país que sim, que apesar de não estar ainda "desenhado", o "programa" pós-troika está a ser pensado, embora as "ideias" não seja o forte desta gente. Ninguém aterra "limpo" no "mercado" com uma dívida como a nossa, com juros como os nossos, com incertezas como as nossas e com uma Merkel como a deles. Qual é a parte que fingem não perceber?

Um perpétuo ficar

João Gonçalves 18 Dez 13

 

O líder do CDS, actual vice PM e recentemente dado à relojoaria, deu a conhecer a "moção" dele para o congresso "kimico" do seu partido. Note-se que o dr. Portas é o dirigente partidário em funções com maior antiguidade no posto. E, a avaliar pelo que diz e escreve, não tenciona abandonar a coisa tão depressa. Por isso torce o nariz a uma putativa coligação com o PSD em próximas eleições legislativas. O homem quer ter as mãos livres para ficar no "arco da governabilidade" mesmo se a gestão deste passar para o PS. Espero que o PSD, que também tem previsto para breve um congresso semi-albanês, tome boa nota disto sobretudo com eleições europeias pela frente onde, candidamente, espera ir coligado com esta versatilidade ambulante (estou a ser simpático). Depois, na dita "moção", Portas - que, repete-se, é desde Julho o número dois do Governo com o cargo de vice PM - atribui ao Tribunal Constitucional praticamente todos os males da pátria a começar pelo aumento dos impostos. Eu e ele tivemos os mesmos professores de direito embora, pelos vistos, ele tenha agora uma opinião "tropical" acerca do Estado de direito. Enfiou-a à pressa, como já tinha feito com a "reforma do Estado", no seu panfleto que dispara como um ariete contra o referido Estado de direito democrático em prol da demagogia partidária mais básica e rasca. Está comprovado que o Tribunal Constitucional "deixou passar" cerca de 80% das chamadas medidas de austeridade desde que o "programa de ajustamento" está em vigor. Mais. É natural que o Tribunal declare inconstitucionais normas do OE 2014 mas tenha em conta o final do "programa" logo uns meses a seguir. E que isso se reflicta no "modo" da decisão à semelhança do que aconteceu em 2012. Por outro lado, é pacificamente reconhecido que foram os efeitos de algumas declarações de inconstitucionalidade que "animaram" a economia e o consumo interno, e não exactamente as bravatas externas do senhor vice PM. Em suma, quem, nos partidos do regime, quiser daqui para diante contornar o Estado de direito, sabe que pode contar com o dr. Portas. É por isso mesmo que ele não sai do seu perpétuo ficar.

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